Dispareunia: causas e tratamentos

Dispareunia é um termo que se refere à dor durante a relação sexual. Essa patologia pode responder a um desequilíbrio físico, mas também está associada a processos psicológicos.

Última atualização: 28 Janeiro, 2021

A dispareunia é uma patologia que engloba vários sintomas incômodos no que diz respeito ao ato sexual, tanto no homem quanto na mulher. Esse distúrbio pode manifestar desde uma leve irritação genital até uma dor profunda antes, durante ou após a relação sexual.

Vários estudos médicos indicam que esse quadro clínico é muito mais comum em mulheres, mas também pode ocorrer em homens, geralmente devido a infecções uretrais ou fimose. Se você quiser saber mais sobre os possíveis tratamentos e as causas da dispareunia, continue lendo.

Sobre a sua distribuição global

O ato sexual é um tabu em muitas sociedades e culturas. Portanto, é surpreendente saber que a dispareunia é muito mais comum do que você pode imaginar inicialmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e vários estudos epidemiológicos fornecem os seguintes dados sobre as relações sexuais dolorosas:

  • Em mulheres em idade reprodutiva, a dispareunia tem uma prevalência de 10 a 15%.
  • Na fase da pré-menopausa, esse quadro clínico torna-se mais comum, afetando até 30% das mulheres.
  • A idade média das pessoas que sofrem dessa patologia é de 36,5 anos.
  • Nos homens, a condição é muito menos estudada, mas a prevalência oscila entre 0,1 e 5%.

Como podemos ver, relações sexuais dolorosas são comuns na população geral, especialmente em mulheres. Não sentir prazer durante o sexo não é a norma e, portanto, colocar-se sob os cuidados de médicos e de outros profissionais diante da falta de prazer é totalmente legítimo e necessário.

O ato sexual pode ter seu prazer interrompido pela dispareunia.

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Principais causas da dispareunia

Como já dissemos, a dispareunia é a dor sentida nos órgãos genitais ou na estrutura pélvica associada às práticas sexuais, até 24 horas após o ato. Alguns dos sintomas mais comuns, coletados por organizações médicas, são os seguintes:

  • Dor durante a penetração inicial.
  • Dor em cada um dos movimentos de penetração ou após a entrada de um elemento externo na vagina, como um tampão.
  • Queimação e desconforto no ato sexual.
  • Forte desconforto latejante que pode permanecer por várias horas após a relação sexual.

A maioria dos sintomas está associada à experiência da mulher. Nos homens, como já dissemos, o problema é muito menos comum. Mesmo assim, quando ocorre, costuma ser isolado no momento da ejaculação.

Para abordar as causas da patologia, é necessário dividi-las em duas categorias: físicas e psicológicas. Nós as explicaremos abaixo.

Causas físicas

As causas físicas da dispareunia são múltiplas e variadas. Estudos clínicos indicam que esta patologia é muito comum após o parto, uma vez que a distensão da musculatura pélvica e as múltiplas forças às quais a vagina foi exposta promovem a sua sensibilidade.

Embora possa parecer surpreendente, em mães que amamentam também foi observado que a dispareunia está correlacionada com a diminuição dos níveis de estrogênio no sangue. Isso ocorre porque os desequilíbrios hormonais causam secura na vagina. Outras causas físicas de dispareunia em mulheres incluem o seguinte:

  • Vaginite infecciosa: a mais comum é a infecção causada pelo fungo Candida albicans. Ela provoca irritação e inflamação nas paredes vaginais, o que pode dificultar o sexo.
  • Lubrificação insuficiente: falta de corrimento vaginal devido a alterações hormonais, falta de desejo ou excitação e outras patologias associadas.
  • Anomalias congênitas: uma vagina não formada corretamente ou uma imperfuração do hímen podem ser fatores que dificultam a relação sexual.

Novamente, lembramos que a maioria das causas foi estudada em mulheres. Outra pesquisa afirma que a dispareunia masculina geralmente está associada a uma obstrução do ducto ejaculatório. Patologias como a prostatite crônica podem causar desconforto pélvico nos homens.

Causas psicológicas

Nem tudo está no corpo físico. Estudos já citados acima estimam que mais de 70% dos casos de dispareunia não apresentam nenhum tipo de patologia física.

Isso destaca o grande componente psicossexual do transtorno. Alguns dos parâmetros psicológicos que podem desempenhar um papel essencial são os seguintes:

  • Problemas de ansiedade e depressão: questões de autoestima ou falta de confiança com o parceiro podem favorecer o aparecimento do incômodo.
  • Estresse: o estresse contínuo causa tensão nos músculos pélvicos.
  • Abuso sexual: as revisões médicas destacam que, em algumas ocasiões, a dispareunia está correlacionada a um histórico de violência e abuso sexual no paciente.

A abordagem psicológica da dispareunia é um complemento necessário aos tratamentos médicos.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Existem tratamentos médicos para a dispareunia. Por exemplo, se a dor vem de uma infecção fúngica ou bacteriana, a aplicação de antifúngicos ou antibióticos é essencial. Em mulheres na pós-menopausa ou em lactação, o estrogênio tópico também pode ser prescrito para promover a lubrificação vaginal.

As causas são tão variadas que o tratamento deve ser adaptado a cada paciente. O que geralmente é comum a todos os que sofrem com isso é a necessidade de terapia de casal e educação sexual.

Como vimos, a dispareunia está ligada ao componente psicológico do paciente e, portanto, conforto, segurança e excitação prévia são essenciais para evitar a dor durante a atividade sexual.

Querer sentir prazer não é motivo para vergonha ou culpa. Portanto, conversar com seu parceiro é sempre o primeiro passo para melhorar.

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O que devemos lembrar sobre a dispareunia?

A dor sexual é muito comum, principalmente em mulheres, e pode ocorrer em 30% da população em certas idades. Portanto, a comunicação com o parceiro é vital: mudar de posição, usar lubrificantes e evitar o estresse são sempre boas opções para evitar a dispareunia.

Ainda assim, nem todos os casos correspondem aos mesmos problemas. A dispareunia pode ser um sinal de obstrução do canal ejaculatório em homens ou de infecções fúngicas em mulheres. Portanto, esta patologia requer um tratamento envolvendo uma abordagem médica e psicológica.

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