Predadores emocionais, como identificá-los?

· 11 de dezembro de 2013
O depredador emocional se sente inferior, ainda que não dê esta impressão, já que costuma se mostrar arrogante. Ele pode aparecer em muitas situações, desde relações de casal até grupos de amigos.

Um olhar, uma palavra ou uma simples insinuação é suficiente para iniciar um processo de destruição do outro. É assim que agem os predadores emocionais.

Seus atos  são tão cotidianos que às vezes parecem normais. As vítimas guardam tudo para elas mesmas e sofrem em silêncio. Através de um processo de assédio moral ou abuso psicológico, um indivíduo pode chegar a esmagar o outro.

Vítimas de predadores emocionais

Assim como na natureza existem predadores que capturam e aniquilam os outros animais para a alimentação, em seres humanos pode-se observar um fenômeno semelhante, conhecido como Assédio Moral representado por predadores emocionais e suas vítimas.

Bullying ou abuso psicológico é um fenômeno que ocorre em todos os tipos de ambientes, entre um casal, no trabalho, na família ou grupo de amigos.

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Características do predador emocional

O predador emocional pode ser identificado em pessoas de todas as idades, posições sociais, culturais e gênero. Indivíduos aparentemente normais que quase nunca são líderes. Eles tendem a ser mesquinhos, egocêntricos e narcisistas.

Seu objetivo é  derrubar de forma moral, pessoal, psicológica e sociológica suas vítimas, conseguindo fazer com que elas destruam suas próprias vidas.

Eles são indivíduos que se sentem profundamente inferiores, mesmo sem transmitir essa impressão, porque são arrogantes e pomposos. Eles são sacos de remorso e raiva mascarados, e geralmente de forte ideologia.

Sentem a necessidade de serem admirados, desejados, com ânsias desordenadas de êxito e poder. Mostram uma desconexão com suas próprias emoções, despreciando profundamente suas vítimas.

Quando são crianças tendem a ser o típico tira a pedra e esconde a mão, aqueles que causam brigas, mas não estão envolvidos nelas. Sentem falta dos holofotes. Na adolescência, eles são frios e distantes, com pouco sucesso social, cercados por um ou dois amigos que são manipulados. E na fase adulta são distinguidos por serem arrogantes, manifestando-se como donos da verdade, da razão e da justiça.

À primeira vista parecem indivíduos controlados, sociáveis ​​e aceitáveis​​, mas por trás dessa máscara escondem uma série de intenções e procedimentos inconscientes e mais complicados.

Vítima dos predadores emocionais

Quem são as vítimas dos predadores emocionais?

As vítimas são caracterizadas por sua gentileza, honestidade, generosidade e otimismo. São pessoas que têm características que o predador humano inveja e anseia, simplesmente por não possuí-las.

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Assim, essas vítimas acabarão por se tornarem bodes expiatórios responsáveis por todos os males. Um predador emocional procura essas pessoas para absorver a sua energia e vitalidade. Ou seja, querem absorver aquilo de que sentem inveja.

A vítima é suspeita aos olhos dos outros, e o processo de assédio moral ocorre de uma maneira que faz com que ela seja vista como culpada, já que as pessoas imaginam ou pensam que ela consente ou ajuda, conscientemente ou não, com as causas das agressões que sofre.

A escolha das vítimas

Muitas vezes ouvimos dizer que se uma pessoa é uma vítima, é por sua fraqueza ou medo, mas pelo contrário, podemos ver que são escolhidas por terem algo mais, algo que o atacante quer levar.

As vítimas podem parecer ingênuas e crédulas, já que geralmente não imaginam que o outro seja um destrutor, e tentam encontrar explicações lógicas para as atitudes de pessoas predadoras.

Começam a justificar, a tentar ser transparentes. Entender ou perdoar porque amam ou admiram, assim mesmo sentem que têm que ajudar, porque são as únicas que entendem o outro em tudo. As vítimas sentem que têm uma missão.

Enquanto o predador emocional se agarra à sua própria rigidez, as vítimas tentam se adaptar, tentando entender o que quer conscientemente ou não o seu perseguidor e nunca param para entender a sua própria parcela de culpa.

Imagem cortesia de Leonardo D’Amico

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