Espondilite anquilosante: diagnóstico e tratamento

22 de junho de 2019
A maioria das pessoas que tem espondilite anquilosante apresentam o gene HLA-B27. No entanto, somente algumas desenvolvem a doença.

A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta fundamentalmente as articulações da coluna vertebral.

Estas articulações tendem a soldar-se entre si, provocando uma limitação de mobilidade. Dessa forma, fazem com que a coluna se torne menos flexível. Por isso, é muito comum adotar uma postura encurvada para frente.

Não se sabe exatamente o que produz esta doença, mas se sabe que a genética tem um papel importante em sua aparição. A maioria das pessoas que apresentam espondilite anquilosante tem o gene HLA-B27. No entanto, somente algumas pessoas com o gene desenvolvem a doença.

Sintomas da espondilite anquilosante

Dor na coluna

Esta doença reumática produz surtos de inflamação das articulações da coluna vertebral. Ainda que possa surgir inflamação em outras articulações como os ombros, os quadris, os joelhos e os tornozelos.

Os primeiros sintomas da espondilite anquilosante incluem dor noturna e rigidez na parte baixa da coluna. Isso pode ocorrer, principalmente, pela manhã e depois de períodos de inatividade. Também são frequentes a dor de pescoço e o cansaço.

Algumas das áreas afetadas com maior frequência são a articulação entre a base da coluna vertebral e a pélvis e a dos quadris. No entanto, também pode afetar os pontos em que os tendões e ligamentos se unem aos ossos, especialmente na coluna vertebral.

Quando ocorre a espondilite, forma-se osso novo como parte da tentativa do organismo de se curar. Nesse sentido, o novo osso vai fechando o espaço entre as vértebras. Dessa maneira, pode ocorrer uma fusão entre seções de uma vértebra e outra. 

Essas partes da coluna vertebral tornam-se rígidas e inflexíveis. A fusão também pode apertar a caixa torácica e reduzir a capacidade e função dos pulmões.

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Complicações da espondilite anquilosante

Algumas das complicações da espondilite anquilosante:

  • Inflamação ocular (uveíte): a uveíte é uma das complicações mais frequentes da espondilite anquilosante. Pode causar o aparecimento rápido de dor nos olhos, sensibilidade à luz e visão borrada.
  • Dano nas válvulas cardíacas: esta doença pode provocar problemas na aorta. A aorta inflamada pode afetar a forma da válvula aórtica no coração, o que alterará o funcionamento da válvula.

Como pode ser diagnosticada?

Existem alguns critérios para o diagnóstico da espondilite anquilosante que incluem:

  • Critérios clínicos: como dor lombar durante mais de 3 meses que melhora com o exercício, mas que não se alivia com o repouso. Além disso, leva-se em consideração a limitação da expansão torácica, assim como da mobilidade da coluna vertebral.
  • Critérios radiológicos: como é a evidência radiológica da inflamação das articulações sacroilíacas.

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Em função dos critérios que são apresentados ao paciente, o diagnóstico da espondilite anquilosante será:

  • Definido: quando há um critério clínico e um radiológico.
  • Provável: no caso do paciente apresentar 3 critérios clínicos ou 1 radiológico.

As análises de sangue e urina podem ajudar a apoiar o diagnóstico pela presença no sangue do antígeno HLA-B27. Além disso, pode-se determinar a intensidade maior ou menor do processo inflamatório que o paciente está sofrendo.

Tratamento

Antiinflamatórios para espondilite

Juntamente com reabilitação e cirurgia, são indicados medicamentos analgésicos para reduzir a dor gerada nas articulações.

O tratamento combina as diferentes opções farmacológicas e a reabilitação.

  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e analgésicos: são tratamentos farmacológicos encaminhados para controlar a dor e reduzir ou suprimir a inflamação articular. Dessa forma, melhora-se a qualidade de vida do paciente. Além disso, ao aliviar os incômodos, ajudará a melhorar o descanso noturno.
  • Fármacos modificadores da doença (FAD): estes medicamentos agem sobre o sistema imune.
  • Fármacos biológicos: estes fármacos, ainda que não consigam curar, conseguem, em muitos pacientes, controlar os sintomas da paciente.
  • Reabilitação: deve ser feita de forma continuada e combinada com os tratamentos farmacológicos. Os exercícios físicos e respiratórios melhoram a mobilidade da coluna e a força muscular.
  • Cirurgia: a cirurgia somente é usada em alguns casos, particularmente quando as articulações estão muito danificadas e tenha se perdido a mobilidade.

Combinando os possíveis tratamentos, é possível evitar a rigidez e o anquilosamento. Além disso, podem ajudar a prevenir outros transtornos da função muscular e locomotora. Por outro lado, é bom praticar exercícios que fortaleçam a coluna como a natação.

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