O umbigo é uma grande fonte de bactérias

· 10 de dezembro de 2013
As microbactérias de nosso umbigo poderiam ser consideradas um mecanismo de defesa contra os patógenos.

Uma pesquisa a fundo sobre o que vive no interior do umbigo humano descobriu centenas de organismos nele. O umbigo é uma grande fonte de bactérias; é um habitat de pelo menos 60 espécies de fungos, bactérias e leveduras, segundo novos estudos.

Embora nessa pesquisa tenham encontrado em média umas 60 ou 70 espécies em uma pessoa, ao total foram descobertas mais de 1.400 espécies, de tal maneira que as diferenças entre os indivíduos são grandes, segundo o professor Rob Dunn, da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Dunn e seus colegas coletaram até agora as bactérias da pele do umbigo de 391 indivíduos. No estudo, foram incluídos homens e mulheres de diferentes idades, origens étnicas e inclusive de diferentes hábitos de higiene.

Os pesquisadores não focaram somente no conteúdo de bactérias das amostras, mas também descobriram fungos e algumas leveduras interessantes.

Os cientistas confirmaram a viabilidade destes organismos mediante o cultivo e agora estão em processo de sequenciação do DNA de cada espécie. Os resultados preliminares indicam que o número de organismos por pessoa varia bastante.

Até o momento, não era conhecida nenhuma explicação clara do porque as pessoas diferiam tanto em termo de suas comunidades bacterianas. As diferenças que resultaram desta pesquisa não coincidem com o gênero, etnia, idade e, inclusive, com a frequência de banho. Trata-se de algo mais.

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Os pesquisadores, no entanto, chegaram a conclusão de que um grupo de relativamente poucas espécies bacterianas são compartilhadas entre a maioria de nós, com centenas de outras espécies raras que uma ou outra pessoa apresenta.

Segundo Dunn, pode ser que a maioria das pessoas compartilhem espécies comuns, mas as espécies raras que encontramos são uma medida de nossas histórias individuais e são imprevisíveis.

As bactérias no umbigo são uma defesa

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Os pesquisadores escolheram pesquisar o umbigo, em parte, devido ao fato de que ele tende a hospedar tantos organismos que, na maior parte do tempo, não foram alterados por limpadores, loções, luz ultravioleta e outras coisas.

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Enquanto que muitas pessoas possam estar agora mais conscientes da higiene do umbigo, Dunn diz que tais organismos que também são encontrados em nossos antebraços, mãos e realmente em toda a superfície do corpo, têm uma função importante.

Trata-se de uma espécie de primeira linha de defesa contra os patógenos que se hospedam em nós, uma espécie de exército que vive em nossa pele que quando se encontra com um patógeno recém-chegado tem como primeira resposta lutar contra ele.

Um ser humano que tenha eliminado com êxito todos os micróbios de seu corpo poderia estar com um alto risco de padecer de uma infecção mortal de pele.

Mudam nosso comportamento

Em uma pesquisa, a professora Elizabeth Archie, da Universidade de Notre Dame, e seu colega Kevin Theis, analisaram as comunidades microbianas em seres humanos e outros animais. Indicaram que a bactéria pode inclusive mudar o comportamento de seus portadores.

Os esteroides e outros produtos químicos naturais que se encontram debaixo das axilas são um exemplo. Estes compostos são os principais produtos do metabolismo bacteriano e podem dar lugar a todo tipo de odores que afetam a maneira que interagimos com os demais.

Por exemplo, algumas Corynebacterium metabolizam a testosterona para produzir um almíscar, um odor parecido com a urina, enquanto que outros metabolizam sebo e suor para produzir um odor como a cebola.

De acordo com estes pesquisadores, há ampla evidência de que as bactérias produzem um odor forte e que os odores das axilas servem como sinais de reconhecimento entre os seres humanos.

Estes sinais, por sua vez, parecem ajudar a distinguir os indivíduos. As mães, por exemplo, não têm problemas para reconhecer seus filhos ao cheirar sua axila.

Mesmo com tais laços familiares, nossas relações mais íntimas são, todavia, misteriosos organismos minúsculos.

  • Hulcr, J., Latimer, A. M., Henley, J. B., Rountree, N. R., Fierer, N., Lucky, A., … Dunn, R. R. (2012). A Jungle in There: Bacteria in Belly Buttons are Highly Diverse, but Predictable. PLoS ONE. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0047712