Quais são as desvantagens da medicina natural?

Embora a medicina natural seja popular por causa dos seus benefícios para a saúde, ela não está livre de causar efeitos colaterais. Descubra as suas principais desvantagens.
Quais são as desvantagens da medicina natural?

Última atualização: 08 março, 2022

Durante séculos, as terapias naturais representaram uma opção de tratamento para muitas doenças. Porém, enquanto alguns exaltam as suas propriedades, outros questionam a sua segurança e eficácia. Embora vários dos seus efeitos tenham sido comprovados através de estudos, de fato, a medicina natural apresenta desvantagens.

O problema é que se instaurou a ideia de que “o que é natural é melhor” porque os seus efeitos colaterais não são tão agressivos quanto os da medicina convencional. De fato, algumas pessoas têm a certeza de que ela pode “curar” os problemas de saúde substituindo os medicamentos. Infelizmente, isso já causou efeitos negativos que variam de leves a fatais. Por isso, no espaço a seguir, vamos falar mais sobre o assunto.

Desvantagens da medicina natural

Os tratamentos propostos na medicina natural têm sido úteis para o tratamento dos sintomas de uma ampla variedade de doenças. Desde os remédios fitoterápicos, passando pelos suplementos vitamínicos, pela acupuntura e pelo yoga, entre outras abordagens, essas terapias são aplicadas desde os tempos antigos a fim de melhorar a saúde.

No entanto, muitas pessoas ignoram que essa forma de medicina não está isenta de causar reações indesejadas, bem como interações medicamentosas e riscos para as pessoas com condições especiais. Além disso, muitas terapias carecem de pesquisas científicas para a sua comprovação e o seu nível de segurança é desconhecido. Por isso, vamos detalhar as suas principais desvantagens.

O seu controle de qualidade não é tão rigoroso

Ao contrário dos medicamentos convencionais, que passam por uma série de processos de controle de qualidade antes de chegar ao mercado, os produtos fitoterápicos e naturais nem sempre são regulamentados. Por esse motivo, muitos podem não conter o que prometem.

Ainda sobre esse assunto, a Food and Drug Administration (FDA) alerta que o fato de ser natural não significa que algo seja seguro. De fato, alguns suplementos podem até mesmo conter fármacos perigosos escondidos entre os seus ingredientes.

Por esse motivo, antes de adquirir produtos desse tipo, é necessário se certificar de que tenham um selo de qualidade. Além disso, também devem ter registro sanitário e estar bem lacrados. Se houver rótulos com dizeres como “cura milagrosa” ou “totalmente natural”, o melhor é desconfiar.

Remédio natural.
A aquisição de remédios naturais deve ser feita de forma consciente. É bom se certificar da sua origem e buscar selos de qualidade.


Falta de comprovação por meio de estudos conclusivos

Grande parte dos remédios fitoterápicos e suplementos dietéticos não foram estudados o suficiente. Por esse motivo, ainda não se sabe quais são os seus níveis de eficácia e segurança.

Embora algumas pesquisas falem sobre os seus possíveis benefícios para a saúde, na verdade, a maioria delas foi feita com animais ou em laboratório. Portanto, não há total comprovação para o seu uso em humanos.

No entanto, vale ressaltar que algumas terapias complementares, tais como yoga, tai chi, massoterapia e meditação estão se tornando mais aceitas. Não apenas porque a sua prática é considerada segura, mas também porque as evidências indicam que realmente proporcionam benefícios. Porém, elas não devem substituir os tratamentos médicos convencionais.

As doses são mal controladas

Outra desvantagem da medicina natural tem a ver com as doses utilizadas durante os tratamentos. A falta de evidências sólidas torna difícil determinar com precisão quais são as quantidades eficazes e seguras. Por esse motivo, as recomendações de consumo geralmente variam de acordo com o terapeuta ou o fabricante.

De qualquer forma, é importante respeitar as doses sugeridas nos rótulos. O fato de serem naturais não significa que possam ser tomados de maneira excessiva. Se forem utilizados dessa forma, podem ocorrer reações de intoxicação, bem como efeitos colaterais graves.

Os efeitos demoram mais para se manifestar

A maioria dos medicamentos são projetados para causar efeitos em um curto espaço de tempo. De fato, muitos proporcionam uma sensação de alívio em questão de minutos ou horas.

No entanto, isso geralmente não acontece com os remédios naturais. Para experimentar os seus benefícios, é necessário tomá-los ou implementá-los de forma constante, ao longo de semanas ou até mesmo meses.

Causam efeitos colaterais leves e graves

Um dos principais mitos da medicina natural é o de que ela “é melhor porque não causa efeitos colaterais”. Cuidado! Esse pensamento já levou a consequências bastante graves em alguns pacientes. Embora essas terapias geralmente sejam menos invasivas que as convencionais, elas não estão isentas de causar problemas.

De fato, conforme explica um artigo de revisão publicado na Clinical Medicine, os remédios fitoterápicos geralmente contêm ingredientes farmacologicamente ativos. Estes causam efeitos colaterais quando ingeridos sem a devida precaução.

Assim, as reações variam desde dores de estômago, náuseas e vômitos, por exemplo, até consequências mais graves, tais como insuficiência renal e danos no fígado. Além disso, também há relatos de interações entre fitoterápicos e medicamentos que aumentam o risco de efeitos adversos notáveis. Tudo isso somado ao fato de que alguns remédios fitoterápicos contaminados já causaram mortes.

Eles não são um tratamento de primeira linha

Conforme mencionamos, uma das principais desvantagens da medicina natural é o fato de que ela não substitui a medicina convencional. Assim, apesar da grande variedade de propostas terapêuticas envolvidas, não há dados que determinem que ela sirva como tratamento de primeira escolha. Por outro lado, algumas terapias são aceitas como complementares, mas devem ser utilizadas sob supervisão profissional.

Medicina natural com elaboração de preparações.
O natural não deve ser imediatamente associado ao seguro. Tanto ervas quanto algumas terapias têm efeitos colaterais.


Recomendações para o uso seguro da medicina natural

O fato de que a medicina natural tem desvantagens não é motivo para demonizá-la. Assim como os tratamentos ocidentais, ela também tem seus prós e contras. De fato, neste momento, existem terapeutas que propõem o uso simultâneo de ambas as formas de medicina para proporcionar uma abordagem mais completa.

O importante é ter cautela ao utilizar os tratamentos complementares. Apesar de serem rotulados como “naturais”, o seu uso apresenta riscos e contraindicações.

Portanto, vale a pena fazer as seguintes considerações:

  • Verifique a procedência do produto: Alguns laboratórios de fitoterapia e suplementos possuem anos de experiência e inspiram uma maior confiança quanto à qualidade de seus produtos. Além disso, também possuem selos que comprovam a sua qualidade.
  • Procurar o registro sanitário: esse detalhe pode fazer a diferença quando se trata de adquirir um produto natural para a saúde. Se o produto não estiver em ordem, é melhor evitar o seu consumo.
  • Pesquisar sobre os efeitos colaterais e contraindicações: na internet, podemos encontrar todo tipo de informação sobre plantas, suplementos e outros remédios naturais. É fundamental descobrir quando o seu uso não é conveniente e também quais são as doses aconselháveis.
  • Consultar o médico: diante da suspeita de alguma doença, é fundamental primeiramente procurar um médico. O profissional poderá avaliar quais são as melhores terapias para superar ou enfrentar o transtorno. Além disso, ele também vai determinar se a medicina natural pode ajudar ou não.

O que devemos lembrar sobre a medicina natural?

Os benefícios da medicina natural muitas vezes são exaltados, uma vez que ela é considerada menos invasiva que a medicina convencional. Apesar disso, é preciso usá-la com cautela, pois ela não é tão inofensiva quanto algumas pessoas acreditam. De fato, o seu uso excessivo e sob certas condições traz riscos que podem ser letais.

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