7 curiosidades sobre os dentes das crianças

A seguir mostraremos 7 curiosidades sobre os dentes das crianças que vão te ajudar a conhecer e cuidar melhor da dentição dos pequenos.
7 curiosidades sobre os dentes das crianças
Vanesa Evangelina Buffa

Escrito e verificado por o dentista Vanesa Evangelina Buffa.

Última atualização: 27 maio, 2022

Os dentes das crianças incluem curiosidades e mitos. Para muitos pais é um desafio entender por que existem os chamados dentes “de leite” e saber o que fazer para cuidar deles.

Às vezes se considera que não é necessário dar importância a essas estruturas na infância, mas isso é um erro. Os dentes das crianças exigem atenção constante para evitar problemas futuros.

Também é importante fazer a distinção entre mitos e fatos curiosos. Os primeiros são perigosos, pois se os pais se guiam por eles podem cometer erros na tentativa de proteger a saúde bucal dos filhos.

Por isso, continue lendo e descubra 7 curiosidades sobre os dentes das crianças que talvez você não conhecia.

1. Há menos dentes de leite em relação aos permanentes

Nem todo mundo sabe disso, ou não percebeu a diferença. Mas uma das curiosidades sobre os dentes das crianças é que, quando a dentição de leite está completa, ela é composta por 20 peças. Por outro lado, os adultos têm entre 28 e 32 elementos dentários.

Essa diferença de 4 dentes na dentição adulta ou permanente tem a ver com o aparecimento dos dentes do siso. Se todos os 4 nascerem, o número 32 é alcançado.

Isso significa que, uma vez concluída a substituição dos dentes, aparecerão alguns que não substituem nenhum dente de leite. Qual a explicação para isso? Bem, tem a ver com o tamanho da mandíbula.

À medida em que crescemos, o alargamento dos ossos da mandíbula permite que haja mais espaço. Assim, para cumprir as funções de mastigação com mais precisão, novos dentes aparecem.

Aos 6-7 anos aparecem os elementos dentários que não substituem nenhum dente de leite: os primeiros molares permanentes. Eles ocupam um espaço que antes estava vazio.

Então, por volta dos 12-13 anos, aparecem os segundos molares permanentes. Assim como os anteriores, eles não ocupam o lugar de nenhum dente de leite.

Durante a substituição desses dentes, os molares de leite que caem são substituídos pelos pré-molares. Eles estão presentes apenas na dentição adulta.

Os dentes do siso aparecerão no final da adolescência ou na idade adulta. Mas isso nem sempre acontece, pois há adultos que não os têm.

2. Os dentes das crianças são mais brancos

Quando os primeiros elementos permanentes aparecem na boca de uma criança, as diferenças de cor em relação aos dentes de leite são perceptíveis; os novos são percebidos como mais opacos.

Você sabe porque? Para entender isso é necessário conhecer a estrutura dos elementos dentários, que são compostos por 3 camadas: esmalte, dentina e polpa.

A polpa é a camada mais interna do dente. Ela não influencia na cor do elemento e não é visível do lado de fora. Ela aparece em contato com o exterior quando uma cárie penetra muito fundo ou quando é realizado um tratamento de canal, por exemplo.

A camada intermediária é a dentina. Ela é fundamental para determinar a cor de um dente.

A dentina é de cor amarelada e pode ser vista de forma translúcida através do esmalte, que é a camada externa. Nas crianças, a camada intermediária possui menos minerais e mais substâncias orgânicas, pois teve um processo de formação mais curto.

Assim, os dentes de leite parecem mais brancos em comparação com a dentição adulta porque a dentina delas é menos amarelada, portanto, o branco do esmalte prevalece. O tom amarelo é típico de dentes adultos.

Os dentes das crianças são mais brancos.
É normal notar diferenças de cor entre os elementos dentários quando as crianças estão substituindo os dentes.

3. Os dentes “de leite” têm esse nome por sua cor e função

O nome técnico da dentição infantil é decídua. Ela se contrapõe à dentição permanente dos adultos.

A razão pela qual o nome está associado ao leite tem várias hipóteses. Algumas vezes o fato da idade influenciou; em muitas outras, a cor.

Uma das teorias sobre esse nome é que esses são elementos que aparecem quando a criança é amamentada. Portanto, eles serviriam para melhorar o processo de alimentação dos lactentes.

Também se acreditou por muito tempo que essas estruturas eram realmente feitas de leite. Obviamente hoje sabemos que não é esse o caso.

Além disso, como explicamos no ponto anterior, a cor da dentição decídua é mais branca em relação à permanente. Isso reforça a semelhança desses dentes com o leite.

4. Os dentes das crianças já estão presentes no nascimento, mesmo que não possam ser vistos

Outra das curiosidades sobre os dentes das crianças que poucos pais conhecem é que os elementos já estão dentro da mandíbula quando a criança nasce. Com o tempo eles terão então um processo de erupção escalonado.

De fato, existem bebês que já nascem com alguns dentes erupcionados, que são conhecidos como dentes natais. A frequência desse fenômeno é de aproximadamente 1 em cada 2.000 nascimentos.

Esses dentes natais tendem a estar localizados na região inferior da boca. Às vezes, e se o dentista considerar adequado, será sugerida uma extração, para que a amamentação não seja difícil e não haja risco de aspiração do elemento por acidente.

Como já antecipamos, na maioria dos casos os bebês nascem sem dentes e ocorre um processo de erupção que segue o seguinte cronograma:

  • Dois incisivos inferiores: são os primeiros a nascer, entre os 6 e 10 meses de vida da criança.
  • Dois incisivos superiores: aparecem entre os 8-12 meses.
  • Incisivos laterais superiores e inferiores: se completam entre os 9 e 16 meses de vida.
  • Primeiros molares superiores e inferiores: Os primeiros molares aparecem na superfície das gengivas entre um ano e um ano e meio depois do nascimento, antes dos caninos.
  • Caninos: os superiores aparecem entre 16 e 22 meses, enquanto os inferiores o fazem por volta dos 2 anos de idade.
  • Segundos molares inferiores e superiores: os últimos dentes de leite que completam a dentição decídua nascem entre os 2 e 3 anos de idade.

Essas datas são usadas para fins de orientação, mas cada criança tem seu próprio ritmo de crescimento e desenvolvimento. Embora esses dados funcionem como parâmetros de normalidade, é importante saber que podem haver atrasos que não significam a existência de uma patologia.

5. O nascimento dos dentes não provoca febre

É assumido por grande parte da população de pais que o nascimento dos dentes de leite vai gerar febre nos pequenos. Mas não é isso o que acontece.

Essa é uma das curiosidades sobre os dentes de leite que na verdade é um mito. O problema é que isso pode levar a uma confusão que afeta a qualidade de vida das crianças.

A febre é um sinal que aparece diante de processos patológicos. Se um bebê estiver com mais de 37,5 graus Celsius enquanto um de seus dentes erupciona, é mais provável que ele sofra de um problema respiratório ou gastrointestinal, mas não que a temperatura elevada seja uma resposta ao nascimento do elemento dentário.

Há crianças que registram temperaturas entre 37 e 37,5 graus Celsius devido à erupção de um dente, mas esta é uma febre baixa que não pode ser considerada como patológica. Possivelmente ela é devida ao processo inflamatório que acompanha a ruptura da gengiva para que o dente apareça na superfície.

Também não é possível associar a erupção do dente à presença de infecções respiratórias ou diarreia. Embora muitos pais considerem que existe um aumento nos movimentos intestinais coincidindo com o momento da erupção dentária, é mais provável que esses processos estejam relacionados a outras causas.

O que de fato são sintomas e sinais do nascimento de um dente na criança são os seguintes:

  • Baba.
  • Irritabilidade e nervosismo.
  • Irritação nas gengivas.
  • Necessidade compulsiva de morder objetos.

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6. Os dentes de leite adoecem

Quando pais e cuidadores acreditam em muitos dos mitos que circulam sobre a dentição decídua, podem ser descuidados. Isso significa que eles assumem que os dentes de leite não adoecem e que, se o fizerem, não há necessidade de se preocupar, pois eles logo cairão.

Este mito é muito perigoso e que não deveria ser uma curiosidade, mas sim um fato do conhecimento de todos os adultos que os dentes das crianças são capazes de desenvolver cáries.

A cárie é a destruição do tecido duro do dente por ácidos que são produzidos na boca. Esses ácidos surgem do metabolismo do açúcar da dieta por bactérias que habitam a cavidade bucal.

Pouco a pouco o ácido desmineraliza o dente e um buraco é formado, expondo os tecidos internos. Entende-se, então, que a má higiene e uma alimentação rica em açúcares são os principais responsáveis por essa patologia.

A escovação ajuda a remover a placa bacteriana. Por outro lado, uma alimentação saudável, pobre em açúcar e alimentos ultraprocessados, limitará o substrato utilizado pelos microrganismos para produzir ácido.

Uma situação especial é a cárie de mamadeira. Esta é uma doença de crianças que são expostas desde cedo a grandes quantidades de açúcares.

Ela acontece quando o bico da chupeta ou da mamadeira está embebido em substâncias açucaradas e muito doces (como o mel) e também quando a criança costuma adormecer com a mamadeira na boca, sem que ela seja retirada. A situação é mais grave se ela contiver, por exemplo, sumo ou sucos.

Esta cárie é de aparecimento muito rápido e possui uma agressividade marcante. Geralmente ela se localiza nos incisivos superiores.

Cárie de mamadeira.
A cárie precoce pelo mau uso da mamadeira é agressiva e evolui rapidamente.

7. Os dentes decíduos caem em ordem

A substituição da dentição se inicia entre os 5 e os 7 anos de idade. Esse é um processo que tem uma cronologia, assim como o aparecimento dos dentes de leite.

No entanto, como esclarecemos anteriormente, esses parâmetros não são inflexíveis. Cada criança tem seu próprio processo.

O momento em que os primeiros elementos se soltam é uma novidade para toda a família. Em algumas crianças pode haver ansiedade e medo de algo novo.

Os primeiros dentes a serem trocados são os incisivos inferiores, e em seguida os superiores. Depois disso os molares de leite são então substituídos pelos pré-molares permanentes. Já dissemos que os molares adultos não substituem um dente decíduo, pois aparecem na parte inferior dos maxilares em locais que estavam vazios.

Por fim, as últimas substituições ocorrem nos incisivos ou caninos, e os segundos molares são substituídos pelos segundos pré-molares, entre as idades de 11 e 13 anos. Aos 13 anos, espera-se que a dentição definitiva esteja completa, com suas 28 peças (sem contar os dentes do siso).

Devemos levar nosso filho ao dentista para retirar os dentes decíduos? A verdade é que na maioria dos casos não é necessária uma consulta especializada.

Os dentes de leite se soltam e caem sozinhos. É possível auxiliar o processo com pequenos movimentos, quando é perceptível que eles já estão soltos.

É indicado visitar um dentista para a extração dos elementos decíduos quando uma parte deles estiver quebrada, por exemplo, ou se não for possível que eles caiam naturalmente, apesar da passagem do tempo. A intervenção profissional também será necessária para dentes mal posicionados, ou se os permanentes começarem a erupcionar fora do lugar.

Conhecer as curiosidades sobre os dentes das crianças nos ajuda a cuidar melhor deles

Cuidar da higiene bucal faz parte da abordagem geral de saúde dos pais para os filhos. A boca é uma parte importante do corpo que exige tempo e dedicação.

Se conhecermos as curiosidades sobre os dentes das crianças, estaremos mais bem preparados para evitar que eles adoeçam. A cárie é a patologia mais comum na infância, e pode ser prevenida com uma escovação e alimentação adequadas.

As crianças mais velhas também podem mergulhar nessas curiosidades para aprender mais sobre o próprio corpo. Isso permitirá que elas se cuidem de forma consciente e adquiram hábitos saudáveis para o resto da vida.

É possível ter um sorriso sadio desde cedo e, a longo prazo, chegar à idade adulta com dentes fortes e bonitos.

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