Afinal, qual é a postura correta?

22 de outubro de 2019
Muito foi dito sobre a postura correta. No entanto, quão verdadeiro é que certas posturas causam dor? Nesta oportunidade, queremos resolver esta questão.

A ideia da postura correta e seus supostos benefícios à saúde está profundamente enraizada na vida cotidiana. Acredita- se popularmente que, se não adotarmos uma “postura correta”, teremos dores de cabeça, costas, ombros e pescoço.

Mas sentar-se “mal” realmente causará dor? Para responder a isso, primeiramente é preciso saber o que é a postura como tal. Em seguida, detalhamos isso. Confira.

O que é a postura?

Ela é definida como a posição do seu corpo contra a gravidade. É um processo em que todos os nossos músculos (alguns mais que outros, dependendo da postura) trabalham de maneira coordenada para manter a estabilidade do corpo contra a gravidade.

Terapeuta corrigindo a postura

Tipos de postura

Ela é basicamente dividida em dois tipos:

1. Inativa

Teoricamente, não precisa de mais ativação muscular, já que a adotamos para descansar ou relaxar, como a postura que temos ao dormir.

2. Ativa

Requer a ação coordenada dos músculos. É dividida em dois tipos:

  • Estática: os segmentos do corpo são mantidos em posições relativamente fixas, como quando estamos, por exemplo, sentados, em pé, de joelhos.
  • Dinâmica: os segmentos do corpo se movem e devem responder a circunstâncias externas como, por exemplo, quando andamos, corremos, pulamos ou levantamos algo do chão.

Popularmente, quando nos referimos à “postura correta”, falamos sobre a postura estática ativa, onde a coluna é perpendicular ao chão.

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Relação entre a postura e a dor

O estereótipo da postura errada é se sentar com as costas curvadas e os ombros para a frente. Acredita-se que esteja incorreto porque se supõe ser a causa de dores nas costas, pescoço e ombros, entre outras coisas. No entanto, muitos estudos não encontraram relação entre essa postura e dor.

Um dos mais importantes foi um estudo de 1994 que avaliou 610 mulheres idosas com cifose (ou “corcova da viúva”). Os resultados não encontraram relação entre cifose e dor, mesmo em 10% daquelas com pior grau de cifose.

Outros estudos avaliaram pessoas sem dor nas costas para ver como se sentam e identificar diferenças entre elas e pessoas que sentem dor. A surpresa foi que as pessoas sem dor nas costas também se encurvam quando sentadas.

Homem sentado com má postura

E a postura em pé?

É altamente individualizado. A mesma pessoa pode ficar de pé de maneiras diferentes, independentemente da idade, sexo, altura e peso. Essa variabilidade dificulta a avaliação precisa da postura.

Até agora, as evidências científicas não encontraram relação entre a dor nas costas e a maneira de sentar, ficar em pé ou a forma das curvas da coluna. Se a postura fosse o problema, todas as pessoas que se curvassem sentadas ou em pé de certa maneira teriam dor.

Então, qual é a postura correta?

Eu sei que essa resposta é muito odiosa, mas depende. Mesmo os profissionais da saúde não concordaram com a postura correta. Portanto, até chegarmos a um acordo ou provarmos o contrário, a correta é aquela que responde às suas atividades diárias e não aumenta a dor, se houver.

Por exemplo, dançarinos profissionais ficam muito eretos porque a disciplina exige. Porém, se forçarmos essa postura correta para um dançarino em um trabalhador de escritório, esse provavelmente começará a sofrer de dores nas costas, pescoço ou ombro, porque ela não responde às suas necessidades diárias.

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Conclusão

A postura é importante, é claro. Mas não deve ser seu centro de atenção. Se você não tiver dores nas costas, sente-se ou fique em pé o mais confortável possível. Concentre-se em dormir bem, comer bem e se exercitar com frequência.

No entanto, se você tiver dores nas costas, certas posturas podem piorar. Se esse for o seu caso, antes de comprar uma cadeira nova, avalie o seguinte:

  • Você não está dormindo bem?
  • Você está comendo bem?
  • Como você está emocionalmente?
  • Você está sob muito estresse?
  • Você se exercita com frequência?

Qualquer um desses fatores pode aumentar sua sensibilidade à dor. Se precisar de ajuda, consulte o profissional de saúde de sua preferência.

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