O que é a fertilização in vitro?

25 de janeiro de 2020
Meio milhão de crianças nascem a cada ano no mundo graças à fertilização in vitro, mas você sabe o que é, como é feita e seus possíveis riscos?

A fertilização in vitro consiste na fecundação de um óvulo com um espermatozoide fora do útero da mãe. Esse processo, realizado em um laboratório, permite a gravidez nos casais com problemas de fertilidade.

Louise Brown, filha de Leslie e John Brown, foi a primeira pessoa nascida graças a fecundação in vitro (FIV). Isso ocorreu no dia 25 de julho de 1978, no Hospital Geral de Oldham, em Manchester, na Inglaterra.

Desde então, mais de 8 milhões de bebês nasceram em todo o mundo produto desta técnica, conforme dados compilados pela Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia apresentados em 2018.

Além disso, o nome de fertilização in vitro tem sua origem nos primeiros testes realizados nos anos 70, quando a fertilização do ovócito era realizada em tubos de ensaio de laboratório. Por isso, as primeiras crianças concebidas graças a FIV eram chamadas de “bebês de proveta”.

Quando é usada a fertilização in vitro?

Casal perguntando sobre fertilização

A fecundação in vitro é considerada quando outros métodos menos invasivos tenham fracassado.

A FIV é utilizada geralmente quando outros métodos de fertilização menos invasivos, como tratamentos hormonais ou a inseminação artificial intrauterina não funcionam. Ademais, pode-se realizar com os óvulos e o sêmen do casal, ou mesmo de doadores, caso algum dos dois tenham problemas.

Os casos de infertilidade mais comuns que podem ser corrigidos com a fecundação in vitro são os seguintes:

  • Dano nas trompas de Falópio: Isso dificulta a fecundação do óvulo e, ademais, caso haja obstrução, impossibilita que o embrião se mova até o útero, frustrando a gravidez.
  • Problemas de ovulação: não há produção suficiente de óvulos.
  • Fibromas: em suma, tumores na parede do útero que dificultam a implantação do óvulo fecundado.
  • Endometrioseo tecido uterino cresce fora do ovário.
  • Insuficiência ovárica: ocorre quando os ovários não produzem óvulos suficientes.
  • Problemas genéticos: quando o homem ou a mulher apresentam doenças congênitas que podem ser transmitidas para os filhos.
  • Problemas no sêmen: em resumo, a contagem de espermatozoides é baixa ou estes têm pouca mobilidade.
  • Trompas de Falópio ligadas: quando a mulher tenha feito ligadura, a fertilização in vitro pode ser uma forma de conceber.
  • Preservação de óvulos: se a mulher for receber um tratamento oncológico que afete a fertilidade, pode conservar os óvulos congelados para uma fecundação in vitro posterior.

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Como é realizada a fertilização in vitro?

1. Preparação

Antes de começar com a fecundação in vitro, os médicos precisam realizar várias análises para comprovar se tanto a mulher quanto o homem estão em capacidade para fecundar com este processo.

Além disso, estas análises incluem detecção de doenças, qualidade do sêmen, reserva ovárica da mulher, exames de transferência de embriões, bem como da cavidade uterina.

Assim que os resultados saem positivos, a mulher é submetida a medicamentos para a estimulação dos óvulose, posteriormente, para a maturação dos ovócitos.

Logo após uma ou duas semanas, até um mês de preparação, será realizada uma ecografia vaginal e análise de sangue para comprovar que o corpo e os óvulos estão prontos para serem fertilizados. Nesse momento, é administrada uma injeção do hormônio Hcg, que induz a maturação do óvulo e 36 horas depois pode-se iniciar o processo.

2. Obtenção dos óvulos

Extração de óvulos

Os óvulos são extraídos mediante uma punção para serem, posteriormente, misturados com o esperma.

A extração do óvulo é feita por meio de uma punção que é realizada em uma sala de cirurgia e sob sedação. Em suma, o processo dura uns 15 minutos.

Para a extração, é introduzida uma sonda ecográfica pela vagina. Em seguida, insere-se uma agulha fina pela sonda até chegar aos folículos, a fim de sugar os óvulos através da agulha.

Em alguns casos, em que não se pode fazer a ecografia vaginal, é utilizada a laparoscopia, que consiste em uma pequena incisão próxima ao umbigo, por onde se introduz uma fibra ótica com a agulha que extrairá os óvulos.

3. Fertilização in vitro

Uma vez obtidos os óvulos e o sêmen do homem, começa o processo de fertilização in vitro. O sêmen é obtido previamente por meio da masturbação ou, em casos complicados, por meio da aspiração testicular, que consiste em extrair os espermatozoides diretamente dos testículos com uma agulha.

Na FIV, os óvulos que estão maduros são misturados com o esperma do homem em uma placa de cultivo, juntamente com soro materno similar ao encontrado nas trompas. Ainda, outro procedimento é a injeção intracitoplasmática, que consiste na injeção de um espermatozoide diretamente em cada óvulo.

Por fim, os embriões resultantes da fecundação, são analisados diariamente e selecionados para serem transferidos ao útero.

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4. Transferência de embriões para o útero

fertilização in vitro no laboratório

Entre dois a seis dias após a fertilização, o embrião é colocado no útero da mulher para dar início a gravidez. Este procedimento é realizado introduzindo um cateter através da vagina para alcançar o útero. Dessa maneira, são injetados um ou vários embriões. Este processo é monitorado por meio de um ultrassom.

Se a fecundação tem sucesso, o embrião se aderirá às paredes do útero. Além disso, o sucesso pode ser determinado logo após 11 dias. A partir desse momento, seguirá um processo normal de gravidez, com um acompanhamento periódico da gestação.

Os embriões de boa qualidade não utilizados são conservados de forma criogênica para poder serem utilizados posteriormente sem a necessidade de repetir a estimulação ovárica, no caso de querer outra gravidez. No entanto, os protocolos de conservação de embriões variam conforme as legislações de cada país.

Possível complicações e riscos

O sucesso da fertilização in vitro varia dependendo de muitas condições, mas nos países desenvolvidos calcula-se uma média de nascimentos entre 41 a 43% em mulheres com menos de 40 anos para cada processo de FIV. Por outro lado, em mulheres com mais de 40 anos, reduz-se para 18%.

A Sociedade Americana da Gravidez adverte sobre os seguintes riscos:

  • Possibilidades de gravidez múltipla causada pela estimulação da fertilidade e pela implantação de vários embriões. Isso traz consigo riscos de parto prematuro, assim como baixo peso dos bebês ao nascer.
  • Taxas de aborto levemente superiores as da gravidez normal, especialmente em mulheres com mais de 40 anos.
  • Infecções vaginais, renais ou do trato urinário por erros na punção. Não é frequente, mas pode ocorrer.
  • Gravidez ectópica, que é a implantação do óvulo fora do útero.

Além disso, podem ocorrer efeitos secundários, como sangramentos leves nos primeiros dias de gravidez, enjoos, náuseas e diarreias ou prisão de ventre. Estes sintomas devem ser comunicados ao ginecologista, mas geralmente não implicam nenhum risco.