Avitaminose: a carência de vitaminas

14 de setembro de 2019
A avitaminose é a falta ou deficiência na quantidade de vitaminas que o organismo requer para funcionar corretamente. Por quê acontece? Como afeta a saúde? Descubra!

A avitaminose é a falta completa de vitaminas em uma pessoa. No entanto, é raro que isso aconteça. Portanto, é possível falar de hipovitaminose, que é a carência parcial de uma das vitaminas no organismo.

As vitaminas são nutrientes necessários para o corpo. Por isso, se você mantém uma dieta variada que contenha todos os grupos de alimentos, é relativamente fácil conseguir cobrir as quantidades diárias recomendadas. 

Causas de avitaminose

Nosso corpo precisa de quantidades relativamente pequenas de vitaminas, se compararmos com a quantidade de proteínas ou carboidratos que precisamos consumir. No entanto, muitas pessoas não recebem a porção suficiente de vitaminas.

Dieta desequilibrada e com severas restrições

Avitaminose causa cansaço

As dietas restritivas que suprimem grupos de nutrientes importantes podem causar avitaminose.

Este tipo de dieta impede o fornecimento das recomendações mínimas de vitaminas. Além disso, pode ocorrer devido a circunstâncias externas aos alimentos, no caso de fome, estiagem, conflitos bélicos ou deslocamento de refugiados.

Ainda, origina-se devido a limitações autoimpostas: dietas muito rígidas sem controle profissional, eliminação de grupos de alimentos básicos para a saúde, hábitos dietéticos inadequados e mantidos no tempo, etc.

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Aumento nas necessidades nutricionais

Isso pode ocorrer, por exemplo, no período de lactação, uma rápida etapa de desenvolvimento ou uma temporada de atividade física intensa. Em suma, o que ocorre é que, apesar de comer de maneira mais ou menos similar, a deficiência ainda é gerada, já que são situações nas quais é necessário mais conteúdo vitamínico.

Aumento nas perdas de absorção das vitaminas

Isso pode se converter em um problema caso se mantenha com o tempo. Além disso, é frequente no caso de doenças que cursam com diarreias crônicas, como a doença celíaca, as doenças inflamatórias intestinais ou intolerâncias alimentares.

Fumar

Conforme indica um estudo publicado na revista médica American Journal of Public Health, este hábito normalmente destrói parte da vitamina C. Por isso, é recomendado aumentar o consumo desta vitamina no caso dos fumantes.

Alcoolismo

De acordo com uma publicação no International Journal for Vitamin and Nutrition Research, muitos pacientes com etilismo crônico apresentam má nutrição, seja porque reduzem a ingestão habitual de nutrientes essenciais ou porque o álcool impede a adequada digestão e absorção de vitaminas.

As vitaminas

As vitaminas iniciam e estimulam praticamente todas as atividades bioquímicas do organismo, necessárias para a vida e a saúde.

As 13 vitaminas essenciais são divididas em dois grupos. Um deles é o grupo das vitaminas solúveis em água ou hidrossolúveis, que devem ser obtidas diariamente, dado que são rapidamente excretadas. E o outro grupo são as vitaminas não solúveis em água ou lipossolúveis, que o corpo é capaz de armazenar durante algumas semanas ou meses.

Avitaminose das vitaminas hidrossolúveis

Alimentação com vitaminas

A avitaminose de vitamina C e outras vitaminas hidrossolúveis podem incidir no desenvolvimento de diferentes doenças que afetam a qualidade de vida.

  • Ácido ascórbico ou vitamina C: pode provocar alterações bucais, mudanças dermatológicas e do cabelo, assim como aumento de fraturas. O escorbuto é a síndrome que aparece pelo déficit desta vitamina.
  • Tiamina ou vitamina B1: suas manifestações são variadas e incluem transtornos neurológicos, cardiovasculares e psiquiátricos. O beribéri e a síndrome de Wernicke-Korsakoff são quadros clínicos que aparecem pela deficiência de tiamina.
  • Riboflavina ou vitamina B12: seu baixo fornecimento desencadeia alterações nas mucosas, especialmente boca e olhos. Além disso, surgem inflamação na língua, secura ocular ou lacrimejamento persistente.
  • Niacina ou vitamina B3: traz sintomas como alterações gastrintestinais, dermatológicas e demência. Ainda, pode aparecer uma doença chamada pelagra.
  • Ácido pantotênico ou vitamina B5: pode produzir alterações dermatológicas, digestivas e neurológicas.
  • Piridoxina ou vitamina B6: seu déficit pode provocar anemia, bem como problemas neurológicos e digestivos.
  • Ácido fólico ou vitamina B9: pode produzir anemia megaloblástica e é fundamental para a maturação do feto.
  • Biotina ou vitamina B8: podem aparecer crises convulsivas, alopecia, dermatite e retardo no desenvolvimento psicomotor.
  • Cobalamina ou vitamina B12: pode provocar anemia perniciosa, assim como problemas neurológicos ou sanguíneos.

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Avitaminose de vitaminas lipossolúveis

  • Vitamina A: tem um papel muito importante na visão, o que provoca cegueira noturna. Também danifica o sistema imune.
  • Vitamina D: é uma das carências mais frequentes. Importante para a saúde óssea e para reduzir o risco de fraturas.
  • Vitamina K: sua deficiência produz a doença hemorrágica do recém-nascido, assim como hemorragias em adultos.
  • Vitamina E: os principais sintomas são anemia hemolítica e déficits neurológicos.

Portanto, para suprir estas carências o mais importante é consumir uma dieta variada na qual estejam presentes todos os grupos de alimentos. E no caso de não puder cobrir as necessidades com a alimentação, pode-se optar pela suplementação de vitaminas, sempre e quando for recomendada por um profissional.

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