O papel do ácido láctico no exercício

· 8 de maio de 2019
É comum, principalmente no âmbito da medicina e do esporte, escutar falar do ácido láctico. Agora, você sabe do que é composto e quais são suas funções?

O ácido láctico, ou sua forma ionizada lactato, é um composto químico que desempenha importantes funções em diferentes processos bioquímicos como, por exemplo, a fermentação lática.

Saiba do que se trata…

Produção do ácido láctico

Exercício com pesos gera ácido láctico

O ácido láctico é produzido no músculo quando realizamos exercícios intensos.

O ácido lático é produzido, principalmente, nas células musculares e nos glóbulos vermelhos. Forma-se quando o corpo decompõe os carboidratos para formar energia quando os níveis de oxigênio são baixos. Estes são reduzidos durante o exercício intenso ou quando a pessoa tem uma infecção ou uma doença.

A fonte primária de lactato é a decomposição de um carboidrato chamado glicogênio. Esta substância é uma reserva natural do corpo, formada por várias cadeias de açúcar (glicose). Sua decomposição produz muita energia, por isso que é uma das fontes principais do músculo. 

No entanto, usar a glicose requer oxigênio, e é um processo mais longo. Portanto, em situações de elevada intensidade, as células encurtam o caminho e produzem energia mediante a fermentação. É menos efetiva, contudo é mais rápida.

Ainda que algumas células tenham a capacidade de utilizar o piruvato para obter energia, outras não podem fazê-lo. É por isso que o músculo é um dos tecidos em que se produz mais lactato. 

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O ácido láctico e os músculos

O ácido láctico é, na realidade, um combustível, não um produto de descarte. Os músculos o produzem deliberadamente, a partir da glicose, e o queimam para obter energia.

A razão pela qual os atletas podem se esforçar tanto e durante tanto tempo é o que treinamento faz com os músculos absorvam com mais eficiência o ácido láctico.

As células musculares são capazes de converter a glicose em ácido láctico. Em seguida, este é absorvido e utilizado por algumas organelas celulares chamadas de mitocôndrias, que são as encarregadas da produção de energia nas células.

As mitocôndrias têm uma proteína característica para transportar o ácido láctico para o seu interior. Por isso, o treinamento intenso faz com que a massa das mitocôndrias se duplique e que estas queimem mais ácido láctico. Por conseguinte, os músculos trabalham melhor.

O ácido láctico durante o exercício

Mulher cansada pelo exercício

À medida que se aumenta o exercício, mais células musculares são recrutadas. Com o treinamento, muitas células podem se adaptar para utilizar mais piruvato e, com isso, produzir menos lactato. Além disso, quando se aumenta o exercício físico, recrutam-se quantidades adicionais de fibras musculares.

Estas fibras são pouco utilizadas quando a pessoa está descansando ou realizando atividades leves. Muitas delas são de ativação rápida e não têm muita capacidade para converter o piruvato em energiaPor isso, muito piruvato se converte em lactato.

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O lactato: uma substância dinâmica

Quando se produz lactato, este tenta sair dos músculos e entrar em outros próximos, como no fluxo sanguíneo ou no espaço entre as células musculares, onde a concentração de lactato é menor.

Quando o lactato consegue entrar em outro músculo, possivelmente volta a se converter em piruvato para poder ser utilizado para obter energia aeróbica.

O lactato também é usado pelo coração como combustível. Por seu lado, pode ir para o fígado para tornar a se converter em glicose e glicogênio e voltar assim a recomeçar o ciclo.

Por fim, também pode viajar rapidamente de uma parte do corpo para outra. Inclusive, há evidência de que algumas quantidades de lactato voltam a se converter em glicogênio dentro dos músculos, sem ir necessariamente para o fígado.

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