Tratamento de tumores neuroendócrinos de pâncreas

22 de agosto de 2019
O diagnóstico dos tumores neuroendócrinos de pâncreas requer um exame clínico, exames endócrinos, diagnóstico por imagem e um exame histopatológico do tumor.

Os tumores neuroendócrinos de pâncreas são um conjunto de tipos de tumores endócrinos que se originam nas células das ilhotas pancreáticas. Em geral, são pouco agressivos, embora possam ser potencialmente malignos.

Tipos de tumores neuroendócrinos de pâncreas

A primeira coisa a saber é que os tumores produzidos nas ilhotas podem ser de dois tipos: funcionais ou não funcionais.

Tumores funcionais

Localização do câncer de pâncreas
.

Quando os tumores são funcionais, há uma hipersecreção hormonal. Esse tipo de tumor compreende os seguintes:

  • Gastrinoma: é um tumor que provoca a secreção de gastrina. É o responsável pela hipergastrinemia da síndrome de Zollinger-Ellison.
  • Insulinoma: é um dos tumores neuroendócrinos de pâncreas mais frequentes. É uma patologia na qual se produz insulina em excesso. No entanto, costuma ser benigno.
  • Glucagonoma: é um tumor maligno. Ocorre um aumento do glucagon secretado pelas células alfa nas ilhotas.
  • Somatostatinoma: trata-se de um tumor extremamente raro e geralmente maligno. É um tumor hipersecretor de somatostatina.
  • VIPoma: esse tipo de tumor é de baixa incidência e é hipersecretor de um polipeptídeo intestinal.
  • ACTHoma: o ACTH é o hormônio adrenocorticotrófico. Quando há hipersecreção desse hormônio nas ilhotas, têm origem tumores de crescimento rápido.

Tumores não funcionais

Os tumores não funcionais quase não causam secreção hormonal. Representam entre 35 e 50% dos tumores neuroendócrinos de pâncreas. Em geral, são diagnosticados entre os 50 e 60 anos de vida.

Por exemplo, aproximadamente a metade desses tumores estão localizados na cabeça e no pescoço do pâncreas. Entre os tumores não funcionais, o mais frequente é o PPoma. Esses tumores são de crescimento lento. São detectados quando atingem grandes dimensões e há metástase. Em geral, os pacientes relatam sintomas como:

Diagnóstico de tumores neuroendócrinos

O diagnóstico dos tumores neuroendócrinos de pâncreas requer um exame clínico, exames endócrinos, diagnóstico por imagem e um exame histopatológico do tumor.

Outras técnicas como a ultrassonografia endoscópica e a cintilografia de receptores de somatostatina permitem ver metástases hepáticas, de gânglios linfáticos e ossos.  Também é utilizada a imuno-histoquímica para descobrir o grau de tumor.

Leia também: Dor nos ossos: causas, sintomas e tratamento

Tratamento de tumores neuroendócrinos

O tratamento dos tumores neuroendócrinos de pâncreas depende, em grande medida, de existir ou não a possibilidade de extração completa.  No entanto, há outros fatores a se levar em consideração na hora de optar por determinado tratamento, como, por exemplo, o estado geral de saúde.

Às vezes pode ser difícil determinar se o tumor pode ou não ser completamente extraído. Por esse motivo, fazer uma laparoscopia prévia à cirurgia ajudará a confirmar se é possível extirpar o tumor.

Os tumores neuroendócrinos de pâncreas têm mais chances de serem ressecáveis ou extraídos por completo que os tumores exócrinos. Entretanto, estes últimos são os cânceres de pâncreas mais comuns.

Tratamento de tumores ressecáveis

Tumor localizado no pâncreas

A maioria dos tumores neuroendócrinos pancreáticos que não se propagaram a partes distantes do corpo são ressecáveis. Inclusive, alguns tumores neuroendócrinos pancreáticos que se propagaram podem ser ressecáveis caso não tenham se espalhado demais.

A cirurgia que será realizada dependerá do tipo de tumor, do tamanho e da localização no pâncreas. A cirurgia pode ser simples, extraindo-se apenas o tumor, ou pode ser complexa, como a cirurgia de Whipple (pancreatoduodenectomia).

Frequentemente os gânglios linfáticos também são extirpados. No entanto, depois da cirurgia, é importante acompanhar a recuperação. É conveniente prestar atenção a qualquer sinal que indique uma recaída ou que o câncer está se espalhando.

Confira ademais: 6 infusões que ajudam a limpar o sistema linfático

Tratamento de tumores neuroendócrinos não ressecáveis

Em primeiro lugar, você deve saber que esses tumores não podem ser extraídos por completo com uma cirurgia. Normalmente, são tumores de crescimento lento. Também, o que se faz em alguns casos é controlar seu desenvolvimento e prescrever medicamentos para frear seu crescimento.

Agora, em pacientes com tumores não ressecáveis se considera a quimioterapia como primeiro tratamento.  Por outro lado, quando os tumores já se espalharam fora do pâncreas, os pacientes apresentam sintomas como diarreia e problemas hormonais.

Finalmente, o prognóstico dos tumores neuroendócrinos é variável. Por exemplo, o menos favorável é o que se associa com tumores de grau mais elevado e com a presença de metástase no fígado e nos gânglios linfáticos Por outro lado, o índice de sobrevivência aos 5 anos nos tumores funcionais ressecáveis é superior a 97%. No entanto, é de 30% nos tumores não funcionais.

  • Vaquero, Eva C.; Castells, A. (2013). Tumores malignos del páncreas. Servicio de Gastroenterología. Hospital Clínic. Barcelona.

  • Burgos S J, L., & Burgos De C, M. E. (2004). Tumores neuroendocrinos del páncreas. Revista Medica de Chile.

  • Iglesias-García, J., & Enrique Domínguez-Muñoz, J. (2012). Últimos avances en tumores de páncreas. Gastroenterologia y Hepatologia. https://doi.org/10.1016/S0210-5705(12)70040-7