Galactocele ou cisto de leite: sintomas, diagnóstico e tratamento

Galactocele é a lesão mais comum nas mulheres lactantes. A melhor maneira de preveni-la é alimentando o bebê da maneira correta. Mas quais são os seus sintomas?
Galactocele ou cisto de leite: sintomas, diagnóstico e tratamento

Última atualização: 08 maio, 2022

A galactocele ou cisto de leite é um tipo de nódulo que aparece quase exclusivamente em mulheres lactantes. Ela é considerada benigna, por isso não deve ser motivo de preocupação. De fato, na maioria das vezes o problema se resolve sozinho.

No entanto, o seu aparecimento é relativamente frequente e corresponde a 4% das consultas médicas das lactantes. De qualquer forma, é aconselhável consultar um médico para descartar a presença de outras anomalias. Quer saber mais a respeito? Continue lendo!

O que é a galactocele?

A galactocele é definida como um acúmulo de gordura do leite fora dos ductos lactíferos. Isso faz com que um pequeno cisto se forme e fique retido na mama, pois não é possível que ele saia pelo mamilo.

Essa é uma lesão benigna que aparece principalmente em mulheres lactantes, e também pode surgir durante a gravidez. No entanto, ocorre mais frequentemente durante o desmame. Alguns casos foram detectados após cirurgias de aumento de mama.

A condição também é frequentemente chamada de “lactocele”, “cisto lácteo” ou “cisto de leite”. É listada como a lesão mamária mais comum durante a amamentação. Muitas vezes está localizada na região retroareolar de uma ou ambas as mamas.

O que é galactocele?
A galactocele ocorre devido à formação de um cisto benigno derivado do acúmulo de leite materno.

Por que ela ocorre?

Existem várias causas que podem explicar o desenvolvimento da galactocele. Por isso, é necessário analisar cada caso individualmente. A mais frequente é que seja o efeito de um desequilíbrio hormonal, que provoca alterações na produção de leite e seu isolamento.

Desta forma, uma síntese excessiva de leite, juntamente com uma queda nos hormônios prolactina e oxitocina, somada a uma contração das fibras musculares provoca a galactocele. É comum que todos esses fatores se juntem durante ou após o desmame.

A união desses elementos provoca o acúmulo de leite em um ducto lactífero. Em seguida, o corpo reabsorve a parte líquida e sobra apenas a gordura, que causa um bloqueio e o aparecimento do caroço. Há um risco maior de apresentar esse problema nos seguintes casos:

  • Quando há dificuldade em amamentar. Por exemplo, se o bebê tiver uma fenda palatina.
  • Se a amamentação for contraindicada devido a anomalias no bebê, porque a mãe tem uma doença infecciosa ou toma medicamentos que oferecem risco para a criança.
  • Mulheres que tomam pílula anticoncepcional.
  • Mastite prévia.
  • Lesões anteriores que deixaram cicatrizes nos dutos.
  • Mulheres com rachaduras no mamilo.

Sintomas da galactocele

O cisto de leite se manifesta como uma protuberância arredondada. Geralmente ela é pequena, mas pode ter diversos de tamanhos. Às vezes nem é perceptível, e não provoca desconforto ou sintomas.

Quando cresce e fica visível, parece uma massa lisa e uniforme sob os dedos. É móvel e não causa dor, ou, se causar, ela é muito leve. Se a mama for pressionada, um pouco de leite pode sair do mamilo, mas nenhum sangue ou outros componentes.

O mais comum é que ela seja detectada alguns dias antes da menstruação. Se ocorrerem complicações, como um processo infeccioso , outros sintomas aparecerão. Por exemplo, os seguintes:

  • Febre.
  • Dor intensa à palpação.
  • Inflamação dos gânglios linfáticos próximos.

Como regra geral, a galactocele não afeta a lactação. Esta lesão não é perigosa, mas pode ser desconfortável. Somente se ela estiver localizada próximo ao mamilo pode atrapalhar a saída do leite, e é comum que isso irrite o bebê. Em todos os outros casos, não provoca nenhum problema.

Diagnóstico

Sempre que um nódulo aparecer na mama, um médico deve ser consultado. A mulher não está em condições de determinar se esse nódulo é uma galactocele ou não. Por isso, é recomendável procurar um profissional para oferecer um diagnóstico preciso.

O médico provavelmente fará uma entrevista inicial e depois um exame físico. Ele verificará a forma e o tamanho do nódulo, bem como sua reação à palpação.

Após fazer isso, é comum que ele solicite alguns exames para confirmar o diagnóstico, principalmente se houverem dúvidas. Os mais utilizados nestes casos são os seguintes:

  • Ultrassonografia das glândulas mamárias.
  • Mamografia.
  • Tomografia de glândulas mamárias.
  • Ressonância magnética.
Diagnóstico da galactocele.
Os exames de imagem podem ajudar a determinar se os cistos mamários são benignos ou malignos.

Tratamento da Galactocele

A princípio, a galactocele tem um tratamento conservador. Se o cisto for pequeno, não mostrar sinais de crescimento e não estiver causando desconforto, geralmente nada é feito além do acompanhamento. Muitas vezes o caroço desaparece sozinho.

No entanto, se ele crescer ou provocar desconforto, um tratamento farmacológico pode ser escolhido. Alguns medicamentos geralmente são prescritos para inibir a secreção de leite. Esse mecanismo geralmente é usado quando o problema ocorre após o desmame.

Em algumas ocasiões é necessário realizar um tratamento cirúrgico. Em particular, quando o crescimento é muito rápido ou gera muito desconforto. Ela pode ser de dois tipos:

  • Biópsia minimamente invasiva. Uma agulha fina é inserida no cisto e seu conteúdo é aspirado. Também é possível que uma substância seja injetada para colar dois ductos e favorecer a saída do conteúdo do cisto.
  • Cirurgia aberta. O objetivo é remover o cisto sem alterar sua integridade. Esse tipo de cirurgia é feita quando o nódulo é muito grande ou se há dúvidas sobre ele ser benigno ou não.

Recomendações finais

A galactocele tem um excelente prognóstico. Quase sempre se resolve por conta própria e não causa grandes transtornos. Nenhuma relação foi relatada entre esta condição e o risco de câncer.

Dito isso, também é importante observar que essa condição pode sofrer complicações se não for tratada a tempo. O maior risco é a infecção, que às vezes leva à mastite. Portanto, sempre merece uma consulta com o médico.

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