Como prevenir o contágio da legionelose?

Para evitar o contágio da legionelose é preciso tomar certos cuidados, principalmente durante o verão. Essa doença é causada por uma bactéria que gera sérias complicações de saúde.
Como prevenir o contágio da legionelose?
Leonardo Biolatto

Escrito e verificado por o médico Leonardo Biolatto.

Última atualização: 30 maio, 2022

A pneumonia causada pela bactéria Legionella é uma condição clínica grave com alta taxa de mortalidade. Isso leva à promoção de ações que possam prevenir o contágio da legionelose, a fim de reduzir sua incidência.

Esse microrganismo foi descoberto há pouco tempo, na década de 1970, após um surto ocorrido nos Estados Unidos. Esta epidemia se desenvolveu durante uma convenção, e graças a isso foi possível descobrir o método de transmissão. Leia mais para entender mais sobre o assunto.

O que é a pneumonia por Legionella ?

O principal agente causal da legionelose é a Legionella pneumophila. Essa é uma bactéria com afinidade por água estagnada e, dentro do corpo humano, pelos pulmões.

O microrganismo cresce e forma colônias em águas mornas com pouca circulação. Lá ele encontra um ambiente adequado para se desenvolver à vontade.

A partir de sua reprodução ela adquire a capacidade de viajar pelo ar em partículas aerossolizadas. Consequentemente, consegue flutuar da água estagnada e quente através dos dutos de ventilação dos edifícios, sejam eles com corrente de ar ou não.

Uma vez nesse local, o próximo passo é entrar em um hospedeiro humano. Durante o surto inicial nos Estados Unidos, as pessoas adquiriram o germe por inalação do ar saído do ar condicionado de onde estavam se reunindo.

No entanto, nem todos podem desenvolver a pneumonia por Legionella. Ela é mais comum entre pessoas com fatores de risco que são expostas a um ambiente popício.

A Legionella pneumophila é o agente causal da legionelose. De forma específica, esta bactéria leva à pneumonia.

Fatores de risco para o contágio da legionelose

Em primeiro lugar, a pessoa deve ser exposta a uma fonte de Legionella. Isso acontece em situações particulares e explica, em certa medida, o que deve ser feito para evitar o contágio da legionelose.

Locais turísticos, como hotéis ou centros de convenções, são ambientes propícios. Especialmente os edifícios que combinam grandes sistemas de ventilação com piscinas e saunas interligadas.

O mesmo ocorre no caso de banheiros compartilhados. O exemplo por excelência são as piscinas públicas ou lotadas em clubes. Portanto, essa é uma patologia que deve ser prevenida, principalmente no verão.

As pessoas internadas em clínicas não estão isentas, seja qual for a causa da sua permanência no hospital. Sondas, respiradores e outros materiais podem ser contaminados pelos dutos de ar desses edifícios.

Em segundo lugar, é preciso mencionar as condições individuais que aumentam o risco. As pessoas com maior probabilidade de desenvolver pneumonia por Legionella são:

  • Fumantes.
  • Pacientes pulmonares crônicos com DPOC ou asma.
  • Imunocomprometidos ou imunossuprimidos.
  • Pacientes oncológicos.

Medidas para prevenir o contágio da legionelose

A prevenção do contágio da legionelose tem duas arestas. De um lado estão as medidas de higiene que os proprietários e administradores de edifícios com espelhos d’água devem tomar; do outro, temos as recomendações pessoais para indivíduos que podem estar expostos à bactéria.

Cuidado da água

Sabendo que a Legionella se multiplica na água morna, entende-se que saunas e banheiras de hidromassagem são locais propícios para a reprodução da bactéria. Por isso, nos hotéis e centros de turismo e lazer que possuem esses elementos, as medidas sanitárias são fundamentais.

Os Centros de Controle de Doenças (CDC) sugerem um plano de gestão da água que inclui ações específicas. Elas geralmente incluem o seguinte:

  • Projetar a circulação dos líquidos para que não haja estagnação.
  • Limpar frequentemente piscinas, saunas e banheiras de hidromassagem.
  • Desinfetar as áreas ao redor dos espelhos d’água
Cuidado da água.
Em épocas como o verão, o risco de contrair legionelose aumenta devido a visitas a piscinas, saunas ou banheiras de hidromassagem.

Cuidados com o ar

Devido ao fato de que, para evitar o contágio da legionelose, os fluxos de ar nos edifícios devem ser regulados, foram estudadas medidas que tendem a reduzir a dispersão da bactéria. Ar condicionados estruturais, por exemplo, devem ser desinfetados antes de serem colocados em operação, e controlados periodicamente.

No dos carros não há problema, pois este tipo de ar condicionado não usa água. Mas, por outro lado, os sistemas de umidificação por nebulização que algumas empresas instalam para o verão precisam de atenção.

Cuidados pessoais

Para quem passa férias em grandes hotéis com piscina, o ideal é garantir que a empresa escolhida atenda às normas sanitárias. O mesmo se você frequentar clubes ou restaurantes com umidificação artificial.

Essas normas são mais fáceis de cumprir em casa do que em outras instalações, pois o volume de água é menor. Basta uma desinfecção básica e para evitar que a água fique estagnada.

Atenção no verão!

Prevenir o contágio da legionelose se torna importante na temporada de verão, pois a busca por fontes de água é maior e utilizamos mais locais com ar condicionado. Por isso, é fundamental aumentar o cuidado nesta época do ano.

Algumas responsabilidades são dos negócios, hotéis, centros de convenções, bares, clubes e escritórios. Outras são pessoais e individuais, principalmente entre pessoas com fatores de risco.

Pode interessar a você...
Existem bactérias nos pulmões?
Melhor Com Saúde
Leia em Melhor Com Saúde
Existem bactérias nos pulmões?

Sintomas como dor no peito, dificuldade para respirar, febre, náusea e vômito são indicativos da presença de bactérias nos pulmões.



  • Fliermans, C. B., et al. “Ecological distribution of Legionella pneumophila.” Applied and Environmental Microbiology 41.1 (1981): 9-16.
  • DE, MC, MA MOSSO ROSA, and C. Ullán. “El aire: hábitat y medio de transmisión de microorganismos.” Observatorio medioambiental 5.2002 (2002): 375-402.
  • Izquierdo, Enrique Gea. “Evaluación del desarrollo de Legionella pneumophila mediante el análisis de materiales de sistemas de distribución de agua.” (2009).
  • Bédard, Emilie, et al. “Legionella pneumophila levels and sequence-type distribution in hospital hot water samples from faucets to connecting pipes.” Water research 156 (2019): 277-286.
  • Romay-Lema, Eva, et al. “Neumonía comunitaria por Legionella pneumophila: estudio de 136 casos.” Medicina Clínica 151.7 (2018): 265-269.
  • Gea-Izquierdo, Enrique. “Métodos de desinfección del agua y su implicación en la legionelosis.” Tecnología y ciencias del agua 9.3 (2018): 29-46.
  • Ciofi-Silva, Caroline Lopes, et al. “Presión ambiental negativa de aire en el área de limpieza del centro de materiales y esterilización: revisión sistemática.” Revista Latino-Americana de Enfermagem 24 (2016).
  • Abu Khweek, Arwa, and Amal O. Amer. “Factors mediating environmental biofilm formation by Legionella pneumophila.” Frontiers in cellular and infection microbiology 8 (2018): 38.
  • Hamilton, Kerry A., et al. “Risk-based critical concentrations of Legionella pneumophila for indoor residential water uses.” Environmental science & technology 53.8 (2019): 4528-4541.