Petite mort: o que é e por que acontece?

04 Março, 2020
Durante o orgasmo, a atividade cerebral atinge seu pico e depois cai. A origem da conhecida "petite mort" ou "pequena morte", após o orgasmo pode estar nessa oscilação extrema.

A petite mort ou “pequena morte” se refere a um estado de desvanecimento que ocorre em algumas mulheres depois de terem atingido um orgasmo intenso.

Para muitos, é apenas um mito. No entanto, existem algumas evidências científicas para defender que, talvez, a petite mort realmente exista. Saiba mais detalhes neste artigo.

O que é a petite mort?

Mulher tendo um orgasmo

A petite mort é uma mudança na consciência feminina após um orgasmo. É tradicionalmente descrita como um desvanecimento ou perda de consciência.

Ela não foi exaustivamente estudada, e foi relegada aos reinos dos mitos sexuais e da espiritualidade. De fato, em muitas culturas, o orgasmo foi visto como uma espécie de transe espiritual.

No entanto, a ciência atual quis investigar as causas fisiológicas da “petite mort”. Desta forma, vários estudos mostraram que o eletroencefalograma realmente muda durante e após o orgasmo, e que a atividade cerebral é alterada.

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O que acontece no cérebro durante o orgasmo?

Mulher sentindo prazer

O momento do clímax ativa inúmeras áreas do nosso cérebro. Existem mais de 8.000 terminações nervosas no clitóris, cuja excitação, literalmente, causa um bombardeio de sensações no cérebro.

Um estudo realizado por cientistas da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade Northwestern, em Evanston (EUA), queria estabelecer como o orgasmo afeta o cérebro. De acordo com os autores, se a estimulação sexual for rítmica e suficientemente intensa, pode causar o que é chamado de “arrastamento neuronal”.

Em resposta à ativação do circuito de recompensa causado pelo prazer, o cérebro começa a ativar várias estruturas, como a amígdala, o cerebelo, o nucleus accumbens (liberação de dopamina) e a glândula pituitária (liberação de endorfinas e oxitocina).

Nesse sentido, essa superexcitação provoca um “transe sexual” no qual o córtex orbitofrontal lateral é inibido. Consequentemente, durante o orgasmo há um único foco para o cérebro: a sensação que é experimentada.

Desta forma, poderíamos quase afirmar que o sexo é, por si só, um estado alterado de consciência.

Não, o cérebro não “apaga” durante o orgasmo

A petite mort na masturbação

Durante anos a ciência acreditou que a atividade cerebral de algumas partes do cérebro feminino caía acentuadamente durante o orgasmo. No entanto, um estudo conseguiu mostrar que ocorre exatamente o contrário.

Depois de pedir a várias voluntárias que tivessem um orgasmo enquanto faziam uma ressonância magnética, os cientistas conseguiram chegar a uma conclusão. Durante o orgasmo, a atividade cerebral aumenta gradualmente até atingir seu pico, e depois cai.

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Petite mort: uma pequena morte?

Casal praticando a petite mort

Talvez a origem da chamada “petite mort” esteja nestas oscilações extremas (do ponto máximo ao relaxamento posterior) da atividade cerebral durante o orgasmo.

Não é de surpreender que, depois de um excesso de excitação em todos os sentidos, algumas mulheres experimentem um certo desvanecimento. Talvez elas precisem de alguns instantes para colocar sua atividade cerebral em ordem.

De qualquer forma, são muitos os benefícios do orgasmo feminino:

  • Permite dormir melhor.
  • Melhora o humor.
  • Aumenta a autoestima
  • Aumenta a tolerância à dor: o orgasmo feminino tem um efeito analgésico. Durante o clímax, o núcleo dorsal da rafe é ativado, liberando a serotonina, um hormônio que inibe a dor.
  • Reduz o estresse
  • É bom para o coração.

Portanto, não se preocupe: o orgasmo não implica nenhuma morte. Pelo contrário, é um prazer que também proporciona inúmeros benefícios fisiológicos e cerebrais. Em conclusão, seja acompanhado ou se masturbando sozinho, esse “transe sexual” é altamente recomendado.

  • Georgiadis JR, et al. “Regional cerebral blood flow changes associated with clitorally induced orgasm in healthy women”, Eur J Neurosci. 2006 Dec;24(11):3305-16.
  • Nan J. Wise, et al., “Brain Activity Unique to Orgasm in Women: An fMRI Analysis”, Journal of Sexual Medicine, November 2017, Volume 14, Issue 11, Pages 1380–1391
  • James G. Pfaus, Gonzalo R. Quintana, Conall Mac Cionnaith, Mayte Parada. “The whole versus the sum of some of the parts: toward resolving the apparent controversy of clitoral versus vaginal orgasms”. Socioaffective Neuroscience & Psychology, 2016; 6 (0) DOI: 10.3402/snp.v6.32578