Tratamento da retenção urinária pós-operatória

A retenção urinária pós-operatória tem uma incidência de 12% a 50%, dependendo das características de cada paciente, do tipo de cirurgia e da anestesia utilizada.
Tratamento da retenção urinária pós-operatória

Última atualização: 20 Fevereiro, 2021

Neste artigo falaremos sobre o tratamento da retenção urinária pós-operatória, uma condição bastante comum em pacientes idosos, especialmente após cirurgias abdominais e ortopédicas. Tem uma incidência que varia entre 12% e 50%, dependendo das características de cada paciente, do tipo de cirurgia e da anestesia.

Os fatores de risco mais comuns são imobilidade, dor, medicamentos, idade avançada e ser do sexo masculino. No entanto, em todos os casos, o histórico urológico deve ser considerado.

Causas da retenção urinária pós-operatória

Causas da retenção urinária pós-operatória

A retenção urinária é uma complicação pós-operatória comum. É observada com alta frequência em pacientes submetidos a intervenções de reparo perianal e hérnia. As causas da retenção urinária pós-operatória podem ser diversas e incluem:

  • Obstrução do trato urinário inferior: causada por imobilidade, impactação fecal ou cirurgia.
  • Hipocontratilidade da bexiga: relacionada aos medicamentos utilizados.
  • Lesão do nervo parassimpático pélvico: em alguns tipos de cirurgia pélvica.

É aconselhável tentar evitar a colocação de um catéter vesical permanente. Para isso, recorre-se a micções programadas e reeducação vesical.

Além disso, durante a internação hospitalar, pode ocorrer a retenção urinária, especialmente se os pacientes forem idosos frágeis ou com comprometimento funcional pélvico.

Quais são os sintomas associados?

Quando há retenção urinária pós-operatória, a área parece estar cheia e dolorida. A percussão suprapúbica revela a existência de sensibilidade. Além disso, pode haver sintomas como:

  • Incapacidade de urinar.
  • Dor suprapúbica e inquietação.
  • Inchaço abdominal.
  • Bexiga cheia e urgência para urinar.
  • Calafrios, tremores, suor e dor de cabeça.

Diagnóstico

Exame de urina

Para o diagnóstico, é feito um exame físico. Desconforto e dor no abdômen inferior podem indicar retenção urinária pós-operatória. A palpação e a percussão da área suprapúbica são outros métodos utilizados para o diagnóstico, embora não sejam muito sensíveis ao medir o volume urinário residual.

Por outro lado, o cateterismo da bexiga é usado tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento, enquanto o uso do ultrassom permite medir o volume contido na bexiga de uma maneira muito exata. Por esse motivo, se o volume for maior que 600 ml, a sonda é indicada.

Em que se baseia o tratamento da retenção urinária pós-operatória?

Na maioria dos casos, a retenção urinária pós-operatória é uma anormalidade reversível. Aparece devido à falta de coordenação dos músculos do trígono e detrusor como consequência da dor e desconforto pós-operatório.

Geralmente, o problema é solucionado através do uso de uma sonda. Os princípios gerais do tratamento da retenção urinária aguda são a colocação inicial de um cateter reto ou de Foley. Isso é feito especialmente em pacientes idosos e submetidos a uma ressecção prévia, pois eles podem não conseguir perceber a sensação de sensibilidade causada pela retenção.

O uso de medicamentos colinérgicos, combinado com um sedativo, pode ajudar. Para evitar a retenção aguda, é essencial conhecer o tempo decorrido desde a última micção até o momento presente. A maioria dos pacientes não deve passar mais de 6 ou 7 horas sem urinar.

Fatores de risco para a retenção urinária pós-operatória

Esses são alguns fatores de risco que favorecem a retenção urinária após uma operação. Isso não significa que, se o paciente tiver algum deles, ele sofrerá da doença, apenas que as chances de desenvolvê-la aumentam.

  • Idade e sexo: ela é mais comum em pacientes com mais de 50 anos.
  • Tipo de cirurgia: a incidência da retenção urinária pós-operatória é inferior a 4%, embora possa ser superior a 80% em processos como a artroplastia do quadril.
  • Comorbidades: especialmente doenças neurológicas, como acidente vascular cerebral, poliomielite, esclerose múltipla, lesões na coluna vertebral, bem como neuropatia diabética e alcoólica.
  • Medicamentos: inúmeros medicamentos utilizados no período perioperatório podem interferir na função da bexiga. Agentes anticolinérgicos, como a atropina, bloqueiam as contrações musculares detrusoras da bexiga necessárias para a micção. Por esse motivo, podem causar hipotonia vesical e retenção urinária pós-operatória.
  • Fluidos intravenosos: a quantidade de fluidos intravenosos pode influenciar o desenvolvimento da condição. Em certas cirurgias, como a cirurgia anorretal, se forem administrados mais de 750 ml, isso pode aumentar o risco de retenção urinária no pós-operatório.
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