Tratamento com opioides para dor oncológica

13 de novembro de 2019
Os opioides permitem controlar a dor oncológica mais intensa. No entanto, têm numerosos efeitos colaterais e devem ser usados com cuidado. Não perca este artigo!

A dor oncológica é aquela que aparece em pessoas com câncer. É uma dor intensa e incapacitante que pode surgir devido à pressão do próprio tumor, pelo tratamento contra este ou pelas alterações do sistema imunológico, entre outras causas.

Hoje em dia, o câncer é um dos problemas de saúde mais importantes em nosso meio. No Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas morrem a cada ano de câncer. Além disso, de todos os pacientes com câncer em tratamento, estima-se que quase 40% experimentem dor no câncer.

Infelizmente, nos estágios finais do câncer, essa dor aparece em quase 80% dos pacientes. É uma situação complexa e difícil de resolver. Cada pessoa responde de certa forma a um determinado tratamento e muitos deles são drogas muito potentes.

No entanto, atualmente muito progresso está sendo feito nesse campo e, pouco a pouco, novas diretrizes de tratamento estão surgindo. Neste artigo, explicamos o tratamento com opioide para a dor do câncer.

Em que consiste o tratamento da dor oncológica?

Como já mencionamos, o tratamento da dor oncológica deve ser individualizado. Ou seja, deve ser especialmente adaptado à cada paciente, pois depende do tipo de câncer sofrido, do que o está causando e até da percepção da dor de cada pessoa.

No entanto, existe um padrão geral de tratamento da dor do câncer, dependendo de sua intensidade. É uma escala que foi determinada pela Organização Mundial da Saúde. De menor a maior intensidade de dor são utilizados os seguintes grupos de medicamentos:

  • Analgésicos simples, como paracetamol e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): são usados ​​em pessoas que sofrem de dor leve. Os mais utilizados são o ibuprofeno ou naproxeno.
  • Para pacientes que sofrem de dor moderada, o segundo passo do tratamento são os opioides fracos: nesse grupo, encontramos a codeína, o tramadol ou a di-hidrocodeína.
  • Quando a dor é muito intensa são usados opioides muito fortes: o mais comum é a morfina, mas a metadona ou o fentanil também são usados.Uso dos opioides

Para classificar a dor, é necessário fazer uma boa avaliação do paciente. Para isso, são utilizadas as chamadas escalas de dor. Nas escalas de dor, pontuações são atribuídas a diferentes aspectos da dor para classificá-la, entre leve e insuportável.

Normalmente, nessas pessoas a dor é produzida por mais de um mecanismo. Por isso, pode ser necessário combinar vários medicamentos. É importante estar ciente de que, infelizmente, mais da metade dos pacientes acaba precisando de medicamentos na terceira etapa.

O que são os medicamentos opioides?

As drogas opioides são aquelas que foram obtidas do ópio e que também atuam nos receptores cerebrais chamados de receptores opioides. E estão distribuídos por todo o sistema nervoso central e periférico.

O que essas drogas fazem é unir esses receptores e reduzir os estímulos nervosos. Assim, diminuindo a velocidade do estímulo, a transmissão da dor não ocorre.

No entanto, deve-se ter em mente que esses medicamentos têm inúmeros efeitos colaterais. Antes de tudo, é importante notar que grande parte dos opioides, como a morfina, produz dependência.

Da mesma forma, estes podem aumentar a sensação de cansaço e fraqueza. Outro risco é que sejam associados à uma depressão do sistema respiratório. Por isso deve-se ter muito cuidado com a dose e sempre devem ser usados sob prescrição médica.

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Qual é o padrão de tratamento da dor oncológica com opioides?

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Segundo passo: opioides fracos

Como já indicamos, os medicamentos mais usados ​​nesse passo são o tramadol e a codeína. Eles podem ser administrados de diferentes maneiras: para que sua liberação seja atrasada ou para que ajam diretamente. E também podem ser combinados com outros medicamentos, como os AINEs.

No caso da codeína, por exemplo, geralmente é tomada por via oral. Inicialmente, o paciente pode tomar 30 mg à cada 4 ou 6 horas. No entanto, não é recomendável que se tome mais de 60 mg à cada 4 horas. Também não deve ser usada em pacientes com problemas de fígado ou rins. 

Terceiro passo da dor oncológica: opioides fortes

Esses medicamentos são reservados para casos em que a dor oncológica é quase intolerável. O mais usado é a morfina. Isso ocorre porque esta pode ser usada por várias vias, como por exemplo, pela via subcutânea.

Além disso, a morfina não possui “teto analgésico”. Ou seja, quanto mais dose é administrada, maior a sua eficácia. De fato, o limite da dose é marcado por seus efeitos colaterais, uma vez que uma overdose deste medicamento pode causar a morte.

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Em conclusão

O tratamento com opioide para a dor oncológica é complexo e deve ser escolhido de acordo com as características de cada paciente, seu estado de saúde e gravidade da doença. Por isso, deverá ser sempre um médico que escolherá e decidirá qual deve ser a indicação e diretriz a ser seguida.

 

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