Atosiban: indicações e advertências

09 Outubro, 2020
O uso de atosiban por algumas mulheres pode levar à ruptura prematura das membranas. Os benefícios do parto tardio devem ser avaliados em relação ao risco potencial de corioamnionite.

O atosiban é um medicamento administrado por via intravenosa para retardar o parto prematuro. Ele deve seu efeito à capacidade de inibir a ação da ocitocina e da vasopressina, dois hormônios que intervêm no processo de parto, induzindo-o.

Ele inibe a ação da ocitocina no útero, o que causa uma inibição das contrações uterinas. Foi desenvolvido na Suécia e apareceu pela primeira vez na literatura em 1985.

Indicações do atosiban

Mulher monitorando contrações

Como mencionamos no início do artigo, este medicamento é indicado para retardar um parto prematuro iminente. É utilizado, sobretudo, em mulheres que apresentam algumas das seguintes situações:

  • Contrações uterinas regulares com duração de pelo menos 30 segundos e com frequência maior ou igual a 4 contrações a cada 30 minutos.

Causas do parto prematuro

Muitas vezes, as causas do nascimento prematuro não podem ser claramente identificadas. Geralmente isso ocorre devido a uma combinação de fatores, como:

  • Doenças maternas anteriores: como diabetes, hipertensão e doenças da tireoide ou glândulas renais.
  • Infecções.
  • Estresse psicossocial.
  • Idade da mãe: o risco de parto prematuro aumenta se a mulher tiver menos de 18 anos e mais de 35 anos.
  • Substâncias nocivas ou tóxicas específicas.
  • Distúrbios no desenvolvimento do feto.

No entanto, também existem outros fatores externos que podem aumentar o risco de parto prematuro. Isso inclui, por exemplo, consumo excessivo de nicotina e álcool.

É importante observar que o risco de aborto espontâneo pode ser reduzido se as mulheres grávidas comerem alimentos saudáveis ​​e não se esforçarem demais.

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Cuidados ao usar atosiban

O uso de atosiban por algumas mulheres pode acarretar uma ruptura prematura das membranas. Os benefícios do parto tardio devem ser avaliados em relação ao risco potencial de corioamnionite.

A corioamnionite é uma infecção do líquido amniótico e das membranas que o contêm. O líquido amniótico é um líquido que envolve e amortece o embrião e o feto no desenvolvimento do saco amniótico.

Esse fluido permite que o feto se mova dentro da parede do útero sem que esta fique muito perto do corpo do feto. Além disso, também fornece sustentação hidráulica.

Ainda não existem estudos a respeito do tratamento com o atosiban em pacientes que sofrem de problemas renais, como insuficiência renal. O mesmo vale para a insuficiência hepática. Por esse motivo, deve-se tomar um cuidado especial com este tipo de paciente.

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Outros dados de interesse no tratamento com atosiban

Medicamentos durante a gravidez

Para mulheres com várias gestações e idades gestacionais de 24 a 27 semanas, a experiência clínica com o uso deste medicamento é limitada.

A razão para isso é que o número de pacientes tratados com atosiban é muito pequeno. Portanto, o resultado dos estudos realizados nesse grupo populacional é bastante incerto.

O mesmo vale para a eficácia de re-tratar uma mulher que já havia sido tratada com este medicamento, ou seja, um retratamento.

Portanto, no caso de retardo de crescimento intrauterino, a decisão de continuar ou reiniciar a administração desse medicamento vai depender da avaliação da maturidade fetal.

Por outro lado, durante o período de tratamento com atosiban e em caso de contrações uterinas persistentes, os médicos devem considerar o monitoramento dessas contrações e da frequência cardíaca fetal.

Em gestações múltiplas, medicamentos como os pertencentes ao grupo de bloqueadores dos canais de cálcio ou betamiméticos estão associados a um aumento significativo no risco de edema pulmonar.

Portanto, este medicamento deve ser usado com cautela em casos de gravidez múltipla e/ou em conjunto com outros medicamentos que aumentem o seu efeito.

Conclusão

Comi vimos, o atosiban é um medicamento que tem efeitos opostos à ocitocina, um dos hormônios que preparam o corpo para o parto.

Por esse motivo, ele é utilizado em tratamentos para prevenir partos prematuros. No entanto, é extremamente importante conhecer os riscos e precauções que devem ser tomados ao iniciar um tratamento com este medicamento.

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