Tratamento da retenção urinária pós-parto

04 Março, 2020
A causa mais comum da retenção urinária pós-parto é a falta de relaxamento do assoalho pélvico. Felizmente, existem tratamentos específicos para combatê-la, como veremos a seguir.

A bexiga neurogênica atônica pós-parto é a incapacidade de eliminar a urina de forma espontânea em um período de 6 a 12 horas posteriores ao parto vaginal. A retenção urinária pós-parto pode piorar por uma episiotomia especialmente dolorosa ou por um parto instrumental.

Por esse motivo, é muito importante manter uma boa analgesia e adotar as medidas adequadas. Assim, será possível promover a recuperação do tônus de relaxamento do assoalho pélvico e uma posterior micção correta.

Tipos retenção urinária pós-parto

Grávida sendo examinada

A retenção urinária pós-parto pode ser classificada como:

  • Sintomática: identificada pela capacidade de eliminar a urina acompanhada de mal-estar.
  • Assintomática: neste caso, a retenção urinária no pós-parto é identificada por um volume muito alto de urina residual. O volume será igual ou maior a 150 ml, posterior à micção espontânea no primeiro dia do pós-parto.

Fatores de risco de sofrer de retenção urinária pós-parto

A seguir, mencionaremos uma série de fatores de risco que favorecem o aparecimento da doença. Entretanto, o fato de a paciente apresentar algumas destas condições não significa necessariamente que vá sofrer de retenção urinária no pós-parto. Significa apenas que a probabilidade de que isso ocorra será maior.

  • Duração prolongada da primeira e segunda etapas do parto.
  • Parto instrumental ou assistido.
  • Anestesia epidural.
  • Ser mãe primípara, ou seja, de primeira viagem.

Além disso, outros fatores de risco da retenção urinária pós-parto assintomática são a episiotomia e o peso do recém-nascido.

Quanto mais cedo for detectado o problema, melhores serão as chances de prevenir os efeitos adversos do parto. Também será possível estabelecer tratamentos adequados para a recuperação da função vesical.

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Diagnóstico

Na maioria das vezes, o diagnóstico da retenção urinária pós-parto é somente sintomático. Ele é feito quando a paciente é incapaz de eliminar a urina espontaneamente entre 6 a 12 horas depois do parto.

Nas primeiras 12 horas após o parto deve haver a primeira micção espontânea, tanto das mães que já tiveram um parto vaginal espontâneo quanto depois de um parto instrumental. Entretanto, depois de uma cesárea, a primeira micção deve ocorrer nas primeiras horas após o parto.

Tratamento da retenção urinária pós-parto

Quando a micção voluntária não ocorre depois do parto, é administrado um tratamento analgésico e anti-inflamatório. O procedimento ocorre da seguinte maneira:

  • Primeiramente, será realizado o esvaziamento vesical com sonda descartável. Então, será avaliado o volume de diurese e será indicada a administração de líquidos.
  • Se não houver micção espontânea nas próximas 3 ou 4 horas, será necessário realizar uma segunda sondagem vesical com material descartável.
  • Entretanto, se depois deste segundo procedimento a paciente necessitar de uma terceira sondagem vesical, está será feita com uma sonda permanente que se manterá durante uma semana.

Tratamento farmacológico

Tratamento farmacológico para problemas no pós-parto

Também é possível tratar o problema com um medicamento denominado Tebetane Composto® em cápsulas. São três aminoácidos e um complexo denominado phytosterol extraído do Prunus arborea. Este fármaco possui uma acentuada ação anti-inflamatória e a capacidade de descongestionar o aparelho urogenital.

Composição de cada cápsula

  • Glicocola 45mg.
  • Ácido L-Glutâmico 265mg.
  • Alanina 100mg.
  • Complexo phytosterol do Prunus arborea 30mg.
  • Excipientes: compril, sílice coloidal, estearato de magnésio.

Indicações

O Tebetane Composto® está indicado, por exemplo, na síndrome de congestão pélvica, na tensão pré-menstrual, na retenção urinária pós-parto, em pós operatórios ginecológicos e como profilaxia nas complicações urinárias.

Na verdade, este medicamento também está indicado no tratamento dos sintomas da cistocele (ocorre quando uma parte da bexiga se projeta para a vagina). Também é utilizado na congestão genital por problemas prostáticos, como prostatite aguda ou crônica.

Além disso, também é indicado no tratamento das sequelas derivadas da adenomectomia e do adenoma de próstata. Entretanto, o Tebetane Composto® também pode ser utilizado em tratamentos preventivos nas pessoas idosas, em doses mensais.

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Posologia

A duração do tratamento e a posologia vão ser definidas pelo médico que acompanha o caso. Os tratamentos preventivos em doses mensais são opcionais.

Atualmente, não existem contraindicações para este fármaco, e nem efeitos colaterais. Ele é compatível com qualquer outro medicamento e não apresenta risco de intoxicação.

No caso de sobredose ou de ingestão acidental, deve-se consultar o “Disque-Intoxicação” da Anvisa ou conversar com o seu médico para tirar dúvidas e obter orientações.

Lembre-se de que as referências deste artigo possuem caráter puramente informativo. Portanto, é indispensável a consulta e orientação médica antes de utilizar qualquer medicamento

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