Sarampo e rubéola são a mesma coisa?

Os sintomas do sarampo e da rubéola são semelhantes, e por essa razão muitas pessoas se perguntam se elas são a mesma doença. No artigo de hoje explicaremos a diferença entre ambas.
Sarampo e rubéola são a mesma coisa?

Última atualização: 21 maio, 2022

As crianças são mais suscetíveis a doenças virais do que os adultos. Muitas dessas patologias apresentam sintomas semelhantes, e por essa razão alguns pais se perguntam se sarampo e rubéola são a mesma coisa.

Antes de explicar as diferenças entre ambas, é importante destacar que os sintomas das infecções virais se apresentam da mesma forma. Nesse sentido, as crianças apresentam febre e erupções cutâneas generalizadas. No entanto, as duas doenças podem afetar vários sistemas e causar complicações.

O que é sarampo?

O sarampo é uma doença viral contagiosa que afeta o trato respiratório do paciente. Apesar da existência de uma vacina, o vírus apresenta uma alta morbidade. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, em 2017 ela causou a morte de 110 mil pessoas.

Essa patologia pode afetar qualquer pessoa que não esteja imunizada, ou seja, que não tenha sido vacinada ou que não tenha manifestado a doença antes. No entanto, a população de maior risco são mulheres grávidas e crianças pequenas.

Criança com sarampo.
A erupção cutânea é semelhante na rubéola e no sarampo, por isso pode haver confusão.

Sintomas do sarampo

Os sintomas iniciais não são específicos para esta doença. A primeira manifestação costuma ser uma febre contínua entre 39 e 40°C, sem predomínio horário, que aparecerá de 10 a 14 dias após a infecção. Além disso, o paciente também pode apresentar os seguintes sintomas:

  • Nariz escorrendo ou rinorreia.
  • Tosse.
  • Olhos vermelhos e lacrimejantes.
  • Pequenas manchas brancas no lado interno das bochechas, chamadas manchas de Koplik.

De 2 e 3 dias após a manifestação dos sintomas iniciais, aparece uma erupção cutânea de manchas vermelhas em forma de pontos. Elas começam no rosto e na parte superior do pescoço, e depois se espalham para o restante do corpo.

A febre geralmente desaparece após 4 a 7 dias. Depois disso, a erupção desaparece rapidamente, mas a pele permanece escamosa e com uma coloração acobreada. No entanto, a parte mais perigosa da doença são as complicações, entre as quais podemos citar as seguintes:

  • Cegueira.
  • Encefalite e edema cerebral.
  • Diarreia grave.
  • Infecções de ouvido.
  • Infecções respiratórias graves.

Causas

O sarampo é causado por um vírus do gênero Morbillivirus, que pode ser transmitido pelo contato direto com uma pessoa doente ou suas secreções. Além disso, ele também é transmissível pelo ar, através da tosse ou espirro.

Por outro lado, esse microrganismo é capaz de sobreviver até 2 horas em uma superfície. Qualquer indivíduo que tenha a doença pode espalhá-la de 4 dias antes da erupção até 4 dias após o seu desaparecimento.

Existe tratamento?

Atualmente não existe um tratamento específico contra o sarampo, por isso o objetivo é reduzir o impacto dos sintomas. Em outras palavras, uma boa nutrição e reposição de líquidos adequada devem ser garantidas para evitar complicações.

Em crianças pequenas, a suplementação de vitamina A demonstrou diminuir a morbimortalidade associada à infecção. Além disso, antibióticos devem ser usados em pacientes que apresentem uma superinfecção bacteriana como pneumonia ou infecções de ouvido.

O que é rubéola?

Outra infecção viral comum em crianças é a rubéola, que pode ser facilmente confundida com o sarampo. No entanto, esta doença é muito menos perigosa, pois não traz tantas complicações.

A rubéola é causada por um vírus que se multiplica no trato respiratório, por isso é transmitida pelo ar. A população em risco é composta em grande parte por crianças pequenas, adultos jovens e mulheres grávidas não vacinadas.

Sintomas da rubéola

Esta doença tem um período de incubação entre 14 e 21 dias. Passado esse tempo, o paciente costuma apresentar uma febre contínua abaixo de 39°C, sem predominância horária. Além disso, também causa outros sintomas leves, como mal-estar geral, náuseas, olhos vermelhos e lacrimejantes.

Dentro de alguns dias, ocorre um inchaço doloroso nos gânglios linfáticos atrás das orelhas. Esta é uma das apresentações clínicas características da doença.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 50 e 80% dos pacientes apresentarão uma erupção semelhante à do sarampo. Ela é composta por manchas avermelhadas que começam no rosto e pescoço, e depois se espalham para o restante do corpo.

A erupção também pode afetar o palato do paciente, manifestando-se como pigmentações vermelhas em forma de pontos chamadas de manchas de Forchheimer. Os sintomas da doença geralmente desaparecem em pouco tempo e não deixam sequelas. A febre desaparece entre 2 a 3 dias após o aparecimento da erupção cutânea.

Causas e agente viral

A rubéola é causada por um vírus RNA pertencente à família Matonaviridae. Ele se aloja e se reproduz no trato respiratório superior da pessoa afetada. Portanto, a doença pode ser transmitida através de gotículas microscópicas no ar ao falar, tossir ou espirrar.

Dessa forma, o simples contato com uma pessoa infectada traz um grande risco de contágio se a outra não estiver imunizada. No entanto, os humanos são os únicos hospedeiros conhecidos, portanto, estar em contato com animais não é um problema.

A rubéola pode ser tratada?

Atualmente não existe um tratamento específico para a rubéola. O protocolo terapêutico consistirá em abordar os sintomas. Dessa forma, busca-se reduzir a febre e evitar a desidratação do paciente com uma reposição de líquidos adequada.

Imunização para doenças exantemáticas.
A imunização contra doenças exantemáticas é uma via de prevenção adequada e eficiente.

Também pode te interessar: Como tratar a rubéola naturalmente

Diferenças entre sarampo e rubéola

Depois de conhecer as duas doenças de forma separada, podemos dizer com segurança que sarampo e rubéola não são a mesma coisa. Esta última costuma ser menos grave e fatal que a primeira, gerando assim um menor índice de complicações.

Outra das grandes diferenças entre as duas infecções está nos sintomas. Nesse sentido, o sarampo provoca febre alta, que pode ultrapassar 40°C, enquanto a febre da rubéola raramente chega a 39°C.

Uma das características clínicas mais óbvias da rubéola é o inchaço doloroso dos linfonodos retroauriculares. Por sua vez, o sarampo não apresenta esse sintoma, mas as secreções nasais e a tosse são evidentes em todos os pacientes.

Por fim, o tempo de incubação das infecções também é diferente, sendo o do sarampo muito mais curto. No entanto, os sintomas demoram mais para desaparecer do que os da rubéola e o tempo em que o paciente é contagioso será maior.

Prevenção das doenças

Embora o sarampo e a rubéola não sejam a mesma coisa, ambas têm a mesma medida de prevenção. Nesse sentido, a OMS possui um calendário mundial de vacinação que tem dado bons resultados. Assim, as mortes por essas doenças foram bastante reduzidas.

É muito importante vacinar as crianças da casa; isso irá mantê-las protegidas contra várias infecções virais. Além disso, estudos científicos demonstraram que as vacinas não afetam o desenvolvimento cognitivo das crianças, o que é um um mito contraproducente para a sociedade.

Pode interessar a você...
Descubra a importância de ter a vacinação em dia
Melhor Com Saúde
Leia em Melhor Com Saúde
Descubra a importância de ter a vacinação em dia

Com os esquemas de vacinação, não pode haver desculpas para a população ser protegida, tanto individual como coletivamente. Tenha a vacinação em di...



  • Delpiano L, Astroza L, Toro J. Sarampión: la enfermedad, epidemiología, historia y los programas de vacunación en Chile. Revista Chilena de Infectología. 2015;32(4):417-429.
  • Gutiérrrez, Hinostroza, and Abril Imelda. “Infección por el virus rubéola en mujeres embarazadas causante del síndrome de rubéola congénita.” (2017).
  • Luna Sánchez A, Rodríguez Benjumeda L, Ortega Sánchez P. Análisis de un brote de sarampión en una barriada de la provincia de Sevilla, España. Revista Española de Salud Pública. 2013;87(3):257-266.
  • Hernández Merino A. Eliminación del sarampión: ¿estamos cerca o lejos del objetivo?, ¿hay que revisar la pauta vacunal actual? Evidencias en Pediatría. 2020;16:14.
  • Masa Calles J, López Perea N, Torres de Mier M. Vigilancia epidemiológica en España del sarampión, la rubéola y el síndrome de rubéola congénita. Revista Española de Salud Pública. 2015;89(4):365-379.
  • Teglia O. Sarampión y rubeola: dos enfermedades que resisten a su ocaso. Revista Médica de Rosario. 2019;85(2):50-52.
  • Grangeot-Keros L, Bouthry E, Vauloup-Fellous C. Rubéola. EMC – Pediatría. 2016;51(2):1-10.
  • Halabe Bucay, Alberto. “Manchas de Koplik:¿ Simplemente un signo patognomónico?.” Revista de la Facultad de Medicina 51.004 (2008).
  • Gil Elguera, Ysabel Cristina. Causas de baja visión y ceguera infantil. BS thesis. Universitat Politècnica de Catalunya, 2018.
  • de Viarce Torres, María, Noemí López Perea, and Josefa Masa Calles CNE CIBERESP ISCIII. “Epidemiología del Sarampión, Rubeola y Síndrome de Rubeola Congénita en España. Plan Nacional de Eliminación del Sarampión y de la Rubeola. Año 2015.”