Minipílula: benefícios e efeitos colaterais

A principal diferença da minipílula para os outros anticoncepcionais orais é que ela não contém estrogênio, uma vantagem para as mulheres que evitam esse componente por preferência ou por considerarem que ele afeta a saúde.
Minipílula: benefícios e efeitos colaterais

Última atualização: 08 Maio, 2021

A minipílula é um anticoncepcional oral que contém uma dose menor de hormônios do que a pílula anticoncepcional tradicional. Também é conhecida como pílula anticoncepcional só de progestina, pois não contém estrogênio como as outras.

É uma pequena pílula que, se usada de forma correta, protege contra a gravidez em até 99%. No entanto, é difícil para alguém atingir esse grau de perfeição no seu uso, por isso é normal que o grau de eficácia da minipílula seja de 91%.

Como a minipílula funciona?

Anticoncepcional
A minipílula suprime a ovulação com uma dose hormonal mais baixa do que a dos anticoncepcionais tradicionais.

Assim como outros anticoncepcionais orais, a minipílula evita a ovulação. Isso significa que seu efeito impede que os óvulos sejam liberados. Se não houver óvulos, também não pode haver gravidez.

A minipílula é menos eficaz do que os anticoncepcionais tradicionais na supressão da ovulação. No entanto, tem dois outros efeitos que não só compensam essa deficiência, mas também aumentam a sua eficácia na prevenção da concepção.

Esses efeitos são os seguintes:

  • Fazem com que o muco no colo do útero se torne muito espesso. Isso torna muito difícil para os espermatozoides passarem e chegarem às trompas de falópio para fertilizar o óvulo.
  • Afina o revestimento do útero. Isso significa que se o espermatozoide fertilizasse o óvulo de qualquer maneira, a implantação no útero seria muito difícil e tornaria improvável que a gravidez se consolidasse.

Para quem a minipílula é recomendada?

Com algumas exceções específicas, qualquer mulher pode usar a minipílula. Ela é utilizada principalmente por mães que amamentam, pois existe a ideia de que os anticoncepcionais tradicionais inibem a produção de leite materno, embora não haja evidências disso.

O médico provavelmente recomendará o uso da minipílula quando a mulher tiver histórico de coágulos sanguíneos nas pernas ou nos pulmões. A mesma medida é tomada se houver risco de desenvolver tais coágulos, mesmo que você não os tenha sofrido.

Algumas mulheres desconfiam dos anticoncepcionais que contêm estrogênio por causa dos possíveis efeitos colaterais que eles podem causar. Nesses casos, a minipílula seria uma alternativa. Da mesma forma, pode ser prescrita quando a mulher tem dermatite associada ao ciclo menstrual.

Como a minipílula deve ser tomada?

O ideal é começar a tomar a pílula no primeiro dia da menstruação, pois assim ela terá um maior efeito anticoncepcional. Se anticoncepcionais orais tradicionais já estiverem sendo consumidos, a troca é feita sem interromper a ingestão diária, ou seja, um dia após tomar a última pílula convencional. Para que a minipílula seja eficaz, é apropriado aplicar as seguintes diretrizes:

  • Tome um comprimido diariamente, sempre no mesmo horário. Se não for possível, o correto é manter uma margem de defasagem que não ultrapasse três horas.
  • A ingestão diária nunca deve ser interrompida. É importante ter a receita em mãos com bastante antecedência para que isso não aconteça.
  • Se não for possível começar a tomar a pílula no primeiro dia do período menstrual, é indicado usar preservativo nos próximos sete dias se você tiver relação sexual.
  • Mulheres que amamentam podem usar a minipílula a partir da sexta semana após o parto.
  • Se um anticoncepcional injetável estiver sendo usado, o correto a fazer é começar a tomar a minipílula no dia em que a injeção deveria ser administrada.

O que fazer se um dia eu me esquecer de tomar?

Se uma mulher se esquecer de tomar esta pílula no horário normal, ela deve tomá-la o mais rápido possível. O ideal é carregá-la sempre com você para que seja possível ingeri-la a qualquer momento, mesmo que você esteja fora de casa.

Se já tiverem passado mais de três horas desde que você deveria ter tomado a pílula, é recomendável tomá-la o mais rápido possível. Além disso, use camisinha para fazer sexo nos próximos dois dias. Se o esquecimento for superior a 12 horas, é necessário o uso de preservativo nos sete dias seguintes.

Atenção ao ciclo menstrual
Diante do esquecimento de um comprimido, é necessário combinar a minipílula com o uso do preservativo.

Vantagens da minipílula

A principal vantagem da minipílula é que ela não contém estrogênio, ao contrário de outros anticoncepcionais orais. É ideal para mulheres que não desejam ingerir esses hormônios, seja por preferência ou por problemas de saúde.

Outras vantagens deste tipo de anticoncepcional são as seguintes:

  • São mais eficazes do que os métodos de barreira, como preservativos e diafragma.
  • Tendem a ter menos efeitos colaterais do que os anticoncepcionais orais convencionais.
  • São seguras para o uso durante a amamentação.
  • Não exigem a interrupção da relação sexual para iniciar o uso.
  • Em algumas mulheres, tornam o ciclo menstrual mais regular, mais curto, mais leve e menos doloroso.
  • É um método anticoncepcional de uso temporário. Pode ser interrompido a qualquer momento e não afeta a fertilidade.

Desvantagens da minipílula

As minipílulas também têm desvantagens. A primeira delas é a exigência da disciplina, pois para elas serem 99% eficazes, devem ser tomadas no mesmo horário todos os dias, o que pode ser difícil para algumas mulheres.

Outras desvantagens são as seguintes:

  • Em algumas mulheres, podem causar períodos menstruais irregulares, ou seja, ausência de um período ou eventual escape entre os períodos.
  • Podem causar alterações de humor. Algumas mulheres perdem o interesse pelo sexo.
  • Em alguns casos, podem causar ganho de peso.
  • Não protegem contra doenças sexualmente transmissíveis. Se você não tiver certeza sobre o seu parceiro sexual, é melhor combinar o uso da pílula com preservativos.
  • Algumas pessoas sentem dores de cabeça e/ou náuseas ao usar este tipo de pílula.

Contraindicações e efeitos adversos

A taxa de falha da minipílula é ligeiramente superior a dos anticoncepcionais orais clássicos. Estima-se que 13 em cada 100 mulheres que usam esse método engravidem a cada ano.

Existe um risco ligeiramente maior de gravidez ectópica, ou gravidez fora do útero, quando a minipílula é usada e você engravida. No entanto, nenhuma relação foi encontrada entre este método e defeitos congênitos no bebê.

O uso da minipílula não é adequado para mulheres que atendam aos seguintes critérios:

  • Ter sofrido ou estar sofrendo de câncer de mama.
  • Apresentar sangramento uterino sem causa conhecida.
  • Ter alguma doença hepática.
  • Tomar remédios para convulsões, HIV, AIDS ou tuberculose.
  • Ter dificuldades para cumprir integralmente a ingestão diária, sempre no mesmo horário.

Minipílula: sim ou não?

Este método anticoncepcional se torna mais eficaz quanto mais disciplina é aplicada ao seu uso. Entre as mulheres que tomam a pílula no mesmo horário todos os dias e nunca se esquecem de fazê-lo, ocorre apenas uma gravidez em cada 100.

Se você começar a tomar a minipílula e perceber alguma reação adversa ou tiver um problema de saúde, o melhor a fazer é consultar o seu médico o mais rápido possível. Este método pode não ser o ideal para você.

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