Como é o diagnóstico da DPOC?

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma patologia que evolui se o tratamento adequado não for estabelecido. Por isso, o diagnóstico oportuno torna-se essencial.
Como é o diagnóstico da DPOC?

Última atualização: 07 Abril, 2021

Saber como é feito o diagnóstico da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma tarefa que corresponde aos profissionais médicos. Em todo caso, o paciente deve compreender o processo que leva a um conhecimento aprofundado da patologia, pois quanto mais cedo tiver certeza da mesma, melhor será o prognóstico a longo prazo.

Quais critérios são levados em consideração? Quais são os exames usados ​​para confirmar o quadro? A seguir, falaremos mais sobre isso. Também lhe daremos algumas recomendações para lidar com a doença caso receba um diagnóstico positivo.

O que é a DPOC?

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) consiste na obstrução das vias aéreas, de forma crônica e progressiva, com especial ênfase na saída do ar para fora do corpo. São cinco os quadros clínicos que podem derivar nesta condição:

  • Asma: inflamação da mucosa brônquica de origem autoimune ou alérgica.
  • Bronquite crônica: espessamento da parede dos brônquios por mais de 3 meses.
  • Enfisema: formação de bolsas de ar dentro dos pulmões que o retêm e evitam a sua expulsão.
  • Atelectasia: também conhecida como colapso pulmonar.
  • Fibrose cística: doença genética em que os pacientes produzem um muco espesso que bloqueia os dutos do corpo, incluindo os do pulmão.

Quais métodos são usados ​​no diagnóstico da DPOC?

Quando a DPOC é diagnosticada, é porque vários métodos complementares foram solicitados. Em geral, não há um único determinante. Ou seja, o médico conta com radiografias, espirometrias e exames de laboratório.

O primeiro passo é a suspeita. O paciente se consulta diante de uma tosse constante, ora produtiva ora não, com episódios repetitivos e até chiado quando tenta expirar. Em seguida, procede-se à solicitação dos estudos que explicaremos a seguir.

Mulher com dor no peito
O primeiro passo para diagnosticar a DPOC é a presença de sintomas como a tosse persistente e o chiado no peito.

Espirometria

A espirometria é um exame diagnóstico para a DPOC que é um dos primeiros e mais eficazes na determinação da doença. Fornece uma série de dados precisos que classificam a complexidade evolutiva e permitem planejar um tratamento adequado.

Para isso, o paciente deve soprar um pequeno tubo em diferentes momentos, de acordo com as instruções do operador do dispositivo. É solicitado que faça isso em um segundo, com mais ou menos força, após uma inspiração forçada ou em condições normais de respiração.

Tudo isso mobiliza o ar, que é medido em volume e tempo pelo aparelho, que faz contas matemáticas e uma curva de expiração. Os médicos interpretam esses dados para saber se a pessoa tem dificuldade em expelir o ar.

Existem diretrizes clínicas que classificam os resultados de acordo com um consenso internacional, então é possível determinar, com a espirometria, se alguém tem DPOC leve, moderada ou grave.

Radiografia

A radiografia de tórax sempre foi um dos primeiros métodos complementares solicitados no diagnóstico da DPOC. Depois, foi deslocada pela espirometria e por outros estudos de imagem mais específicos que apareceram graças à tecnologia, como a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (MRI).

Atualmente, uma radiografia de tórax só ajudará a confirmar um estágio da doença, mas não será válida por si só. Nela, é possível ver um aumento na retenção de ar, bem como imagens sugestivas de espessamento nos brônquios.

Em caso de enfisema e atelectasia, os sinais são mais evidentes e menos sutis do que na asma ou bronquite crônica. No entanto, enquanto a espirometria existir, seria contraproducente confiar apenas nos raios-X.

Tomografia computadorizada

A tomografia axial computadorizada usa os mesmos princípios de radiologia que a placa torácica, mas fornece uma visão geral da área dos pulmões. Graças a sua maior precisão, esse método pode ser solicitado para avaliar a presença de outras lesões associadas no diagnóstico de DPOC.

O uso da TC não deve ser menosprezado. Em alguns casos, quando há suspeita de câncer de pulmão, esta é a primeira escolha para esclarecer dúvidas. Da mesma forma, se os sintomas do paciente forem consistentes com insuficiência cardíaca, proporcionará uma visão do coração para medir o seu tamanho.

Tomografia do pulmão
A tomografia computadorizada é útil para avaliar se os pacientes com DPOC apresentam algum tipo de lesão associada.

Gasometria arterial

A medida dos gases sanguíneos não é utilizada como exame diagnóstico para a DPOC, mas é mais uma ferramenta na classificação do paciente de acordo com a sua gravidade, ao fornecer dados em tempo real quando há complicações.

Se uma pessoa com enfisema for hospitalizada por causa de uma pneumonia adicional, a gasometria arterial determinará se o tratamento será realizado em terapia intensiva ou em uma sala comum.

Para fazer isso, um técnico de laboratório, ou médico, retira sangue de uma artéria acessível e depois o processa em aparelhos projetados para esse fim. Os resultados mostram quais concentrações de oxigênio e dióxido de carbono estão circulando.

Outros testes para o diagnóstico da DPOC

Entre os outros exames diagnósticos que podemos citar para chegar à certeza da DPOC, temos os exames laboratoriais. Há muita variabilidade aqui, dependendo da suspeita do profissional de saúde suspeita. Não é o mesmo supor que há uma bronquite crônica, que não se refletirá no sangue, e intuir a presença de uma fibrose cística.

A detecção da deficiência de alfa-1-antitripsina tornou-se uma recomendação quase constante nas diretrizes clínicas mais recentes. Embora esse problema genético fosse sempre associado à fibrose cística, os estudos mostraram que muitos pacientes com DPOC têm formas leves desse distúrbio hereditário e se beneficiariam de um tratamento adequado.

O que fazer diante do diagnóstico de DPOC?

Se o clínico geral chegou ao diagnóstico de DPOC, é porque já foram realizados os exames complementares necessários. Portanto, o médico tem certeza do nível de gravidade e indicará uma abordagem consistente com ele.

  • Os tratamentos combinam medicamentos orais e inalatórios, mudanças no estilo de vida e fisioterapia respiratória.
  • Parar de fumar é uma prioridade, assim como tomar cuidado com o contágio em épocas de alta circulação viral e bacteriana, como o inverno.

Hoje, a DPOC é controlável e a qualidade de vida melhorou muito em comparação com algumas décadas atrás. O acompanhamento deve ser rigoroso, mas não estamos mais enfrentando a fatalidade que as pessoas com enfisema enfrentavam, por exemplo.

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