5 chaves para prevenir a síndrome do coração partido

Até bem pouco tempo, a síndrome do coração partido se classificava como um início de infarto. No entanto, é um aumento temporário de substâncias que afetam diretamente o músculo cardíaco.

Última atualização: 27 Janeiro, 2019

A síndrome do coração partido é uma cardiopatia com os mesmos sintomas de um infarto. Entretanto, seu índice de mortalidade é muito baixo e, além disso, ela pode ter um gênero favorito: a mulher.

Longe do poético que possa parecer, a miocardiopatia de Takotsubo, também conhecida como “síndrome do coração partido” ou disfunção apical transitória, pode ser o efeito de um impacto emocional de alta intensidade ou até de uma situação de estresse.

As pessoas que a sofrem têm a forte impressão de que estão sofrendo um infarto.

De fato, a equipe médica pode empregar o mesmo protocolo na hora de dar uma resposta rápida, no entanto, no momento em que são realizados os exames pertinentes, descobre-se algo curioso.

O coração se deformou. É uma leve contração do ventrículo esquerdo que confere ao coração a forma de cone.

Essa cardiopatia foi descrita pela primeira vez no Japão, na década de 1990, e ao notarem esse formato os médicos se lembraram dos recipientes usados pelos pescadores japoneses para caçar polvos.

Daí surgiu o nome: miocardiopatia de Takotsubo.

Estamos, portanto, diante de um tipo de realidade que afeta muito mais pessoas que pensamos. É necessário conhecer seus sintomas, e aprender a prevenir esse tipo de doença cardíaca.

Explicaremos a seguir.

O que é e quais sintomas apresenta a síndrome do coração partido?

A síndrome do coração partido é um tipo de miocardiopatia descrita há pouco mais de vinte anos. O fato de que ela tenha aparecido há tão pouco tempo nas revistas médicas não significa que não existia antes.

  • O que acontecia é que, ao ter os mesmos sintomas de um infarto, acabava sendo rotulada como um “princípio de infarto” ou um simples aviso.
  • No entanto, desde que começamos a dispor de mais exames diagnósticos, teve-se plena certeza de que se tratava de algo diferente.

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A revista especializada The New England Journal of Medicine publicou, em 2015, um interessante estudo em que explicava as características básicas da síndrome do coração partido.

Seriam as seguintes:

Não há insuficiência cardíaca

As pessoas que sofrem da síndrome do coração partido podem receber alta ao final de uma semana, sem saber muito bem o que aconteceu.

  • Tiveram os mesmo sintomas de um infarto, mas em nenhum momento apareceu um coágulo de sangue bloqueando a artéria.
  • Na realidade, trata-se de um mal temporário. Quando uma pessoa sofre um impacto emocional em seu corpo, é produzido um aumento da liberação de certos hormônios, como por exemplo a adrenalina.
  • Um aumento desmedido da adrenalina afeta o músculo cardíaco, nunca as próprias artérias coronárias.
  • O ventrículo esquerdo adquire, durante um tempo limitado, uma forma cônica como consequência dessa alteração, desse impacto.
  • O que a pessoa sente então é uma forte pressão, dificuldade para respirar, enjoos, suores frios e uma dor no peito.

Como podemos prevenir a síndrome do coração partido

Assim como destacamos no início, esta cardiopatia afeta, em maior grau, as mulheres.

O doutor Ilan Shor Wittstein, da Universidade John Hopkins, de Baltimore (Estados Unidos), é um dos maiores especialistas nesse transtorno do coração.

  • Segundo suas pesquisas publicadas no estudo antes citado da revista The New England Journal of Medicine, as mulheres que já chegaram à menopausa têm um maior risco de sofrer da síndrome do coração partido.
  • Esse aumento da adrenalina e da noradrenalina no sangue traz um impacto emocional, atuando como um tipo de veneno para o coração. Algo que se vê com maior frequência no gênero feminino.

O que essas catecolaminas fazem de forma temporária é atacar o músculo do coração, mas nunca as células. Assim, para evitar que possamos nos ver nessas situação, devemos ter em conta os seguintes conselhos:

1. Após a menopausa, temos que aprender a controlar nosso estresse

Nossos hormônios, ao longo de todo o ciclo fértil, nos permitirão ser muito mais resistentes diante de uma situação de estresse e de ansiedade. No entanto, com a chegada da menopausa, a coisa muda e é necessário começar novas estratégias.

É claro que ninguém é imune a uma má notícia, a uma decepção. No entanto, o que podemos fazer é “treinar” nossa mente e nosso corpo para que qualquer desequilíbrio em nosso entorno não nos “rompa” de forma tão intensa.

  • Pratique ioga ou meditação.
  • Dedique duas horas por dia a si mesma, passeia, medite, gerencie qualquer pequeno problema para que não se torne uma grande bola de neve.

2. Meia hora de exercícios por dia

Nosso propósito é o seguinte: conseguir que o músculo de nosso coração seja mais forte e resistente. Para isso, nada melhor que um pouco de exercício aeróbico.

Não hesite em sair para caminhar, dançar, nadar…

3. Grupos de apoio: a importância do alívio emocional

As boas amizades são um autêntico remédio para o coração. Necessitamos, acima de tudo, dispor de alguém com quem possamos ser sinceros, com quem ter o alívio catártico que nos permite liberar tantas tensões.

O fato de sabermos que somos entendidos, apoiados e ouvidos é vital em nosso dia a dia.

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4. Boa alimentação, bons hábitos de vida

No que se refere à síndrome do coração partido, o plano emocional e o adequado gerenciamento de nossas tensões são, sem dúvida, peças fundamentais.

  • Para garantir que o coração se recupere o quanto antes, é necessário investir em bem-estar.
  • Consuma frutas frescas, verduras, sobretudo alimentos de cor vermelha, violeta ou alaranjados. São os que mais nos oferecem antioxidantes para cuidar do coração.

5. Priorize-se: a importância dos check-ups periódicos

Sua família é o mais importante para você. Você se preocupa a cada dia por eles, cuida deles e faz o possível para que sejam felizes.

  • No entanto, lembre-se disto: se você não se cuida, pode faltar-lhes a qualquer momento.
  • Não hesite em estabelecer check-ups regulares com seu médico. Monitore seu nível de colesterol, sua pressão arterial, seu peso, o nível de açúcar…

Todos estes são indicadores vitais de nossa saúde cardíaca. Priorize-se, viva a vida em outro ritmo, esse que se sintoniza da melhor maneira com o seu coração.

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