Doença de Buerger: sintomas, causas e tratamentos

A doença de Buerger pode provocar dor nas extremidades, fenômeno de Raynaud e até mesmo levar à amputação. Explicaremos em que ela consiste a seguir.
Doença de Buerger: sintomas, causas e tratamentos
Leonardo Biolatto

Escrito e verificado por o médico Leonardo Biolatto.

Última atualização: 29 maio, 2022

A doença de Buerger é uma patologia rara que também é chamada de tromboangeíte obliterante. Ela consiste na inflamação de determinados vasos sanguíneos, como artérias e veias de médio e pequeno calibre.

Na grande maioria dos casos ela está associada ao tabagismo. Sua causa direta não é muito conhecida, mas verificou-se que a incidência é mais frequente em certas áreas geográficas, como países do Mediterrâneo ou do Sudeste Asiático.

O problema é que a doença de Buerger pode ter consequências muito graves. Uma delas é a necessidade de amputar um membro. Por esse motivo, neste artigo explicaremos tudo o que você precisa saber sobre essa patologia e como evitá-la.

O que é a doença de Buerger?

A doença de Buerger é uma patologia que afeta os vasos sanguíneos. Ela também é chamada de tromboangeíte obliterante, pois causa inflamação dos vasos sanguíneos, que ficam obstruídos devido à presença de trombos.

De acordo com um estudo publicado na Actas Dermo-Sifiliografías, a maioria dos afetados são homens jovens que fumam. Aparentemente a doença é produzida por um mecanismo autoimune que é desencadeado pela ação do tabaco.

Embora seja uma doença rara, verificou-se que a maioria dos casos ocorre em países mediterrânicos e asiáticos. O que acontece é que, quando os vasos sanguíneos são bloqueados, os tecidos deixam de receber sangue oxigenado.

Portanto, eles acabam sendo danificados e ocorre necrose. As partes mais afetadas geralmente são as mãos e os pés. No entanto, à medida em que a doença progride, pode se espalhar para os braços e pernas. A morte do tecido está associada a um risco muito alto de amputação.

Quais são os sintomas?

Os sintomas que aparecem na doença de Buerger derivam do comprometimento dos vasos sanguíneos. Quando veias e artérias de médio e pequeno calibre são danificadas, é comum que as primeiras manifestações apareçam nas extremidades.

Conforme explicado pelos especialistas da Clínica Mayo, um dos sintomas é a claudicação. Ela consiste em dores nos pés, mãos, braços ou pernas que aparecem quando essas extremidades são exercitadas por um tempo, e geralmente desaparece com o repouso. Por exemplo, é comum ocorrer nas panturrilhas ao caminhar.

A falta de irrigação sanguínea acaba causando danos à pele. Podem aparecer úlceras ou áreas necróticas. As unhas podem até atrofiar.

Outra manifestação típica é o fenômeno de Raynaud. Trata-se de uma situação na qual os dedos das mãos ou dos pés ficam pálidos devido à interrupção do fluxo sanguíneo após determinados gatilhos. Isso pode ocorrer devido ao frio ou estresse, e também por fumar.

Muitas pessoas sentem um formigamento ou dormência nas extremidades. As veias mais superficiais sofrem episódios de inflamação, que são chamadas de tromboflebite superficial.

Tabaco: a principal causa

Tabaco e doença de Buerger.
O tabaco está fortemente associado a esta patologia. Vários mecanismos explicam o resultado final.

A doença de Buerger, como explicamos ao longo do artigo, está associada ao consumo do tabaco. Ela pode ser produzida pelo fumo ou mastigação. No entanto, a causa exata é desconhecida. Aparentemente trata-se de uma reação do sistema imunológico contra o próprio tabaco.

Um estudo realizado pela Academia Espanhola de Dermatologia e Venerologia explica que, aparentemente, pode haver uma certa predisposição genética. Isso explicaria por que apenas uma pequena porcentagem de fumantes desenvolve a doença.

Além disso, como se verificou que a prevalência é mais elevada em determinados países (Ásia e Mediterrâneo), esta teoria também é suportada. A doença de Buerger é mais comum em pessoas com o haplótipo HLA-A9.

Fatores de risco

O fator de risco mais importante, portanto, é o tabaco que não precisa necessariamente ser fumado. Além disso, quanto maior a quantidade consumida, maior a probabilidade de sofrer esta patologia.

Da mesma forma, o sexo poderia influenciar, pois a doença é mais frequente em homens do que em mulheres. No entanto, isso pode ser porque, até há relativamente pouco tempo, os homens fumavam mais do que as mulheres. A maioria dos casos é detectada em jovens, com menos de 45 anos de idade.

Diagnóstico da doença de Buerger

De acordo com um estudo publicado na Medicina Integral, o diagnóstico da doença de Buerger é clínico. Quando os sintomas citados aparecem em um paciente jovem, fumante e sem outros fatores de risco, é fundamental começar a suspeitar.

Também é importante descartar outras doenças autoimunes, ou que haja uma causa específica de acidente vascular cerebral. No entanto, existem vários testes que podem ajudar a confirmar o diagnóstico. O exame de sangue é o mais básico. Com ele, algumas patologias podem ser descartadas, como a esclerodermia ou distúrbios da coagulação.

A angiografia é outro exame muito útil. Ela permite verificar o estado das veias e artérias com suspeita de comprometimento. O teste de Allen é um exame pelo qual o fluxo sanguíneo arterial da mão é observado.

Como ela é tratada?

Como a causa exata da doença de Buerger ainda não é conhecida, um tratamento ideal também não foi encontrado. A única coisa que se sabe com certeza é que é essencial parar de fumar.

Além disso, geralmente são administrados tratamentos anticoagulantes. Por exemplo, aspirina, heparina e acenocumarol. Estes dois últimos são indicados quando existe trombose venosa ou arterial.

Medicamentos antagonistas do cálcio também podem ser úteis. Alternativamente, alguns médicos recomendam a realização de uma simpatectomia. Trata-se de uma cirurgia que consiste na remoção de certos nervos do sistema nervoso simpático para evitar a vasoconstrição.

No entanto, quando o fluxo sanguíneo permanece interrompido por muito tempo e os tecidos são danificados, uma amputação é considerada. Ela pode ser feita em apenas um dedo ou toda a mão ou pé pode precisar ser removido.

Amputação por doença de Buerger.
A amputação é o resultado mais dramático desse distúrbio. Ela é indicada quando há necrose tecidual.

Possíveis complicações da doença de Buerger

Uma das complicações mais graves desta doença, como acabamos de ver na seção anterior, é a amputação de um membro. Isso geralmente é necessário quando os tecidos das mãos ou pés morrem, e ocorre uma gangrena.

Gangrena é quando o tecido morre devido à falta de suprimento de sangue ou por uma infecção bacteriana grave. Os sintomas geralmente incluem uma coloração preta ou azulada na pele, odor desagradável e perda de sensibilidade nessa área.

A amputação é necessária porque, se não for feita, a infecção pode se espalhar para o restante do corpo. Dependendo de qual parte foi amputada, a funcionalidade e a independência da pessoa serão prejudicadas.

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A doença de Buerger é quase sempre evitável

A verdade é que a causa exata desta doença ainda não é conhecida. No entanto, sabe-se que o principal desencadeante é o tabaco. Seja fumado ou mastigado, esse é o maior fator de risco.

Além disso, o tabaco é prejudicial em muitos outros aspectos da saúde. Ele está relacionado a muitos tipos de câncer, como o de pulmão ou boca. Por isso é essencial evitar o consumo ou parar de fumar o mais rápido possível.

É normal que, depois de anos de consumo de tabaco, seja difícil abandona-lo. No entanto, atualmente existem diversos métodos e formas que ajudam a dar esse passo. Por exemplo, medicamentos e terapias psicológicas. Tente pedir ajuda a um médico para isso.