Enzimas alimentares: para que servem?

17 Agosto, 2020
As enzimas presentes no kiwi melhoram a digestão e previnem os processos de constipação e o surgimento de gases. Quais outras enzimas existem? Para que servem? Vamos compartilhar todos os detalhes a seguir.

As enzimas alimentares são proteínas que costumam ter uma função digestiva. Como regra geral, elas servem para melhorar os processos de decomposição e absorção de nutrientes. De fato, existem vários alimentos ricos em enzimas que são recomendados em casos de constipação para reduzir os sintomas dessa condição.

Elas também podem funcionar como mediadoras em certas reações químicas e fisiológicas. No entanto, existem casos de enzimas com propriedades anti-inflamatórias ou até antioxidantes. O que mais precisamos saber sobre isso? Descubra todos os detalhes a seguir.

Enzimas alimentares proteolíticas

Algumas enzimas alimentares, como a actinidina, típica do kiwi, têm a capacidade de intervir na quebra de proteínas, melhorando a absorção de aminoácidos. Sua função é fundamentalmente digestiva, como explicado em um artigo publicado na revista Food Function. 

No entanto, na literatura científica, também encontramos ensaios que vinculam a ingestão dessa enzima com uma redução nos processos de constipação. Estudos em humanos, como um publicado no Asia Pacific Journal of Clinical Nutrition, afirmam que o consumo de kiwi pode reduzir os sintomas da síndrome do intestino irritável, como flatulências, inchaço e dor abdominal.

Outro exemplo de enzima proteolítica é a que temos no abacaxi. Neste caso, estamos falando da bromelina, que apresenta a capacidade de melhorar a destruição de proteínas para absorver os aminoácidos posteriormente.

Esta fruta é famosa por suas propriedades diuréticas e digestivas. Inclusive, seu consumo após refeições pesadas é recomendado para reduzir os sintomas associados ao inchaço ou flatulências.

Suco de kiwi
Enzimas como as contidas no abacaxi e no kiwi podem favorecer a quebra das proteínas.

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Enzimas alimentares com poder anti-inflamatório

No caso do mamão, encontramos uma enzima, a papaína, que possui um notável poder anti-inflamatório. Além disso, essa fruta pode ser utilizada em diferentes preparações graças ao seu poder antimicrobiano.

Segundo um estudo publicado no Brazilian Dental Journal, esta enzima pode ser eficaz contra vários tipos de cáries, graças ao seu poder de modular a resposta imune e a inflamação.

Além disso, o consumo regular de mamão pode estar associado à prevenção da obesidade e de outros distúrbios metabólicos, de acordo com um artigo publicado na revista Nutrients.

Isso ocorre principalmente devido às suas propriedades antioxidantes, anti-hipertensivas e hipoglicêmicas. De qualquer forma, não se sabe ao certo se elas são provenientes da papaína ou de outros nutrientes que esta fruta apresenta.

Enzimas na indústria de suplementos

Atualmente, não há evidências de que a suplementação enzimática possa proporcionar benefícios à saúde. De qualquer forma, é comum que algumas preparações proteicas tenham essas substâncias em sua composição.

Aparentemente, isso visa reduzir o desconforto gástrico ou intestinal derivado da ingestão de grandes doses de proteína. Além disso, as enzimas podem ajudar a reduzir a flatulência, o que seria um grande benefício.

A indústria de suplementos esportivos está testando substâncias com diferentes estruturas químicas para melhorar os processos de absorção de nutrientes.

Os resultados obtidos em relação à digestibilidade da proteína do soro de leite foram suficientemente positivos para a inclusão de enzimas em produtos proteicos de alta qualidade.

Shakes de proteína
Alguns suplementos de proteína têm enzimas em sua composição. Elas têm como objetivo reduzir o desconforto digestivo.

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Ainda há muito a estudar sobre isso

As funções das enzimas alimentares podem ser muito mais amplas e variadas do que sabemos atualmente. Seus efeitos sobre os processos alérgicos ou mesmo sua relação com o aparecimento de doenças estão sendo estudados.

Vários modelos in vitro foram descritos , mas ainda não existem ensaios em humanos para mostrar esses resultados. Constituem, portanto, um campo de estudo nos próximos anos, que dependerá do aumento do conhecimento em fisiologia.

Nesse sentido, atualmente podemos recomendar certos alimentos para melhorar a digestão pesada, como o abacaxi e o kiwi.

Temos ciência de produtos que possuem certas capacidades anti-inflamatórias e antioxidantes, mas não se sabe ao certo, até o momento, se as enzimas têm algo a ver com isso, ou se essas propriedades são decorrentes da existência de flavonoides.

De qualquer forma, como conclusão, devemos ter em mente que as enzimas que mencionamos são encontradas em produtos do reino vegetal. Esse é mais um motivo para recomendar a ingestão desse tipo de produto em relação aos processados, tão comuns nas dietas atuais.

  • Martin H., Cordiner SB., McGhie TK., Kiwifruit actinidin digests salivary amylase but not gastric lipase. Food Funct, 2017. 8 (9): 3339-3345.
  • Weir I., Shu Q., Wei N., Wei C., Zhu Y., Efficacy of actinidin containing kiwifruit extract zyactinase on constipation: a randomised double blinded placebo controlled clinical trial. Asia Pac J Clin Nutr, 2018. 27 (3): 564-571.
  • Alves Bastos L., Lorencetti Silva F., Queiroz Thomé JP., Manfrin Arnez MF., et al., Effects of papain based gel used for caries removal on macrophages and dental pulp cells. Braz Dent J, 2019. 30 (5): 484-490.
  • Santana LF., Inada AC., Espirito Santo BLS., FIliú WFO., et al., Nutraceutical potential of carica papaya in metabolic syndrome. Nutrients, 2019.