Adesivos transdérmicos: características e usos

03 Janeiro, 2020
Os adesivos transdérmicos começaram a ser usados ​​maciçamente há algumas décadas. Têm grandes vantagens sobre outras vias de administração de medicamentos, mas existem poucos ingredientes ativos que podem ser administrados através deles.

Os adesivos transdérmicos, também chamados de emplastros transdérmicos, têm seus antecedentes em medicamentos que, desde tempos imemoriais, eram aplicados na pele. Linimentos, emplastos e pomadas já eram usados ​​na Grécia antiga, como forma de administrar medicamentos.

No século XIX surgiu a tese de que a pele era impenetrável para alguns medicamentos. Isso permaneceu até o século XX, quando foi possível provar que era possível administrar vários medicamentos através da pele. Com o tempo, os adesivos transdérmicos se desenvolveram e se mostraram muito funcionais.

Os adesivos transdérmicos fazem parte dos chamados “sistemas de liberação terapêutica controlada”. E são baseados no princípio postulado por John Urquhart, criador do primeiro adesivo cutâneo, segundo o qual a eficácia terapêutica de uma substância não depende da dose, mas da velocidade e do grau de absorção.

O que são os adesivos transdérmicos?

Os adesivos agem sobre a derme e epiderme

Os adesivos transdérmicos são dispositivos usados ​​para administrar medicamentos. Estes são fixados à pele por um adesivo e liberam um medicamento continuamente, para que seja absorvido pela pele. Ou seja, através das sucessivas camadas da pele, até atingir o sangue.

Para que um medicamento seja administrado através da pele, deve atender a certas características. As moléculas que o compõem devem ser lipofílicas (isto é, capazes de transportar lipídios) e de baixo peso molecular.

Da mesma forma, devem ter uma grande potência farmacológica. Isso ocorre porque o corpo só será capaz de absorver uma pequena quantidade de produto através de adesivos transdérmicos. No máximo 10 miligramas por dia.

Leia também: Administração de medicamentos por via nasal

Características e funcionamento

Os emplastros transdérmicos são compostos por quatro partes:

  •  Uma folha de revestimento impermeável.
  •  Uma matriz ou reservatório de substância ativa, onde o medicamento está alojado.
  •  Um adesivo.
  •  Uma folha de plástico, que é removida antes de aplicar o adesivo.

Alguns adesivos diferem de outros, principalmente pela maneira como o medicamento é armazenado e pela maneira como sua liberação ocorre. A partir desse ponto de vista, existem basicamente três tipos de sistemas transdérmicos:

  •  Sistemas de reservatório ou depósito. A substância ativa é dispersa em outra substância e é liberada através de uma membrana. Esta pode ser de polipropileno, copolímero de etileno vinil acetato ou membrana não porosa.
  • Sistemas de matriz. A substância ativa é encontrada em uma matriz e é liberada por difusão, sem a ajuda de uma membrana semipermeável.
  • Sistemas mistos. Estes combinam os dois sistemas anteriores.

Usos dos adesivos transdérmicos

Adesivo transdérmico na barriga

Atualmente existem várias doenças, sintomas e problemas que podem ser tratados por adesivos transdérmicos. Entre estes: diferentes tipos de dor, dependência de tabaco, doença de Alzheimer, doença de Parkinson e várias outras aplicações.

As substâncias ativas mais frequentemente administradas sob a forma de sistemas de patches transdérmicos são as seguintes:

  • Nitroglicerina. Principalmente para prevenir a angina.
  • Fentanil e buprenorfina. São opioides usados ​​para fins analgésicos.
  • Nicotina. Para ajudar a superar a dependência do tabaco.
  •  Etinilestradiol + Norelgestromina. Que possuem efeitos contraceptivos.
  • Estradiol, noretisterona. É usado como tratamento hormonal durante a menopausa.
  • A testosterona. Para tratar os efeitos da menopausa cirúrgica.
  • Rotigotina.Para o tratamento do mal de Parkinson.
  • Rivastigmina. Para o tratamento da doença de Alzheimer.

Da mesma forma, existem vários adesivos transdérmicos usados ​​para fins cosméticos. Entre estes estão os redutores de gordura corporal, reafirmantes da pele e os anticelulíticos.

Você pode estar interessado em saber: Como preparar chá de alcachofra e cavalinha para combater a celulite

Outros fatos interessantes

A Food and Drug Administration (FDA) alertou sobre medicamentos com os quais é necessária uma cautela especial quando administrada por via transdérmica. Estes são basicamente os contraceptivos, os analgésicos, os opioides e a rivastigmina.

As principais vantagens desses patches são:

  •  Em primeiro lugar, facilitam a administração de medicamentos em pessoas que têm dificuldade em tomá-los por via oral ou por outras vias.
  •  Ademais, oferecem níveis mais consistentes e estáveis da droga no sangue.
  •  Além disso, impedem a metabolização da droga através do fígado, limitando assim vários efeitos colaterais.
  •  Às vezes, estes permitem reduzir a frequência de administração e melhoram a complacência da dosagem.

Em conclusão, a principal desvantagem desses adesivos é que às vezes produzem uma reação alérgica da pele. Da mesma forma, quando uma reação adversa aparece, leva mais tempo para desaparecer. Por outro lado, estes emplastros também podem ser esteticamente desconfortáveis ​​e estão limitados a apenas um pequeno grupo de drogas.

  • Allevato, M. A. (2007). Sistemas terapéuticos transdérmicos. Act Terap Dermatol, 30, 154-165.
  • Miyahira Yataco, C. S., Herrero Ballestar, J. V., & Tudela, L. L. (2011). Indicaciones de los parches transdérmicos de los derivados opioides. FMC Formacion Medica Continuada En Atencion Primaria. https://doi.org/10.1016/S1134-2072(11)70014-7
  • Schulmeister, L. (2014). Parches transdérmicos: Medicamentos con músculo. Nursing (Ed. Española). https://doi.org/10.1016/s0212-5382(06)71019-6