Cistos mamários: veja como evitá-los

· 16 de dezembro de 2013
É importante controlar a evolução de cistos na mama, mas não existe uma relação direta entre eles e o desenvolvimento do câncer de mama.

Um dos maiores temores de toda mulher atualmente é desenvolver um câncer de mama. Mas, apresentar cistos mamários e câncer de mama não é a mesma coisa.

Conheceremos agora os tipos de cistos existentes e quais medidas devemos adotar caso, durante um autoexame ou um exame ginecológico, encontremos algum cisto.

Muitas lendas circulam pela internet e outros lugares, mencionando uma relação direta entre a existência de cistos no seio e o desenvolvimento de câncer.

Mas não é bem assim. Entretanto, idealmente, é claro que o desenvolvimento dos cistos mamários deve ser controlado, minimizado ou suprimido.

Por isso, existe uma série de normas e comportamentos que deveríamos seguir o mais estritamente possível.

Ainda que não haja uma relação direta entre cistos mamários e câncer de mama, alguns estudos demonstram que há maior probabilidade de desenvolver cistos que podem se tornar malignos em mulheres que nunca tiveram filhos, que têm ciclos menstruais irregulares ou que tenham histórico de câncer de mama na família.

O que é realmente são os cistos mamários?

Um cisto mamário é um conjunto líquido no interior da mama.

Ou seja, é como se fosse uma pequena bolsa claramente definida de um tamanho normalmente pequeno, como um grão-de-bico (de proporções menores geralmente), e que contém em seu interior um líquido.

Pode aparecer inclusive em mulheres muito novas, fundamentalmente a partir da fase de desenvolvimento, entre 10 – 12 anos de idade em média.

Costuma ocorrer o tipo habitual de cisto, encontrado na maioria dos casos, ainda que também existam cistos que contenham matéria sólida em seu interior.

cistos mamários

Existe outro tipo de cistos mamários, os fibroadenomas. Eles não costumam apresentar sintomas e são indolores.

Geralmente, são descobertos quando apalpamos no seio algo duro, móvel e que ao tato parecem ter certa rugosidade, o que ocorre quando são lobulados.

Além disso, deslizam livremente entre os dedos (como um grãozinho que se move) e são igualmente benignos.

Ocorrem devido a uma proliferação excessiva do tecido mamário e, ainda que possam ser confundidos com os cistos que comentamos anteriormente, são diferentes.

Os fibroadenomas são mais frequentes antes da menopausa. Ainda que possam aparecer em qualquer idade, costumam aparecer na puberdade e em mulheres adultas jovens.

Por isso, seu aparecimento é associado às mudanças hormonais que ocorrem nessas idades.

O tratamento dos cistos implica, a princípio, na vigilância por parte do paciente. A cirurgia não costuma ser necessária.

Mas caso o paciente queira eliminar todos os cistos, os simples podem ser eliminados com uma simples punção para aspirar o teor e os complexos, com biopsia e cirurgia para retira-los.

Cistos mamários: causas

Os cistos mamários podem ter causas muito diversas. Considerando a anatomia de uma mama, é frequente que os pequenos lóbulos se bloqueiem. Assim, acumulam líquido em seu interior, dando lugar ao aparecimento dos tais cistos.

Também é possível que quando aparecem sozinhos tenham uma origem hereditária, mas isso não é comum.

Alterações naturais

De qualquer maneira, os tipos mais frequentes são aqueles causados por alterações benignas no tecido das glândulas mamárias (mastopatias), que costumam aparecer, principalmente, a partir da menopausa.

Isso pode ocorrer devido aos desequilíbrios hormonais produzidos nessa fase do ciclo, mas também por mudanças de caráter fibrocístico (mudanças espontâneas comuns e benignas nos tecidos das mamas).

É muito comum em mamas saudáveis e acredita-se que é uma variante normal.

É necessário entender que esses desequilíbrios geralmente ocorrem pelas mudanças hormonais próprias das mulheres.

Por isso, o autoexame tem de ser feito após esse período, porque é frequente que o tamanho dos cistos mude de acordo com o momento hormonal que a mulher está vivendo. Devemos nos apalpar sempre no mesmo período do mês.

Alimentação

Quando em nossa alimentação estão presentes altas concentrações de xantinas (café, cá, chocolate, mariscos, refrigerantes e similares), desenvolvemos maior pré-disposição para o aparecimento de cistos.

Um fator de risco que aumenta as chances não só de cistos benignos, como também de malignos, é a obesidade.

Amamentação

A ausência de lactação na mulher também é um fator que faz diferença.

Mulheres que não tiveram filhos costumam sofrer mais esse tipo de problema do que aquelas que tiveram.

Outros fatores

Ter uma dieta pobre em frutas e verduras aumenta o risco de surgimento de cistos mamários.

Além disso, também é importante saber que drogas, álcool e cigarro são fatores de risco pra o câncer de mama e não para a formação de cistos.

Existe uma série de “medidas” comentadas popularmente que pretendem instruir sobre o surgimento de cistos e como evita-los. Regras que, na maioria das vezes, não são certas.

Por exemplo, que as mamografia podem danificar os seios, que batidas acidentais ou com frequência na região dos seios podem provocar câncer, que a punção (injeção de agulha de aspiração para analisar o conteúdo dos cistos) produz a disseminação dos cistos ou que coletar amostras (biopsia) provoca câncer.

Também se escuta por aí que o uso de anticoncepcionais ou implantes podem favorecer a formação de cistos.

Não devemos escutar esses rumores, pois eles são apenas mitos. Afinal, já conhecemos as causas intrínsecas da formação dos mesmos.

Autoexame e análise dos cistos

Devemos ter bons costumes preventivos. É muito importante observar os seios a cada dia, dedicar tempo para conhece-los e sentir nosso corpo.

Assim, poderemos identificar sintomas que podem ser importantes em um diagnóstico precoce.

Apalpar as mamas regularmente, procurando fazer sempre no mesmo dia de cada mês, permitirá detectar rapidamente caso um cisto considerável apareça.

Podemos fazer muito para evitar o aparecimento de cistos mamários, a dor nas mamas e, inclusive, o câncer de mama.

Um diagnóstico precoce, uma dieta saudável e o conhecimento de nós mesmas podem ajudar muito a nossa saúde.

Caso seja detectado algum cisto durante nossas buscas diárias, é aconselhável procurar o médico para que ele realize uma avaliação do cisto mediante técnicas simples.

Se for é líquido ou semissólido, sem outro sinal que indique algum ponto negativo, como por exemplo, sangue, em 98% dos casos são cistos simples.

Estes cistos mamários não se transformam em câncer maligno, nem são perigosos.

Nesse caso, é possível realizar a aspiração do conteúdo e evitar os fatores que agravem os cistos ou que possam desencadeá-los, como veremos a seguir.

Hábitos e remédios naturais para evitar o aparecimento ou aumento dos cistos mamários

Agora detalharemos o que deve ser feito para evitar o surgimento de cistos. Ou, em casos em que eles já existam, o que fazer para evitar que reincidam ou aumentem de número e tamanho.

Reduzir a ingestão de gorduras e carboidratos refinados

Os tecidos mamários são muito sensíveis às dieta ricas em gorduras (em especial as saturadas ou as trans) e carboidratos, já que elevam os níveis de estrogênios.

A superprodução de estrogênio estimula o tecido mamário causando dor, formação de cistos e maior riso de surgimento de câncer de mama e outros cânceres ginecológicos.

Por esse mesmo motivo, devemos reduzir nosso índice de gordura corporal caso tenhamos sobrepeso.

Alimentos que poderão ajudar

cistos mamários

O consumo de fibra de origem vegetal (principalmente cereais integrais e frutas) é importante para eliminar o excesso de estrogênio.

As verduras crucíferas como o brócolis, couve, couve-de-bruxelas e nabos, que contêm indol-3-carbinol. Este composto reduz a capacidade do estrogênio de aderir ao tecido mamário.

É recomendado consumir 2 porções desse tipo de verdura por semana, no mínimo, e se possível diariamente. Também é possível tomar extrato de germinados de brócolis ou crucíferas.

Os derivados da soja como o tofu, são muito defendidos e recomendados por seus fitoestrogênios vegetais. Mas existem estudos a favor e outros contra. Por isso, apenas citamos e deixamos que cada leitor investigue por conta própria.

O que podemos aconselhar é que a soja transgênica seja evitada. Por isso, é importante que as etiquetas dos produtos sejam sempre revisadas.

Uma dieta rica em alimentos integrais e pobre em gorduras animais será nossa melhor opção.

Elimine os produtos lácteos

É recomendável eliminar de nossa alimentação os lácteos, especialmente o leite. Claro que em nossa gastronomia os lácteos são verdadeiros manjares. Mas devemos tentar deixá-los de lado ou pelo menos diminuí-los.

Além disso, podemos procurar opções de laticínios orgânicos. Ou seja, produtos oriundos de vacas que não sejam medicadas com hormônios. Faça o teste durante um mês e observe seu corpo. Com certeza você notará muitos benefícios.

Leia também: Bolo de banana nutritivo sem farinha e laticínios

Elimine a cafeína e o chocolate

Devemos deixar de consumir produtos com cafeína, como café, chá, refrigerantes, chocolate e cerveja sem álcool.

Estas bebidas contém metilxantinas que podem produzir um super estímulo do tecido mamário em algumas mulheres.

Claro que para muitos abandonar o chocolate parece ser uma ação suicida. Mas em casos de dores mamárias, cistos, etc. é bom fazer um esforço pelo menos no período de um ciclo menstrual inteiro e observar se os efeitos serão positivos.

Suplementos alimentares

Óleos

O óleo de onagra ou prímula e o óleo de borragem são ricos em ácidos ômega 6 (gamma linolênico GLA). Muitas mulheres relatam alívio na sensibilidade das mamas ao diminuir a inflamação das mesmas.

Também podemos citar ácido ômega-3, que pode ser encontrado no óleo de certos tipos de peixes (salmão, atum, por exemplo), óleo de linho, óleo de gergelim e óleo de nozes.

Existem estudos que definem que a ingestão de ômega-3 nos protege contra o câncer de mama.

O óleo de moringa também é rico em ácidos ômega 9, 6 e 3. Esse óleo é uma das maiores fontes de antioxidantes naturais.

Vitaminas e minerais

Consuma suplementos de vitaminas e minerais, principalmente vitaminas E e A, coenzima Q 10 e o selênio, que são antioxidantes muito benéficos.

O iodo diminui a capacidade do estrogênio de aderir aos receptores das mamas, isso diminui a dor na região.

A melhor maneira de consumi-lo é na alimentação. Certos tipos de alga contêm muito iodo (por exemplo, wakame ou kombu).

Para mulheres com problemas na tireoide, especialmente as que apresentam hipertireoidismo, não é aconselhável consumir iodo em excesso.

Chá verde

O extrato de chá verde (Camellia sinensis), deve ser consumido. O ideal são 200 mg por dia.

Em vários estudos foi indicado que o chá verde colabora na redução da possibilidade de apresentar câncer de mama e uma menor porcentagem de reincidência.

Própolis

O própolis inibe a atividade da enzima aromatase, o que é determinante para diminuir a produção excessiva de estrogênio.

Cogumelos

O cogumelo Mesima (Phellinus Linteus) estimula a produção das células defensivas, detém o crescimento e a formação de determinadas células malignas e reduz a adesão e migração celular.

Além disso, também inibe o crescimento de ambos os tipos de células mamárias cancerígenas.

Em casos de câncer, é possível consumir durante e depois do ciclo de quimioterapia ou radioterapia.

Ademais, pode ser combinado com outros fungos como o champignon do sol (Agaricus blasei), o rabo de Peru (Coriolus versicolor) e o Reishi (Ganoderma lucidum). É recomendado consumi-los em jejum, juntamente com um suco cítrico.

cistos mamários

Cardo-mariano

O cardo-mariano (Silybum marianum) contribui para que o fígado fique totalmente saudável e funcionando corretamente.

Uma função hepática adequada facilitará para o correto metabolismo dos estrogênios. Assim, haverá o controle adequado dos mesmos.

Além disso, é um bom antioxidante e tem efeitos antineoplásicos (impede o desenvolvimento de células do tipo tumor) frente ao câncer de mama.

Evite os sutiãs com aros

Os sutiãs com aros podem bloquear de certa maneira a circulação sanguínea linfática nos seios, na parede torácica e nos tecidos ao redor.

Claro que pode ser complicado substituir esse tipo de sutiã. Mas pelo menos podemos tentar utilizá-los menos durante o dia.

Leia também: Os surpreendentes benefícios de não usar sutiã

Óleo de mamona e argila

Podemos aplicar compressas de óleo de mamona e aplicar nos seios para diminuir a dor ou as inflamações.

Devemos deixar repousar na região por uma hora, 3 vezes por semana durante 2 ou 3 meses. O procedimento deve ser feito 1 vez por semana.

Também podemos utilizar um cataplasma ou colocar compressas de argila.

Isso ajudará igualmente com a dor ou as inflamações, além de ajudar a eliminar cistos. Entretanto, não é recomendável se os cistos forem cancerígenos, já que é provável que eles possam se mover.

Deixamos o cataplasma na região até que seque e depois lavamos bem o seio.

Algumas vezes é recomendável dormir com a argila aplicada na região. Para que não seque, é possível colocar algumas folhas de alface e, por cima, um sutiã velho de algodão.

Agora já sabemos: evitar, diminuir ou, inclusive, eliminar os cistos mamários é algo que está ao nosso alcance.

Não é preciso grandes esforços econômicos, mas, sim, um pouco de vontade e auto-observação do corpo.