Alerta! Vírus da Zika: dez coisas que você deve saber

25 Agosto, 2020
O vírus da Zika está se espalhando gradualmente em diferentes partes do mundo. Por isso, é fundamental, principalmente na gravidez, tomar algumas precauções.

O vírus da Zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, já afeta 15 países do continente americano. O mais preocupante é que, até hoje, não existe um tratamento específico que nos permita curar os efeitos dessa doença. Mas, através de uma prevenção adequada e com as informações corretas, poderemos nos proteger melhor contra esse vírus.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) , em geral, o vírus da Zika causa vermelhidão, dores pelo corpo e febre. Apenas pessoas com um sistema imunológico muito debilitado correm risco de morte. O problema atual está em um aspecto muito mais preocupante: o vírus causa malformação nos fetos, causando problemas graves, como a microcefalia. Neste artigo, lhe oferecemos todas as informações.

O que é o vírus da Zika

O vírus da Zika é muito parecido com o da dengue ou da febre amarela. Origina-se em uma região da Uganda chamada Zika, de onde veio o nome do vírus, descoberto inicialmente por afetar macacos. A descoberta do vírus ocorreu em 1947, mas em 2007 foram revelados os primeiros casos de contaminação de seres humanos.

Até então, os sintomas da doença não passavam de erupções na pele, dor nas articulações ou cansaço. Entretanto, se, em 2007, o vírus da Zika passou da África para a Micronésia; em 2015, a mudança foi mais preocupante: chegou ao continente americano, onde começou a provocar a microcefalia em recém-nascidos.

Leia também: 4 repelentes caseiros contra os mosquitos

Vírus da zica

O vírus da Zika atual é diferente

  • As pesquisas sobre o vírus da Zika estão sendo realizadas no Instituto Pasteur da Guiana, onde o patógeno que se estendeu pela América está sendo analisado.
  • Em geral, apesar de afetar milhões de pessoas a cada ano, este vírus só causa a morte nos seguintes casos: quando as pessoas apresentam outras doenças respiratórias, infecciosas, cardiopatias graves ou quando o sistema imunológico está bastante debilitado.
  • O que causou o alarme é que, como comentamos no início, o vírus da Zika atual causa microcefalia nos fetos.
  • Segundo o Centro Europeu de Prevenção de Doenças, o Brasil teve, no período de 2010 a 2014, entre 150 a 200 casos de microcefalia. O dado alarmante foi em 2015, com 3.893 casos.
  • No entanto, o atual vírus da Zika pertence ao genótipo asiático e não tem nada a ver com o que apareceu pela primeira vez em Zika, na África.

Ou seja, atualmente os cientistas já traçaram toda a árvore filogenética do vírus que assola o continente americano. Assim, esperamos que em breve surja uma vacina e um tratamento eficaz.

Como é transmitido o vírus da Zika?

A maior forma de transmissão é através da picada do mosquito Aedes aegypti. Mas para evitar a transmissão por completo, não basta aplicar repelentes ou evitar focos de água parada, em que o mosquito se reproduz. É preciso levar em conta que o vírus da Zika atual também pode ser transmitido das seguintes formas:

  •  Por via sexual (o vírus permanece no esperma durante um longo tempo).
  •  A infecção é transmitida de maneira perinatal, ou seja, da mãe para o feto, através do sangue. No entanto, não é transmitido através do leite materno.

Leia também: Por que algumas pessoas são mais atraentes para os mosquitos?

Sintomas da infecção pelo vírus da zika

Após a picada do mosquito, leva entre dois dias até uma semana para os primeiros sintomas aparecerem. Entretanto, é importante saber que apenas uma de cada quatro pessoas infectadas apresentarão os sintomas. Estes são os sinais da infecção:

  •  Ardor e erupções na pele.

Uma coisa importante que nos ajudará a diferenciar a ardência causada pela Zika de possíveis alergias é que a infecção vem acompanhada também de conjuntivite, intensa dor muscular e mal-estar.

Por outro lado, complicações neurológicas ou autoimunes não são comuns, mas têm aparecido casos desse tipo no Brasil, nos últimos meses.

Vírus da Zika e mulheres grávidas

Como você deve saber, a principal causa de alarme atualmente por causa do vírus da Zika é o preocupante número de bebês que têm nascido com microcefalia.

Assim, o maior risco se concentra nas mulheres que estejam grávidas, ou que desejam engravidar, e que, além disso, morem nos países que sofrem com a epidemia. Atualmente, são estes os países mais afetados:

  • México.
  • Guatemala.
  • El Salvador.
  • Honduras.
  • Haiti.
  • Porto Rico.
  • Ilha de São Martinho.
  • Guadalupe.
  • Martinica.
  • Barbados.
  • Panamá.
  • Equador.
  • Colômbia.
  • Venezuela.
  • Guiana Francesa.
  • Suriname.
  • Brasil.
  • Bolívia.
  • Paraguai.

O boletim epidemiológico brasileiro é o que mais apresenta casos. Por sua vez, conforme os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em 1º de fevereiro de 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública internacional devido à probabilidade de que os mosquitos que transmitem o vírus tenham se espalhado para mais países.

Estou grávida, o que posso fazer?

A recomendação é bem clara: mulheres grávidas não devem viajar para os países citados anteriormente. Mas, o que acontece com todas as mulheres grávidas que moram nos países afetados?

Os médicos indicam que devem tomar as seguintes precauções:

  • Usar roupas adequadas para evitar as picadas do mosquito (preferencialmente cores claras).
  • Usar repelentes de insetos e instalar mosquiteiros nas janelas.
  • Evitar ter em casa locais em que haja água parada, pois podem se tornar focos de reprodução do mosquito.

Por outro lado, toda mulher grávida, ou que queira engravidar, deve recorrer aos centros médicos para ser atendida, para receber informações e ser acompanhada a todo momento.

Vírus da zica

Por que o vírus da Zika causa malformações nos fetos?

Como falamos anteriormente, o Brasil é o país que mais apresenta casos de microcefalia. As autoridades brasileiras estão pesquisando para entender as causas e definir um possível tratamento.

  • O risco de microcefalia e má-formação nos fetos está associado à presença de uma infecção causada pelo vírus da Zika durante o primeiro trimestre da gravidez.
  • A microcefalia é uma má-formação rara que pode ter causas genéticas ou ambientais (agentes tóxicos ou infecciosos).
  • As crianças afetadas apresentam uma circunferência craniana muito menor que o normal, o que dificulta o seu desenvolvimento. Podem apresentar convulsões, dificuldades de alimentação e até risco de morte alguns dias após o nascimento.

Leia também: Como usar a vitamina B1 como repelente de mosquitos

Estou grávida, como posso saber se meu bebê tem microcefalia?

A microcefalia é diagnosticada antes do nascimento através de uma ultrassonografia pré-natal. Mas é preciso esperar até o final do terceiro trimestre, para saber se está tudo bem com o bebê. Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito no momento do nascimento.

A microcefalia apresenta diferentes níveis de severidade e, em alguns casos, há a possibilidade de um retardo mental. Por isso, a criança afetada precisa de acompanhamento médico para se desenvolver de forma mais plena possível.

A mulher grávida deve procurar o médico e seguir os seus conselhos e recomendações durante esse período.

Atualmente, os cientistas conhecem mais sobre o vírus, qual a sua origem e como atua; por isso, esperamos que a vacina surja em breve. Com informações, prudência e com o apoio de profissionais, conseguiremos superar o vírus da Zika.

  • Vasudevan, J., Skandhan, A., Skandhan, A. K. P., Balakrishnan, S., & Skandhand, K. P. (2018). Zika virus. Reviews in Medical Microbiology. https://doi.org/10.1097/MRM.0000000000000126
  • Mlakar, J., Korva, M., Tul, N., Popovic, M., Poljsak-Prijatelj, M., Mraz, J., … Zupanc, T. A. (2016). Zika Virus Associated with Microcephaly. New England Journal of Medicine. https://doi.org/10.1056/NEJMsr1604338
  • Calvet, G., Aguiar, R. S., Melo, A. S. O., Sampaio, S. A., de Filippis, I., Fabri, A., … de Filippis, A. M. B. (2016). Detection and sequencing of Zika virus from amniotic fluid of fetuses with microcephaly in Brazil: a case study. The Lancet Infectious Diseases. https://doi.org/10.1016/S1473-3099(16)00095-5
  • Pessoa, A., Pone, M. V. S., Feitosa, I. M. L., Neto, J. M. de P., Cavalcanti, D. P., Wanderley, H. Y. C., … El-Husny, A. S. (2016). Possible Association Between Zika Virus Infection and Microcephaly — Brazil, 2015. MMWR. Morbidity and Mortality Weekly Report. https://doi.org/10.15585/mmwr.mm6503e2er
  • Oficina Regional para las Américas de la Organización Mundial de la Salud. https://www.paho.org/hq/index.php?option=com_topics&view=article&id=427&Itemid=41484&lang=es
  • Zika (2019, 16 de septiembre). Instituto Pasteur de Guayana. Recuperado de https://www.pasteur.fr/en/medical-center/disease-sheets/zika
  • Tambo, E. (2017). Microcefalia vinculada al virus del Zika y otras anomalías neurológicas Epidemia en la medicina neonatal-perinatal: perspectiva. Enfermedades infecciosas pediátricas: acceso abierto , 02 (01). doi: 10.21767 / 2573-0282.100037.
  • Mccarthy, M. (2016). Los CDC actualizan la guía del virus del Zika para proteger a las mujeres embarazadas. Bmj , i786. doi: 10.1136 / bmj.i786
  • Pacheco-Romero, José ZIKA VIRUS: UN NUEVO DESAFÍO PARA OBSTETRICOS Y GINECÓLOGOS. Revista Peruana de Ginecología y Obstetricia [en línea]. 2016, 62 (2), 219-242 [fecha de consulta 6 de abril de 2020]. ISSN: 2304-5124. Disponible en: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=323446799010