Conselhos para ser feliz de acordo com a ciência

A felicidade é relativa e muitos não sabem ao certo o que devem fazer para "serem felizes". Neste artigo, vamos compartilhar alguns conselhos endossados por evidências científicas.

Última atualização: 24 Janeiro, 2021

Ser feliz, de acordo com a ciência, é possível. Há evidências crescentes disso. Apesar de ser um campo de estudo relativamente jovem, foram publicadas inúmeras pesquisas que sugerem que o ser humano tem capacidade de alcançar a felicidade, mesmo em circunstâncias difíceis. Conheça aqui alguns conselhos para ser feliz de acordo com a ciência.

Em meio à pandemia do COVID-19, podemos nos sentir muito distantes do conceito de bem-estar. No entanto, mesmo nas situações mais difíceis da vida podemos encontrar momentos em que comemoramos a nossa existência e nos sentimos mais próximos da ideia de sermos felizes.

O que exatamente é a felicidade?

Felicidade é um conceito abstrato que muitos pesquisadores estudam há décadas. Cada um deles criou sua própria definição, e podemos encontrar dezenas delas.

Alguns estão focados em experimentar emoções e estados positivos, enquanto outros estão mais focados na equivalência da felicidade à ausência de medo ou adversidade.

Uma visão muito interessante é a proposta pelo engenheiro Mo Gawdat. Esse ex-funcionário do Google passou por uma situação especialmente difícil: seu filho morreu em uma operação de apendicite devido a uma negligência médica.

Após seu próprio sofrimento, Gawdat estabeleceu uma fórmula matemática na qual explicava a nossa infelicidade. De acordo com a sua abordagem, a felicidade era equivalente aos eventos de nossa vida menos as expectativas de como estes deveriam ser.

Isso significa que sofremos quando rejeitamos o que acontece porque pensamos que deveria ser de outro modo. Por exemplo, na atual situação de pandemia, as pessoas que resistem ao cumprimento das medidas sofrem muito mais do que as que aceitam o que está acontecendo.

E o mesmo acontece com qualquer outra situação difícil da vida: não aceitar que nosso parceiro tenha nos deixado, uma demissão, uma doença ou a morte de um ente querido, transforma a dor do evento em um sofrimento excessivo. Algo que, sem dúvida, nos distancia da capacidade de sermos felizes, segundo a ciência.

Quando rejeitamos os eventos que acontecem conosco ou resistimos porque pensamos que poderia ser de outra forma, acabamos sofrendo.

Efeitos derivados da felicidade

De acordo com a teoria da expansão e construção de Barbara Fredrickson (1998, 2001), experimentar emoções positivas favorece comportamentos mais flexíveis e ajuda a ter um repertório mais amplo de comportamentos. Assim, somos mais capazes de nos adaptar melhor ao ambiente e funcionar melhor em diferentes áreas da vida.

Alguns efeitos derivados de experimentar estados afetivos positivos são os seguintes:

  • Nossos pensamentos são mais criativos.
  • Somos mais tolerantes conosco e com os outros.
  • Nossas respostas são mais adaptáveis.
  • Vamos combater melhor as emoções negativas.
  • Somos mais altruístas.
  • Toleramos melhor a dor física.
  • Somos mais resilientes diante das adversidades.

Leia também: 7 formas para encontrar a felicidade quando tudo parece estar contra você

As emoções positivas têm um grande efeito amortecedor no estresse (Fredrickson, Mancuso, Branigan e Tugade, 2000), como demonstrado por vários estudos de laboratório sobre, por exemplo, a reatividade cardiovascular (Fredrickson & Levenson, 1998).

Além disso, a ciência descobriu que emoções positivas e negativas não são mutuamente exclusivas, mas sim relativamente independentes (Avia e Vázquez, 1998). Assim, podemos sentir emoções negativas em situações que parecem positivas e, inversamente, experimentar emoções positivas em momentos especialmente difíceis, como situações de ansiedade ou traumáticas.

Conselhos para ser feliz de acordo com a ciência

Embora vivamos situações complicadas ao longo da vida, os seres humanos podem fazer muito para evitar o sofrimento. Aqui descrevemos alguns conselhos para ser feliz de acordo com a ciência:

Experimentar a gratidão

Ser grato por tudo de positivo que acontece conosco é uma prática altamente recomendada em nosso dia a dia e, especialmente, quanto pior for a situação em que nos encontramos.

As pesquisas realizadas mostram uma relação direta entre gratidão e comportamentos pró-sociais, emoções positivas, satisfação com a vida, otimismo, esperança, vitalidade e percepção subjetiva da felicidade (McCullough, Emmons e Tsang, 2002).

Além disso, o hábito de agradecer está associado a um menor risco de desenvolver distúrbios psicológicos, como a depressão, a ansiedade e o uso de substâncias (Bono e McCullough, 2006).

Portanto, em tempos de crise e grandes dificuldades, incorporar a gratidão em nossas vidas pode proporcionar uma melhoria significativa em nosso estado emocional.

Ser grato está associado a um menor risco de depressão, ansiedade, uso de substâncias e outros distúrbios psicológicos.

Aprimorar nosso senso de humor

Inúmeros benefícios psicológicos são atribuídos ao senso de humor, como os sentimentos e estados de alegria, bem-estar e satisfação, redução do estresse e prevenção da depressão.

Também tem efeitos físicos importantes, como aumentar a tolerância à dor e melhorar os sistemas imunológico e cardiovascular. Além disso, a nível social, melhora nossa comunicação com os outros e favorece a harmonia na comunidade.

Por isso, é importante incorporar momentos de distração graças ao humor. Acompanhar nossa série favorita, assistir àquele filme com o qual não conseguimos parar de rir, ouvir um podcast engraçado ou ler um capítulo de um livro que nos faz sorrir pode ser de grande ajuda. ⠀

Ouvir música

O Journal of the American Medical Association publicou os resultados de um estudo de musicoterapia realizado em Austin em 1996. A estimulação musical aumenta a liberação de endorfina e diminui a necessidade de medicamentos.

As endorfinas atuam em nosso sistema nervoso central, motivando-nos e dando-nos energia, o que nos ajuda a ser mais felizes e mais otimistas.

Assim, podemos criar uma lista de reprodução com nossas músicas favoritas mais animadas para ouvi-las durante atividades físicas ou tarefas de limpeza, por exemplo. Sem dúvida, uma dose diária de música será ideal para nos sentirmos melhor.

Praticar o mindfulness é um dos melhores conselhos para ser feliz

Praticar mindfulness significa estar presente no aqui e agora. Ao concentrar nossa atenção em cada atividade que realizamos, fica muito mais fácil parar de ouvir nossos pensamentos negativos, que frequentemente bombardeiam nossas cabeças.

Para praticar a atenção plena ou mindfulness, não precisamos ser mestres zen. Nós só temos que focar ao máximo no que estamos fazendo. Vamos dar um exemplo:

  • Se estivermos cozinhando um alimento, a ideia é focar na ação que estamos realizando: observá-lo, notando sua textura com as pontas dos dedos, o cheiro que emite, o som que gera quando você o toca, ou como sua consistência muda ao ser cozinhado.

A prática da atenção plena pode ser aplicada a quase todas as atividades diárias, e é uma ferramenta interessante para reduzir a ansiedade de acordo com vários estudos.

Aumentar as atividades agradáveis

Sem os mecanismos neurais do sistema de motivação e recompensa, nossa espécie morreria de fome e não teria sido perpetuada. Se uma coisa nos proporciona prazer, é muito provável que desejemos repeti-la.

Assim, podemos praticar muitas atividades agradáveis ​​que nos trarão felicidade: tomar um banho quente se estiver frio, ou um banho refrescante se estiver quente, aprender algo novo, cantar, escrever, pintar ou dançar seriam alguns exemplos.

As atividades que são positivas para nós ativam um circuito de neurônios que produzem a sensação de prazer e reduzem significativamente nosso nível de estresse. Portanto, em tempos difíceis é importante dedicar alguma hora do dia para executar qualquer uma dessas ações.

Aumentar a prática de atividades agradáveis ​​também aumenta a nossa sensação de bem-estar e felicidade.

Planejar atividades é outro dos conselhos para ser mais feliz

Como comentou Eduardo Punset em seu livro The Journey to Happiness, as expectativas de uma situação altamente desejada excedem em muito a felicidade do próprio evento. Ou seja, a felicidade está escondida na sala de espera da felicidade.

Isso se deve ao que os cientistas chamam de circuito de recompensa. Esse circuito, que alerta as fontes de prazer e felicidade, é ativado principalmente durante a busca, e não tanto durante o ato em si, ao contrário do que se poderia esperar. A dopamina é ativada com a simples expectativa de prazer, mesmo que esta não se materialize.

Dessa forma, pensar em tomar o nosso sorvete favorito, conseguir o emprego dos nossos sonhos, planejar férias idílicas ou imaginar uma conversa com alguém de quem gostamos geralmente nos trará uma maior satisfação do que o ato em si.

Leia também: Diga adeus à depressão preparando a vitamina da felicidade

O que devemos lembrar sobre estes conselhos para ser feliz?

Gerar estados de ânimo positivos em situações complexas não é uma tarefa fácil. No entanto, se seguirmos as ações descritas, podemos construir um sentimento significativo de bem-estar.

Devemos lembrar que as emoções mais negativas têm uma função e sua razão de ser. Elas não existiriam se não tivessem sido adaptáveis ​​ao longo da evolução. O importante é aprender a ouvir o que estas querem transmitir para nós, a fim de entendê-las, superá-las e, finalmente, deixá-las para trás.

No entanto, às vezes esses estados emocionais negativos não desaparecem tão facilmente. O desconforto persiste, embora apliquemos todos os comportamentos descritos neste artigo e muitos outros que conhecemos, como praticar uma atividade física, ler ou conversar com um bom amigo.

Assim, se apesar de tudo e de todo o seu esforço, você sentir que as emoções negativas o superam e não souber como lidar com o sofrimento, é importante consultar um especialista. Um psicólogo ou médico de saúde especializado nesses tipos de casos poderá ajudá-lo a remediar o sofrimento.

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  • Armero, Montse (2019). Aprendiendo a vivir. Uno Editorial.
  • Carbelo, Begoña & Jáuregui, Eduardo (2006). Emociones positivas: humor positivo. Papeles del Psicólogo, vol. 27, núm. 1, enero-abril, 20, pp. 18-30.
  • Punset, Eduard (2005). El viaje a la felicidad: las nuevas claves científicas. Ediciones Destino.
  • Moyano, Natalia. Gratitud en la psicología positiva. Psicodebate 10. Psicología, cultura y sociedad, pp. 103-118.
  • Vázquez, Carmelo; Hervas, Gonzalo, & Ho, Samuel M. Y. (2006). Intervenciones clínicas basadas en la Psicología Positiva: Fundamentos y aplicaciones. Psicologia Conductual, vol. 14, pp. 401-432.