Dois hospitais espanhóis provam remédio contra câncer desenvolvido no país

· 5 de junho de 2017
Foram testados pacientes com tumores avançados, mas este novo medicamento de administração local poderia se utilizar também para combater o câncer em suas primeiras etapas

Segundo notícias recentes, dois hospitais espanhóis estão provando um fármaco contra o câncer, que é cem por cento espanhol.

O novo tratamento vai ser provado com um máximo de 24 pacientes com tumores sólidos de mal prognóstico.

A primeira fase nesta pesquisa contra o câncer

Luta contra o câncer

A pesquisa está sendo desenvolvida no Hospital Gregorio Marañón e na Clínica Universitaria de Navarra.

Na primeira fase deste tratamento contra o câncer, cinco pacientes com tumores de mal prognóstico, nos quais outros tratamentos não funcionaram, já começaram a se tratar com o fármaco em questão (BO-112).

Estes cinco pacientes seriam os primeiros de um grupo entre 12 e 24 doentes oncológicos que participarão na primeira fase deste ensaio clínico.

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Um medicamento de origem espanhola

Este medicamento começou a ser gerado no Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO) e está se desenvolvendo nos citados centros sanitários de Madrid e de Pamplona.

Ainda que seja um medicamento de origem espanhola, não demorará em se internacionalizar.

  • Quanto aos prazos, os primeiros resultados destes estudos seriam divulgados no mês de junho.
  • Nesse mês será celebrado o próximo congresso da Associação Americana do Câncer, o principal encontro onde são apresentados os principais avanços da oncologia.
  • Sua comercialização poderia começar dentro de três ou quatros anos.

A imunoterapia

Trata-se de um dos processos que está revolucionando o tratamento de alguns cânceres.

Ao invés de lutar diretamente contra as células tumorais como faz a quimioterapia clássica, ataca a doença com as defesas naturais do organismo.

Com isso não só se estimula o sistema imunológico, como também lhe ensina a identificar as células malignas.

Com o treinamento adequado, nossas defesas naturais poderão continuar atuando contra o tumor. A imunoterapia consegue reduzir o tumor com menos efeitos secundários ao reduzir os danos colaterais aos tecidos saudáveis.

Com estes avanços tem-se mudado, pouco a pouco, o prognóstico de tumores como o melanoma e o câncer de pulmão.

Tipologia de tumores para um fármaco espanhol

Mulher com câncer sorrindo

Já existiam vários medicamentos de imunoterapia no mercado e este novo fármaco espanhol desenvolvido pela CNIO se soma a esta lista.

No começo foi orientado para tumores sólidos (câncer de mama, pulmão, ovário, fígado, melanoma, endócrinos, sarcomas…), que são os mais comuns.

Nos ensaios realizados foram doentes com tumores palpáveis e acessível de mal prognóstico (entre eles, melanomas com metástases cutâneas).

No que se refere à administração do medicamento, será feita por meio de uma injeção direta no tumor, guiada com ultrassom para depositar o medicamento localmente.

Detalhes sobre o novo medicamento

Esta terapia de criação espanhola vai ser testada em pacientes que já receberam sem sucesso todos os tratamentos disponíveis, incluídas outras formas diferentes de imunoterapia.

Uma vez que este novo medicamento contra o câncer demonstre sua efetividade, poderá ser usado em outras fases precoces da doença, inclusive antes de fazer uma cirurgia.

O nome do fármaco, BO-112, denominação de forma prévia a sua posterior comercialização, já nos sugere que é um produto em fase experimental. Porém, as expectativas sobre ele são altas.

Seria o primeiro medicamento que combina duas vias de ação com muito potencial contra o câncer: a imunoterapia e a chamada autofagia, mecanismo que mereceu o Nobel de Medicina de 2016 para o cientista japonês Yoshinori Ohsumi.

Este fármaco espanhol não tem porque agir sozinho. Poderá ser combinado futuramente com outras imunoterapias.  Também estão experimentando estas opções em diferentes ensaios clínicos.

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Um projeto entre o público e o privado

Paciente controlando câncer de mama

Estes ensaios são uma excelente amostra do que pode ser uma colaboração público-privada.

No ano de 2010, o Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO) deu a licença do fármaco a uma empresa emergente espanhola, uma pequena biotecnológica que nasceu desse acordo, Bioncotech.

Estas pesquisas, realizadas no CNIO, foram dirigidas por Marisol Soengas, chefe do Grupo de Melanoma de Bioncotech.

“Os cientistas geralmente têm poucas oportunidades de ver como os resultados de laboratório se aproximam de modo direto ao paciente. Este ensaio clínico é fruto do esforço da colaboração de pesquisadores de múltiplas disciplinas, com uma equipe fantástica liderando a Bioncotech. Desde o CNIO estamos muito orgulhosos deste grande passo”.

Como vimos, os resultados destes ensaios se apresentarão no maior congresso de oncologia do mundo, o da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), que se celebra em Chicago de 2 a 6 de junho.

 

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