O que é sinestesia?

14 de outubro de 2019
A sinestesia consiste na possibilidade de perceber o mesmo objeto ou coisa através de sentidos diferentes. Pesquisadores do Instituto Max Planck de Psicolinguística e da Universidade de Cambridge desenvolveram um estudo sobre esse conceito. 

 Por definição, sinestesia é a característica que define pessoas que possuem a capacidade quase única de misturar os sentidos. Ou seja, a possibilidade de perceber um mesmo objeto ou coisa através de sentidos diferentes. De fato, a origem do conceito de sinestesia vem das palavras gregas traduzidas como “juntas” e “sensação”.

A sinestesia é uma característica que apresenta muitas formas. Para aquele que é afetado, pode sentir um sabor na sua boca quando pronuncia uma palavra, bem como ver os sons de cores diferentes.

Essa característica muito especial geralmente se desenvolve durante a primeira infância. Profissionais estimaram que entre 2 e 5% da população apresenta experiências sinestésicas.

Da mesma forma, considera-se que a herança genética se torna importante no desenvolvimento dessa característica. Principalmente porque se sabe que essas experiências foram apresentadas há mais de um século nas mesmas famílias.

Atualmente, pesquisadores do Instituto Max Planck de Psicolinguística e da Universidade de Cambridge desenvolveram um estudo sobre os genes que podem causar essa singularidade.

Estudo atualizado da sinestesia 

Como mencionado anteriormente, a sinestesia é a visualização de uma sensação subjetiva própria de um sentido, que é determinada por outra sensação, que afeta um sentido diferente.

Essa série de sensações geralmente é muito comum em crianças pequenas, como explica Juan Lupiáñez, pesquisador do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Granda. Isso ocorre porque, nos estágios iniciais da vida o cérebro estabelece uma série de fortes conexões entre os sentidos.

É importante ter em mente que o número de casos em que crianças mais jovens apresentam sintomas de sinestesia é bastante alto. O pesquisador Juan Lupiáñez explica esse conceito com base na conectividade pronunciada no nascimento entre as diferentes áreas sensoriais.

Essas áreas, à medida que a pessoa amadurece, começam a desaparecer. Dessa maneira, cada um se especializa em um processamento sensorial específico. No caso de pessoas que apresentam sinestesia, no entanto, essas áreas não desaparecem progressivamente, mas evoluem. Mesmo na idade adulta.

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Tipos e modalidades 

A sinestesia não ocorre de forma única entre todos os que a desenvolvem. Em determinados estudos foram reconhecidas, até 80 variedades diferentes. Entre esses tipos pode-se descobrir uma grande variedade de conexões entre os sentidos.

Assim, deve ficar claro que nem todas as pessoas sinestésicas percebem a mesma coisa. A variedade de combinações é ampla. Entre as mais relevantes destacam-se os seguintes.

  • Dicionário gustativo. Que consiste em ser capaz de desenvolver o sabor nas palavras.
  • Grafema colorido. Nesse caso, a pessoa sinestésica associa letras e números a cores, além de poder humanizar os números ou combinar sons altos ou baixos com traços de personalidade.

É importante mencionar que todas essas percepções não precisam responder às leis da lógica. Em determinados casos, no entanto, a sinestesia se desenvolve se algum dos sentidos for danificado. Isso é tecnicamente chamado de “cores marcianas”.

O fenômeno se originou devido à uma pessoa nascida com daltonismo. Embora ela não pudesse ver, no significado usual da palavra, explicou em diferentes sessões com especialistas que via cores alienígenas.

Pessoa com sinestesia

Da mesma forma, a sinestesia também pode ocorrer como resultado de certos efeitos produzidos por drogas. A mescalina, por exemplo, ou o ácido lisérgico, são algumas das substâncias que podem causá-la. Quando as drogas são as que desenvolvem os efeitos, as experiências não são metafóricas, mas percepções reais.

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A sinestesia no dia a dia 

Há um grande número de pessoas que foram capazes de experimentar versões leves e esporádicas semelhantes à sinestesia. No entanto, para que a pessoa seja considerada sinestésica, essas percepções precisam ser involuntárias, automáticas e incontroláveis.

Independentemente disso, alguns profissionais associam a sinestesia à uma melhor memória. Isso ocorre porque, para o mesmo conteúdo mental, a pessoa sinestésica tem um número maior de vias de acesso.

Mulher pensando

Por outro lado, devido ao fato de que um grande número de artistas foi capaz de apreciar essa distorção cognitiva, os neurologistas se perguntam se também haverá uma certa relação entre sinestesia e criatividade.

Considera-se que os sinestésicos se destacam na área da cognição criativa. Isso significa que são mais hábeis em desenhar associações tangenciais e originais.

Ward, J. (2013). Synesthesia. Annual Review of Psychology. http://doi.org/10.1146/annurev-psych-113011-143840

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