Freio teto labial persistente em bebês: sintomas e tratamento

O freio teto labial persistente em bebês é uma das alterações menos frequentes observadas no freio superior. Pode ter um grande impacto na alimentação da criança se não for corrigido a tempo.
Freio teto labial persistente em bebês: sintomas e tratamento

Última atualização: 27 Maio, 2021

Todas as pessoas possuem um tecido que conecta o lábio às gengivas, denominado freio ou frênuloEm alguns bebês, o freio labial pode ser muito curto e rígido, causando uma anormalidade chamada freio teto labial persistente. Você quer saber em que consiste? Então continue lendo.

Os freios podem sofrer múltiplas alterações anatômicas; a maioria delas é congênita e, por isso, é muito comum encontrá-las em bebês. Dentre todas as malformações que podem se desenvolver na orofaringe, uma das menos comuns é o freio teto labial persistente, que tem incidência de 9,2% entre todas as outras, de acordo com estudos.

Ocorre com mais frequência no lábio superior e pode ser a causa de diversos problemas. Essa anomalia anatômica provoca o aparecimento de transtornos fonéticos e a separação dos incisivos.

Quais são as suas causas?

No momento do nascimento, o freio do lábio superior é teto labial, ou seja, curto e espesso em todos os indivíduos. Vários estudos indicam que ele terá um desenvolvimento normal de 1 a 2 milímetros durante os primeiros meses de vida. Por isso, o freio teto labial persistente em bebês aparece quando esse crescimento não ocorre.

Até o momento, ainda não foi identificada nenhuma causa específica que seja capaz de explicar o surgimento dessa anormalidade. Uma vez que se trata de uma malformação congênita, sabe-se que ela ocorre dentro do útero. No entanto, não é possível determinar se ela é produto da genética ou se ocorre por causa de algum agente nocivo.

Uma das teorias mais aceitas relaciona o freio teto labial persistente com uma mutação no gene MTHFR, que é o mesmo envolvido no lábio leporino. No entanto, são necessários mais estudos a esse respeito.

Freio teto labial persistente em bebês
A alteração genética do freio teto labial persistente pode estar relacionada à mesma que causa o lábio leporino.

Sintomas de freio teto labial persistente em bebês

A permanência de um freio labial curto em recém-nascidos pode ser difícil de identificar, já que os sintomas são sutis. Nesse sentido, é preciso ficar atento caso a criança apresente alguma das seguintes situações:

  • Dificuldade para sugar e respirar durante a amamentação.
  • Som semelhante a um clique enquanto está se alimentando.
  • Ganho de peso lento e fome frequente.
  • Fadiga e sonolência constantes durante a amamentação.
  • Presença de cólica.

Nos casos mais graves, isso pode dificultar a movimentação do lábio superior e, por isso, o bebê terá uma sucção deficiente. Como consequência, se estiver amamentando, a mãe apresentará vários sintomas nos seios, entre os quais se destacam:

  • Sensação de seios inchados ou de esvaziamento incompleto, mesmo após a amamentação.
  • Desconforto e dor durante ou após a amamentação.
  • Presença de nódulos mamários por causa do bloqueio dos dutos galactóforos.
  • Mastite.

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Como alimentar um bebê com freio teto labial persistente?

O freio teto labial persistente em bebês pode dificultar bastante a sua alimentação, especialmente se ela for feita através da amamentação. Isso ocorre porque o pequeno terá que se esforçar mais para que o leite saia do seio. Por causa deste esforço extra, ele ficará mais cansado e sonolento.

Nestes casos, é aconselhável usar uma mamadeira, se isso for prescrito pelo pediatra. Ela pode conter leite materno ou uma fórmula infantil.

Por outro lado, se houver a vontade de continuar amamentando, várias medidas podem ser aplicadas para facilitar a sucção. Por exemplo, massagear os seios e aplicar compressas com água morna antes de amamentar aumenta o fluxo de leite. Além disso, é fundamental ter uma boa técnica de amamentação.

Complicações do freio teto labial persistente

A complicação mais comum é a desnutrição. A alimentação inadequada pode fazer com que a criança fique abaixo do peso e tenha um crescimento lento. É importante lembrar que, durante os primeiros meses de vida, o recém-nascido tem necessidades nutricionais maiores.

Em casos muito graves, o freio pode se inserir diretamente no palato superior, impedindo assim o movimento labial adequado. Dessa forma, surgem problemas de fonação por causar disartria.

Por outro lado, essa alteração na inserção do freio também causa diastemas, ou seja, um aumento no espaço entre os dentes. Os incisivos superiores costumam ser os mais afetados.

Freio teto labial persistente em bebês
O uso de mamadeiras pode ser indicado pelo pediatra para suplementar a alimentação deficiente decorrente do distúrbio.

Tratamentos para o freio teto labial persistente

Dependendo da gravidade da situação, existem diversas opções terapêuticas que o médico pode aplicar para reverter o freio teto labial persistente precocemente. Os procedimentos variam desde a realização de exercícios manuais até a ressecção cirúrgica do freio. Nesse sentido, as técnicas aplicadas com maior frequência são as seguintes:

  • Liberação manual: esta medida é indicada nos casos leves, sendo a menos invasiva e dolorosa. Essa técnica consiste na realização de exercícios básicos com os dedos pelos pais, que buscarão alongar o freio e reverter a situação.
  • Frenectomia: este procedimento é necessário nos casos mais graves. Consiste na extração cirúrgica do freio, que geralmente é feita com laser, sem a necessidade de colocação de pontos. O procedimento é feito rapidamente no consultório médico.

A detecção precoce é essencial

O freio teto labial persistente em bebês é uma anormalidade que pode ser difícil de detectar em primeiro lugar. Isso ocorre porque todas as pessoas nascem com um freio relativamente curto. Por isso, é preciso estar muito atento quando o bebê se alimenta para verificar se ele faz a sucção da forma adequada.

A detecção precoce e o tratamento desta alteração são essenciais para prevenir as complicações, especialmente a desnutrição. Quando a criança não recebe a quantidade necessária de nutrientes durante os primeiros meses de vida, ela pode sofrer um atraso no crescimento que é difícil de reverter.

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