O que é a adesão terapêutica?

1 de maio de 2019
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a não adesão do paciente aos tratamentos médicos traz sérias consequências aos enfermos e os prejuízos socioeconômicos são incalculáveis.

O tema da adesão terapêutica possui grande transcendência. O sucesso de um tratamento depende em grande parte da colaboração do paciente. O tema é bastante complexo já que são muitos os fatores que incidem nessa situação.

Mesmo assim, as causas e as consequências da falta de adesão terapêutica são múltiplas. Isso quer dizer que cada caso é diferente. Por este motivo, não é fácil compreender nem abordar este fenômeno. Vejamos então, o problema passo a passo.

O que é a adesão terapêutica

Paciente hospitalizado

A adesão terapêutica é o compromisso ativo e voluntário do paciente com o tratamento indicado pelo profissional da saúde. Seu objetivo é o de lograr um resultado específico. Tal compromisso, deve ser combinado entre o paciente e o médico.

A adesão terapêutica refere-se a um conjunto de condutas. Desde o ponto de vista do paciente, inclui o assentimento do plano de tratamento e a prática efetiva das indicações. Inclui também evitar as condutas de risco e a incorporação de estilos de vida consoantes com o propósito terapêutico.

Desde a perspectiva do médico, considera-se em primeiro lugar, a capacidade de estabelecer uma aliança positiva com o paciente. O profissional deve oferecer a ele, indicações claras e garantir de que sejam entendidas. Ao mesmo tempo, deve motivar o paciente para que a sua adesão ao tratamento seja voluntária.

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Fatores que influenciam a cooperação do paciente

Existem muitos fatores que poderiam promover um benefício, entretanto, pelo contrário, obstaculizam a adesão terapêutica. Entre os principais, se encontram:

  • Interação médico/paciente: refere-se à qualidade do vínculo. Quando essa relação for positiva, a adesão será maior. O fator essencial é a comunicação. Quanto mais claras e motivadas sejam as indicações, muito melhor.
  • O regime terapêutico: os elementos que mais influenciam são a complexidade da posologia e os efeitos secundários do tratamento. Os tratamentos com dose única são, é claro, os de mais fácil adesão. Por outro lado, quanto maiores forem os efeitos secundários, maiores também serão as dificuldades.
  • Características da doença: quando o tratamento alivia rapidamente os sintomas perturbadores, há maior adesão terapêutica. Já os pacientes assintomáticos, são os mais resistentes à adesão terapêutica.
  • Fatores psicossociais: as crenças, as atitudes, o estilo de vida e os valores são fatores que facilitam ou que obstaculizam a adesão. É de suma importância a percepção do paciente à eficácia do tratamento e do médico.
  • O ambiente social: se o paciente receber apoio do seu meio social, será mais fácil seguir as indicações médicas. Aspectos relacionados à religião e à atitude da família com respeito à saúde, às vezes influenciam notavelmente.

Consequência da não adesão terapêutica

Médico procurando a adesão terapêutica da paciente

A baixa adesão terapêutica provoca múltiplas consequências, principalmente clínicas e econômicas. Entretanto, este é um aspecto difícil de medir e analisar. A maioria dos pacientes evita comentar as suas transgressões. Geralmente os pacientes não são totalmente sinceros.

As consequências clínicas dependem do tipo de incumprimento do paciente. Às vezes, o tratamento nunca se inicia, enquanto que em outras ocasiões se interrompe depois de iniciado. As consequências disso dependerão, entre outros fatores, da doença e da condição do paciente.

Em geral, a falta de adesão também origina um aumento no custo da saúde. Ocasiona um aumento no número de hospitalizações e de visitas a centros de saúde e ao pronto-socorro. Também pode levar a mudanças nas prescrições e a uma maior necessidade de exames de diagnóstico.

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Como conseguir uma maior adesão terapêutica

Atualmente há muitas investigações com relação à preparação de estratégias para lograr uma maior adesão terapêutica dos pacientes. Apesar de que ainda não foi dita a última palavra com relação a isso, geralmente recomendam-se as seguintes medidas:

  • Simplificar, o mais que se puder, o regime de prescrição: quanto menos doses e menos fármacos se empreguem, muito mais fácil será conseguir a adesão do paciente.
  • Influência comportamental: compreende ações para modelar a conduta dos pacientes com relação ao tratamento. Inclui lembretes, seguimentos, recompensas etc.
  • Aspectos educativos: o paciente não só deve saber o que tomar e quando tomar, mas também porque é importante que o faça. Isso facilita que ele, voluntariamente, siga o regime prescrito sem nenhuma pressão.
  • Apoio familiar e social: inclui ações destinadas a brindar suporte social, como assistência domiciliária, gestão de ajuda para os gastos de remédios etc. Além disso, intervenção do meio social para que a sua participação seja maior.
  • Capacitação dos profissionais da saúde: isto é necessário, principalmente no que se refere à aprendizagem de técnicas de comunicação e motivação.

Todas essas estratégias devem aplicar-se de forma simultânea e coordenada. À medida que isso ocorrer, a adesão terapêutica será maior.

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