O que são os complexos físicos e como superá-los?

Os complexos físicos costumam causar desconforto e deterioração social na vida da pessoa afetada. Como lidar com eles? Descubra algumas dicas a seguir.
O que são os complexos físicos e como superá-los?

Última atualização: 09 Outubro, 2021

Em algum momento, a maioria das pessoas manifesta complexos físicos devido a algum “defeito” em seu corpo. Embora muitos consigam minimizá-los, há quem faça deles um centro das atenções que passa a interferir em várias áreas da vida.

O sentimento de vergonha e de rejeição por esses defeitos faz com que a pessoa perca o prazer das atividades cotidianas e sociais. Alguns chegam a perder oportunidades importantes. No entanto, o que exatamente são esses complexos? Como lidar com eles?

O que são os complexos físicos?

Quando falamos em complexos físicos, referimo-nos a uma sensação de desconforto e angústia associada a uma percepção negativa sobre o nosso corpo ou alguma parte dele. Pode ter sua origem em algo real, observável, como alguma malformação ou cicatriz que pode ser vista a olho nu.

No entanto, também pode ser algo que a pessoa imagina ou fantasia como defeituoso, mesmo que não seja. Em qualquer caso, é considerado um complexo físico e não uma simples preocupação devido à sua intensidade.

Nesse âmbito, vale a pena analisar a expressão “o que a pessoa considera um defeito”. Nem sempre o que ela enxerga é realmente um defeito, já que tudo depende do significado atribuído a ele.

Ter uma imagem corporal negativa está na base de um complexo físico. Mas é justamente isso, uma imagem, uma representação que nós mesmos fazemos.

Voltando ao exemplo anterior, ter quadris largos ou calvície não tem nada de errado em si; o corpo não funciona melhor ou pior por causa disso. Ainda assim, para alguém, esta pode ser uma verdadeira causa de desconforto.

O que são os complexos físicos?
Os complexos físicos aparecem devido a uma imagem corporal negativa. Portanto, cultivar a autoestima é a chave para superá-los.

Causas e consequências de ter um complexo físico

Os complexos físicos podem ter várias origens. Uma delas pode ser de natureza social, condicionada por algum comentário ou experiência negativa em relação a uma parte do corpo. Por exemplo, quando uma ou mais crianças zombam do tamanho das orelhas de outra na escola.

Também pode ser causado por comentários repetitivos de alguém importante, como o pai ou mãe, que acabam deixando uma marca na pessoa.

Quanto às consequências, tende a causar desconforto e deterioração social na vida de quem se sente afetado. Da mesma forma, é um gatilho para a vergonha, insegurança, isolamento, introversão, ansiedade, entre outras coisas.

O que fazer diante dos complexos físicos?

Com o tempo, os complexos físicos podem ser um obstáculo para o bom desempenho social e profissional. Portanto, eles não devem ser esquecidos. Aqui estão algumas dicas para abordá-los.

Trabalhe a autoestima

Em primeiro lugar, é importante cultivar a autoestima, que se refere ao valor que damos a nós mesmos. Isso nos permitirá fazer amizade com esse complexo físico, se ele existir, ou mudar nossa percepção da sua importância.

Ou seja, a parte – aquilo de que não gostamos na nossa imagem – não será mais importante do que o todo – a nossa pessoa inteira. Assim, encontraremos recursos para nos sentirmos mais confortáveis e seguros.

Um bom exercício que pode ser posto em prática é o exercício “só por hoje”, que consiste em definir diferentes metas ou desafios para um dia. Podemos nos propor a ser como queremos ser, enquanto nos esquecemos do complexo físico que nos aflige.

Evite a autossabotagem

Aprender a receber elogios e frear a autossabotagem é uma etapa crítica na eliminação dos complexos. Muitas vezes, quando alguém destaca algo positivo em nós, respondemos automaticamente “sim, mas…”, o que invalida nossa capacidade de receber um reconhecimento positivo.

Não caia em comparações

Sem dúvida, este é um dos erros mais frequentes. Você tem que entender que cada pessoa é como é e tem algo importante a oferecer.

Busque atendimento psicológico

O cuidado profissional pode ser decisivo na superação dos complexos físicos. Existem casos em que há um transtorno dismórfico corporal. Se esse problema interfere na vida e nas atividades sociais, a terapia cognitivo-comportamental pode ajudar.

Este tipo de intervenção atua sobre crenças e vieses cognitivos, para posteriormente modificá-los por outros por meio de questionamentos e reestruturação cognitiva.

Sessão de terapia
Buscar ajuda profissional com um psicólogo permite encontrar estratégias eficazes para fortalecer a autoestima e superar os complexos físicos.

Ter referências positivas

Referências positivas são aqueles que apresentam alguma condição particular, considerada socialmente como “defeito” ou “limitação”, mas que levam uma vida plena. Conhecer suas histórias pode ser o ponto de partida para melhorar o humor em relação aos complexos.

A beleza não é uma só

Uma das maiores influências na nossa percepção de nós mesmos é o padrão da sociedade que classifica o que é belo. Um modelo que unifica e homogeneíza, como se a beleza fosse única.

A verdade é que a beleza está na diversidade. Portanto, como sociedade devemos aprender a validar outros modelos, principalmente quando o atual envolve tanto sofrimento e desconforto físico e mental.

Você quer fazer uma cirurgia porque não gosta do seu nariz? Quer fazer um tratamento capilar? Bom, você pode fazer isso. São formas de enfrentar e mudar as circunstâncias que nos incomodam. A partir desse ponto de vista, é algo positivo.

Porém, se não trabalharmos previamente a autoestima e a segurança, o desconforto não desaparecerá e encontraremos outros motivos para não estarmos satisfeitos. Além disso, devemos entender que precisamos mudar por nós mesmos, e não para agradar aos outros.

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  • Naranjo Pereira, María Luisa (2007). Autoestima: un factor relevante en la vida de la persona y tema esencial del proceso educativo. Revista Electrónica “Actualidades Investigativas en Educación”, 7(3),0.[fecha de Consulta 1 de Octubre de 2021]. ISSN: . Disponible en: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=44770311