Como tratar a menorragia?

21 Novembro, 2020
Tratar a menorragia é uma tarefa que deve ser assumida levando em conta as particularidades de cada caso. Nem todas as mulheres respondem da mesma forma às mesmas abordagens. A seguir, vamos falar sobre algumas opções disponíveis.

Para definir como tratar a menorragia, a primeira coisa que os profissionais de saúde procuram é identificar a sua origem. Esse distúrbio é definido como o aumento da quantidade de sangramento menstrual ou seu prolongamento excessivo.

É comum que a forma clínica esteja associada a uma alteração do ritmo menstrual, que seria a metrorragia. Nesse caso, o nome mais correto é menometrorragia. De qualquer forma, os tratamentos são os mesmos.

O que é a menorragia e quais são as suas causas?

A rigor, há um quadro de menorragia quando uma mulher menstrua mais de 80 mililitros de sangue em seu período menstrual. Esse é o limite técnico para estabelecer a patologia.

Quanto ao número de dias considerados para estabelecer que se trata de um sangramento prolongado, não há um consenso científico. Como regra geral, quase todos os protocolos de diagnóstico globais consideram mais de uma semana como anormal.

Podemos resumir as causas do distúrbio da seguinte forma:

  • Desequilíbrio hormonal: muitos hormônios estão envolvidos no ciclo menstrual; portanto, um pequeno desequilíbrio em qualquer um deles é suficiente para causar mais ou menos sangramento. Pode ser um problema da tireoide, estrogênio, progesterona ou prolactina.
  • Miomas uterinos: a presença de miomas no útero é a causa da menorragia. Os miomas são tumores benignos de músculo na parede do órgão. Eles deformam a superfície do endométrio e fazem com que ele sangre mais.
  • Anticoagulação: mulheres com doenças de coagulação ou que são medicadas com anticoagulantes para outra patologia podem ter um sangramento muito abundante. Inclusive, elas correm o risco de sofrer de anemia ferropriva acentuada.
  • Perimenopausa: quando uma mulher atinge a idade em que cessam os ciclos menstruais, o ritmo costuma se alterar. Isso leva a mudanças na quantidade de menstruação, variando de estágios de amenorreia a períodos de sangramento abundante, os quais não coagulam de maneira correta. Para muitas, este é o anúncio do início da menopausa.
Ciclo menstrual
A menorragia ocorre quando o sangramento menstrual da mulher é mais intenso do que o normal.

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Como tratar a menorragia naturalmente?

Antes de abordar as formas medicinais de tratar a menorragia, deve-se mencionar que existem alternativas naturais para os casos leves. Entretanto, é necessário consultar um profissional de saúde para saber se esses métodos podem ser aplicados. O normal é que eles sejam usados apenas como complementos ao tratamento médico.

Hidratação

A menorragia leva à desidratação devido à perda de fluidos que acompanham o sangue. Principalmente nos dias do período menstrual, as mulheres com o transtorno devem aumentar o consumo de água.

Se o fizerem por meio de bebidas isotônicas, o benefício será maior. Uma bebida isotônica é aquela que tem a mesma concentração de eletrólitos que a do sangue. Desta forma, evita-se a desidratação silenciosa devido à reposição insuficiente.

Dieta para a anemia

Uma complicação associada à menorragia é a anemia. A perda de ferro pelo sangramento leva a formas de anemia de diminuição dos glóbulos vermelhos, levando à síndrome do cansaço extremo, fadiga, queda de cabelo, aumento da frequência cardíaca e pele pálida.

O recomendável é adotar uma dieta rica em ferro e vitamina C para ajudar a tratar a menorragia. Ambos os componentes ajudam a repor as perdas causadas pelo sangramento. Para isso, consumir frutas cítricas, brócolis, carne vermelha e espinafre é o ideal.

É importante manter um monitoramento médico caso seja detectada a anemia. Nesse caso, é importante fazer a correção através da alimentação ou com o uso de suplementos farmacológicos, para atingir os níveis de hemoglobina considerados normais.

Tratar a menorragia com medicamentos

Depois que o médico avaliar as causas da menorragia, ele poderá considerar as opções de tratamento. O profissional poderá prescrever métodos contraceptivos, que regulam o ciclo de maneira secundária, ou o uso de certos analgésicos e anti-inflamatórios com ação especial no aparelho reprodutor feminino.

Vamos examinar mais de perto essas maneiras de tratar a menorragia:

  • Contraceptivos: os hormônios usados ​​nos contraceptivos têm a capacidade de regular o ciclo menstrual. Isso ajuda as mulheres com menorragia, pois diminui a quantidade de sangue que eliminam a cada período menstrual. Isso vai depender da opção que cada uma escolher, mas métodos como pílulas, injetáveis ​​e adesivos oferecem resultados benéficos.
  • DIU hormonal: o dispositivo intrauterino de liberação de hormônio tem sido uma mudança de paradigma neste método anticoncepcional. É o DIU típico, mas impregnado com algum hormônio envolvido no ciclo menstrual. Suas características, em termos específicos, ajudam as mulheres com sangramento irregular.
  • Ácido mefenâmico: é um anti-inflamatório não esteroide que, por ter pouca ação analgésica em quase todos os tecidos, revelou-se um excelente analgésico para as cólicas menstruais. Também foi associado à possibilidade de reduzir a quantidade de sangramento em mulheres com síndromes menstruais dolorosas.
Pílula anticoncepcional
Um dos métodos de escolha para regular os períodos menstruais intensos é a pílula anticoncepcional.

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Quando devemos consultar um médico?

Os sintomas da menorragia são sempre reconhecíveis porque há um aumento da quantidade de sangue nos períodos menstruais. Deve-se consultar um profissional da saúde o antes possível, pois o processo de diagnóstico pode demorar.

Com o tempo, se as abordagens de tratamento não forem estabelecidas, poderão ocorrer quadros de anemia e alterações na qualidade de vida devido à dor ou falta de energia que o distúrbio traz. O médico definirá a melhor opção para regularizar o ciclo e corrigir as complicações associadas.

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