Conheça a planta que ajuda o fígado a se regenerar

· 1 de junho de 2018
O desmodium tem a capacidade de normalizar os níveis de enzimas no fígado e relaxar as fibras musculares lisas, por isso ajuda em sua regeneração.

Seu nome é um pouco complicado de ler e pronunciar, mas suas propriedades são realmente milagrosas. Chama-se Desmodium adscendens e cresce na África Equatorial, ou seja, um lugar muito úmido e sempre aos pés do coqueiro-de-dendê.

Explore o artigo e saiba muito mais sobre essa planta capaz de ajudar o fígado a se regenerar.

Aprendendo sobre as funções hepáticas

Antes de conhecer melhor essa planta que tem a capacidade de regenerar o fígado, é bom contar com alguns conceitos em relação às funções hepáticas que são tão importantes para o nosso corpo.

O fígado trabalha incansavelmente para nos manter saudáveis, regulando e depurando o organismo de substâncias tóxicas. Sintetiza proteínas e captura tudo de ruim que injetamos no organismo através de alimentos e bebidas.

Então, é vital manter esse órgão em boas condições. O fígado é o maior e mais complexo órgão de nosso organismo, intervém em 500 funções e compõe uma grande equipe com a vesícula biliar. Permite o desenvolvimento de funções metabólicas, a absorção de vitaminas, atua sobre os hormônios e muito mais.

o fígado

Também é bom saber que o fígado tem o poder de se regenerar sozinho quando recebe as ferramentas adequadas para isso.

Quando uma parte desse órgão é retirada devido a uma doença ou um acidente, ele cresce novamente graças às suas células-mãe. Mas, para que isso aconteça, pelo menos 25% do fígado deve estar saudável.

Por outro lado, é um órgão extremamente sensível porque se destrói mais rápido do que qualquer outro. Consumir muito álcool, comer muita gordura, certas doenças ou alterações metabólicas são exemplos de situações que podem inutilizar o órgão ou pelo menos prejudicá-lo a ponto de que não trabalhe bem o tempo todo.

Desmodium adscendens: a planta mágica para o fígado

Dentro da fitoterapia existem diferentes remédios naturais para melhorar as funções hepáticas, como é o caso do cardo mariano, do dente-de-leão, do rabanete preto ou da alcachofra selvagem. Contudo, a única planta realmente mágica e poderosa é a Desmodium adscendens.

o fígado

Essa espécie cresce na África, suas folhas são de cor verde bem claro, é rasteira com galhos que se enrolam nas palmeiras ao redor (ou coqueiros), com flores de cor violeta claro e frutos verdes de até 25 centímetros de largura.

Também é chamada de “amor seco”, “barba de boi” ou “pega-pega”.

Em países como Senegal, Costa do Marfim e Congo a planta era utilizada. Em Gana, por exemplo, é usada na medicina natural como tratamento para asma, disenteria, prisão de ventre e cólicas abdominais.

Foi descoberta pela medicina atual, em 1960, graças a dois médicos franceses que realizavam trabalhos sociais na região.

Foi usada em pacientes com hepatite que se curaram em questão de semanas. Os curandeiros locais sabiam muito sobre essa planta e levaram várias amostras para análise em laboratório.

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Os primeiros resultados indicaram que a Desmodium adscendens contava com alcaloides, saponinas, flavonoides e antocianinas, todos componentes muito benéficos.

Posteriormente, outros testes foram realizados na Inglaterra, no Canadá e na França, e determinaram que a planta não servia só para tratar as disfunções hepáticas como também para proteger o fígado durante tratamentos invasivos ou de longa duração, como é o caso de quimioterapia e de pacientes alérgicos.

Tem a capacidade de normalizar os níveis de enzimas no fígado e relaxar as fibras musculares lisas. A planta também tem propriedades bronquiodilatadoras e anti-histamínicas.

o fígado

É excelente para realizar um tratamento natural para diferentes doenças hepáticas, sejam virais ou desenvolvidas graças a químicos ou intoxicação (alcoólica ou por medicamentos).

E, como se essas informações não fossem suficientes, a desmodium adscendens também ajuda a manter o sistema imunológico em perfeitas condições, sendo ideal para pacientes com doenças que afetam esse sistema, como o HIV.

É uma planta muito eficaz par tratar os sintomas da hepatite (pele amarelada, cefaleia, cansaço, perda de apetite, etc.), os quais desaparecem em poucos dias. O uso tradicional da planta em casos de epilepsia também chama a atenção de diversos pesquisadores.

Como consumir a Desmodium adscendens?

Essa maravilhosa planta pode ser encontrada em lojas de produtos naturais como planta seca, extrato, tintura e até cápsulas.

Para aumentar sua capacidade de regenerar o fígado, por exemplo, podemos associá-la com outras plantas, como o alecrim ou o cardo mariano.

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Apesar de casos de pessoas que se intoxicaram consumindo Desmodium adscendens não terem sidos detectados até hoje, vale a pena destacar que ela tem efeitos laxantes.

Pessoas que sofrem de algum problema hepático podem consumir entre 6 e 10 gramas diárias da planta seca fervida em um litro de água.

Esse tratamento deve durar de duas a quatro semanas (fases agudas da doença) ou entre seis e oito semanas (fases crônicas).

Pessoas que mantiveram tratamentos médicos com remédios que danificaram o fígado, como por exemplo remédios para fungos nas unhas, devem consumir uma infusão da planta por dia, antes, durante e depois do tratamento. A dose adequada é de 6 gramas para cada litro de água.

Aqueles que querem aproveitar as vantagens da planta para revitalizar e desengordurar o fígado, como pode ser o caso de pessoas que foram diagnosticadas com fígado gorduroso, devem tomar uma dose diária de dez gramas durante um a três meses.

No caso de pessoas que sofrem de alergias (principalmente asma), a posologia é de 5 gramas da planta por dia, sempre em forma de infusão.

  • Magielse, J., Arcoraci, T., Breynaert, A., Dooren, I. Van, Kanyanga, C., Fransen, E., … Hermans, N. (2013). Antihepatotoxic activity of a quantified Desmodium adscendens decoction and D-pinitol against chemically-induced liver damage in rats. Journal of Ethnopharmacology. https://doi.org/10.1016/j.jep.2012.12.039

  • Katoonizadeh, A. (2017). Liver Regeneration. In Liver Pathophysiology: Therapies and Antioxidants. https://doi.org/10.1016/B978-0-12-804274-8.00007-2