Classificação dos sopros cardíacos

7 de janeiro de 2020
Os sopros cardíacos podem ser classificados conforme sua intensidade, sem tom ou sua localização. Em qualquer caso, costumam ser inofensivos, ainda que seja bom vigiá-los.

Os sopros cardíacos são originados por vibrações causadas por turbulências no fluxo sanguíneo ao passar pelo coração e pelos grandes vasos. Em outras palavras, são sons que aparecem durante o ciclo de batimentos do coração que produz um fluxo de sangue turbulento no próprio órgão ou em volta dele. Esses sons dos sopros cardíacos podem ser escutados com um estetoscópio.

Ademais, esta alteração pode ocorrer no nascimento ou ao longo da vida. No caso de se desenvolverem no nascimento, são denominados sopros cardíacos congênitos. Contudo, saiba que os sopros não são nenhuma doença, mas há que controlá-los, pois podem favorecer o aparecimento de algum problema cardíaco não diagnosticado.

Características dos sopros cardíacos

Auscultação do coração

As características dos sopros devem ser analisadas levando em consideração sua intensidade, frequência sonora, área de localização no tórax, bem como localização no ciclo cardíaco, ou seja, caso se produzam durante a sístole ou a diástole.

Ademais, o grau de intensidade do sopro está determinado pelo volume de sangue responsável pela turbulência no fluxo sanguíneo ou do gradiente tensional que tal turbulência causa. Ainda, é importante saber que o grau do sopro não se relaciona diretamente com a gravidade da lesão cardíaca. 

Como são classificados os sopros cardíacos?

A classificação mais utilizada foi introduzida por Levine no ano de 1933. Este profissional se baseou na intensidade, termo explicado anteriormente para poder classificar esta alteração cardíaca. Conforme Levine, existem 6 graus de sopros, sendo eles mais ou menos intensos:

  • O Grau 1: trata-se dos sopros suaves, difíceis de escutar. Dessa forma, para poder escutá-los é necessário auscultar vários ciclos cardíacos do paciente.
  • Grau 2: são sopros suaves, fáceis de auscultar.
  • O Grau 3: são moderados, não acompanhados de frêmito, ou seja, de vibrações palpáveis na parede torácica procedentes da passagem do sangue.
  • O Grau 4: são sopros intensos que vêm acompanhados por frêmito.
  • Grau 5: trata-se de sopros muito intensos. Podem ser escutados somente com o contato da borda do estetoscópio sobre o tórax.
  • Grau 6: são sopros tão intensos que podem ser escutados sem nem sequer apoiar o estetoscópio sobre a parede torácica.

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Outra classificação para os sopros

Coração com estetoscópio

Além da classificação conforme o grau de intensidade, também podem ser agrupados baseando-se em outras características apresentadas. Nesse sentido, se considerarmos a duração do sopro, o classificaremos em diastólico ou sistólico.

Baseando-se na forma, podem ser constantes, crescentes, decrescentes ou uma mistura destes dois últimos. Com relação a sua localização, refere-se ao lugar onde o sopro tem sua maior intensidade. Portanto, existem 6 pontos de ausculta na face anterior do tórax para identificar um sopro:

  • No segundo espaço intercostal direito.
  • Do segundo ao quinto espaço intercostal esquerdo.
  • No quinto espaço intercostal na linha meio-clavicular esquerda.

Além disso, podem se classificar baseando-se em sua irradiação. Esta característica refere-se ao local onde o sopro se irradia. Normalmente costuma dirigir-se em direção ao fluxo do sangue. Por fim, conforme seu tom, pode ser baixo ou alto. E com relação a qualidade, é uma característica especial que cada sopro pode ter, ou seja, pode ser musical, soprante ou contínuo, entre outras.

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Tratamento

Tratamento farmacológico dos sopros

O tratamento dependerá da causa subjacente ao sopro.

Normalmente, os sopros cardíacos são inócuos, por isso, não costumam necessitar de tratamento. Algumas vezes requerem alguns exames de acompanhamento para se assegurar de que não sejam causados por algum transtorno cardíaco grave não diagnosticado.

No caso de necessidade, o tratamento padrão é tratar a causa do sopro. Por exemplo, se os sopros funcionais estão sendo produzidos por alguma doença como a febre ou o hipertireoidismo, estes desaparecerão assim que a infecção seja tratada.

Algumas vezes, as causas dos sopros não podem ser tratadas somente com medicamentos e é necessário recorrer à cirurgia. Conforme a afecção, o médico pode recomendar uma destas opções para tratar uma válvula danificada ou perfurada:

  • Valvuloplastia com balão.
  • Atriocavoplastia.
  • Reparação do suporte estrutural.
  • Cirurgia de coração aberto.
  • Reparação das valvas de uma válvula.

Em qualquer caso, e ante a suspeita de sopros cardíacos, o mais aconselhado é procurar um médico de imediato. O profissional avaliará o problema e determinará como tratá-lo.

  • Tamariz-Martel Moreno, R. (2008). Los soplos cardíacos en la infancia. Pediatria Integral.
  • Díaz, H. S., Danglot-Banck, C., & Gómez, M. G. (2002). Soplos cardíacos patológicos en los niños. Revista Mexicana de Pediatria.
  • Ruiz-Berdejo Iznardi, C. (2015). Soplo sistólico inocente: importancia diagnóstica. Cardiología Pediátrica y Cardiopatías Congénitas Del Niño y Del Adolescente.