Boca de trincheira: origem, sintomas e tratamento

A boca de trincheira é uma doença bacteriana que se manifesta com inflamação, sangramento das gengivas e halitose aguda, entre outras coisas. Seu tratamento é simples.
Boca de trincheira: origem, sintomas e tratamento

Última atualização: 13 Maio, 2021

A boca de trincheira, também conhecida como gengivite ulcerativa necrosante aguda ou GUNA, é uma doença muito rara atualmente. O seu apelido característico vem do fato de afetar soldados de guerra, devido às condições e hábitos pouco saudáveis ​​que surgiam durante os conflitos.

Apresenta-se sob a forma de infecção aguda e dolorosa com hemorragia gengival, com necrose das papilas e ataque do estado geral da boca. Segundo estudos, atualmente está associada à AIDS, uma vez que a imunodeficiência adquirida costuma causar patologias orais em 90% desses pacientes.

Quais são as causas da boca de trincheira?

A boca de trincheira é uma forma dolorosa de inflamação das gengivas, conhecida como gengivite. As espécies bacterianas Bacillus fusiformis e Borrelia Vincentii estão associadas às lesões aqui apresentadas, embora não sejam as únicas.

Conforme indicam estudos científicos, 4 áreas são diferenciadas na região afetada:

  1. Bacteriana: composta por uma grande massa de bactérias com diferentes morfologias e características. A sua presença não é prejudicial. O que causa a patologia é a sua proliferação excessiva.
  2. Rica em neutrófilos: os neutrófilos são os leucócitos mais abundantes no sangue e um dos primeiros a atingir os focos infecciosos. Eles fazem parte do pus e aparecem, neste caso, sob a região bacteriana.
  3. Necrótica: é o local onde ocorre a morte celular. Aqui dominam as espiroquetas, um tipo de bactéria com forma alongada e helicoidal.
  4. Infiltração das espiroquetas: última camada, na qual se infiltram as espiroquetas e não se observam outros tipos de bactérias.

De acordo com a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, o crescimento excessivo de bactérias na boca de trincheira pode ser desencadeado pelos seguintes fatores: estresse, má higiene oral, tabagismo, desnutrição e um sistema imunológico fraco.

Gengiva sangrando
Essa patologia é a gengivite severa, ou seja, uma inflamação das gengivas com sangramento e comprometimento profundo dos tecidos moles da boca.

Quais são os sintomas da boca de trincheira?

O manual MSD indica que a infecção geralmente começa de repente, com dor e sangramento nas gengivas, além de salivação excessiva. Alguns dos sinais clínicos mais comuns são os seguintes:

  • Mau hálito, que se destaca pelo cheiro desagradável.
  • Úlceras semelhantes a crateras entre os dentes.
  • Febre.
  • Gosto desagradável na boca, perceptível pelo próprio paciente. Alguns o descrevem como um sabor metálico.
  • Filmes acinzentados nas gengivas, que ficam avermelhadas e sangrentas.

Devido a todos esses sintomas, o paciente terá dificuldade em realizar atividades comuns, como falar, comer e engolir. Com frequência, os gânglios linfáticos do pescoço também ficam inchados em resposta à infecção (linfadenopatia).

Possíveis complicações

Ao apresentar dificuldades para se alimentar e levar uma vida normal, algumas complicações comuns são que o paciente perca peso, fique desidratado e comece a perder os dentes. Se todos esses sinais clínicos forem ignorados, é possível que uma bactéria se infiltre no sangue, em um evento conhecido como bacteremia.

A disseminação da infecção pode ser devastadora. Afeta vários órgãos e, além disso, favorece o aparecimento de choque séptico, no qual o organismo reage de forma exagerada e ocorre queda da pressão arterial.

Como é diagnosticada?

Conforme indicado pelo portal científico Drugs, o exame físico é o primeiro passo para detectar a boca de trincheira. O profissional irá procurar úlceras, placas acinzentadas ao redor dos dentes e destruição do tecido gengival. A suspeita geralmente é rápida e o diagnóstico deixa pouco espaço para erros.

Se houver dúvidas, o profissional pode indicar exames de sangue e raios-X. Estes últimos são usados ​​para avaliar a quantidade de danos produzidos pela infecção, uma vez que a extensão das lesões pode ser claramente observada. Dependendo da gravidade do quadro clínico, há indicação de várias abordagens.

Quando procurar ajuda médica?

Na presença de qualquer tipo de inflamação nas gengivas, é necessário ir ao médico. Nem todas ocorrem por infecções, mas é preciso descartar patologias e não deixar o tempo passar.

Uma infecção oral pode tornar-se grave se não for tratada a tempo, uma vez que as bactérias têm a capacidade de passar para a corrente sanguínea.

Tratamentos disponíveis para boca de trincheira

De acordo com o portal de saúde Siegfried Rhein, os objetivos do tratamento são curar a infecção e aliviar o desconforto sintomático. Isso pode ser alcançado mediante o uso de antibióticos, embora os pilares fundamentais para a boca de trincheira sejam os seguintes:

  • Limpeza profissional: o dentista realiza uma limpeza lenta e exaustiva por vários dias consecutivos. A doença costuma responder muito bem à higiene bucal.
  • Enxaguantes bucais: o paciente, em casa, deve fazer enxágues periódicos com água salgada ou solução de água oxigenada.
  • Boa higiene oral: nos primeiros dias o paciente costuma ser orientado a não escovar os dentes, devido à fragilidade geral da boca ocasionada pelo distúrbio. Após o enxágue e limpeza, é necessário escovar a boca toda pelo resto da vida para evitar o seu reaparecimento.
Higiene bucal

Prevenção

A prevenção é clara e se baseia na boa alimentação, na higiene bucal correta e na ida ao dentista de vez em quando para fazer check-ups. Os pacientes também são aconselhados, em todos os casos, a começar a se exercitar e a parar de fumar.

Além de tudo isso, a boca de trincheira possui um importante componente psicológico, já que em muitos casos está relacionada ao estresse. Portanto, às vezes é necessário buscar ajuda além da área farmacológica para tratar de patologias como essa.

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A boca de trincheira quase desapareceu

A gengivite ulcerativa necrosante aguda é uma doença cada vez mais rara, à medida que os padrões de higiene pessoal aumentam cada vez mais. Para evitar o seu aparecimento, é necessário escovar os dentes todos os dias e ir ao dentista periodicamente para que ele avalie possíveis desequilíbrios.

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