O que é a neurossífilis e quais sintomas ela provoca?

A neurossífilis é uma doença grave que pode ter consequências catastróficas. Às vezes não provoca sintomas, por isso só é detectada quando é tarde demais. A melhor opção é preveni-la.
O que é a neurossífilis e quais sintomas ela provoca?

Última atualização: 15 Setembro, 2021

A neurossífilis é uma infecção bacteriana do cérebro ou da medula espinhal. É uma doença com risco de vida que é uma evolução da sífilis. Geralmente ocorre quando a doença subjacente não foi tratada.

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível que se desenvolve a partir do contato com as feridas de uma pessoa infectada. É causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. Com o tempo, pode levar à neurossífilis.

A diferença entre a sífilis e a neurossífilis é que esta última ataca o sistema nervoso. Além disso, seus sintomas são mais graves e as consequências podem até ser fatais. Em alguns casos, ela deixa sequelas permanentes.

Sintomas da neurossífilis

Complicações da sífilis
Quando a sífilis não é detectada e tratada precocemente, pode levar à neurossífilis.

Os sintomas da neurossífilis são altamente variáveis. Na verdade, há pessoas que não apresentam nenhuma manifestação da doença. Por outro lado, outros apresentam sintomas muito graves. Em geral, tudo depende dos nervos que foram atacados pela infecção e do seu grau de evolução. Os principais sintomas da neurossífilis são os seguintes.

Sintomas mentais

Uma pessoa afetada pela neurossífilis pode desenvolver um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Dificuldade de controlar as emoções.
  • Mudanças repentinas de humor
  • Mudanças de personalidade.
  • Problemas de memória
  • Depressão.
  • Psicose, com possíveis alucinações visuais ou auditivas.
  • Demência progressiva

Sintomas físicos

Entre os sintomas físicos mais comuns na neurossífilis, estão os seguintes:

  • Mudanças nas sensações nas extremidades.
  • Infecções nos olhos por sífilis ocular.
  • Anormalidades na marcha ou incapacidade de andar.
  • Dificuldade de coordenar o movimento.
  • Dor de cabeça.
  • Torcicolo.
  • Convulsões
  • Incontinência urinária
  • Vertigem.
  • Dormência nos dedos dos pés, pés ou pernas.
  • Tremores ou fraqueza

O que causa a neurossífilis?

A bactéria Treponema pallidum é a que dá origem à sífilis e, posteriormente, à neurossífilis. Esta última pode levar de 10 a 20 anos para se manifestar após o contágio. As bactérias são transmitidas quase exclusivamente por sexo oral, genital ou anal.

A sífilis também pode ser transmitida de mãe para filho durante a gravidez. Isso costuma ser fatal para o recém-nascido. Acredita-se que a neurossífilis seja mais comum quando a sífilis não é tratada, mas a ciência não sabe as razões exatas pelas quais ela ocorre em algumas pessoas e não em outras.

A maioria das pessoas com sífilis não desenvolverá neurossífilis. No entanto, a probabilidade é maior nos seguintes casos:

  • Mulheres grávidas.
  • Pessoas que têm HIV e são sexualmente ativas.
  • Aqueles que fazem profilaxia pré-exposição, ou PrEP, para prevenir o HIV.

Como a neurossífilis é diagnosticada?

A sífilis é detectada por um exame de sangue. No entanto, a neurossífilis não é tão fácil de identificar. Em geral, o diagnóstico é feito com base nos sintomas e na realização de um ou mais exames como os seguintes.

Exame físico

Normalmente, um exame físico é indicado para detectar alguns dos sintomas característicos. Entre eles estão alterações mentais, reflexos anormais, contrações musculares ou atrofia muscular.

Análise de sangue

Os exames de sangue só detectam a neurossífilis se ela já estiver em um estágio intermediário de desenvolvimento. Os testes podem ser solicitados para detectar a presença de substâncias produzidas pela bactéria que causa a doença.

Punção lombar

Este é um dos exames mais comumente usados para diagnosticar a neurossífilis. Envolve a inserção de uma agulha entre os ossos da região lombar e a remoção de parte da substância que envolve a coluna vertebral, ou “líquido cefalorraquidiano”. Ele é analisado em laboratório. Permite comprovar a presença da doença, determinar sua gravidade e planejar o tratamento.

Exames de imagem

Existem vários exames de imagem que podem ser feitos para diagnosticar a neurossífilis. Os mais utilizados são a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. Eles permitem que o cérebro, o tronco cerebral e a medula espinhal sejam examinados em busca de evidências de doenças.

Tratamentos disponíveis

Não existe um tratamento aplicável a todos os casos de neurossífilis. As medidas a serem seguidas dependerão dos danos que a doença causou em cada caso e do estado geral de saúde do paciente.

Porém, quando a neurossífilis é detectada em sua primeira fase, o tratamento a ser seguido é farmacológico. A penicilina deve ser administrada por via oral, intravenosa ou intramuscular. Normalmente, isso é feito continuamente por 10 a 14 dias.

Essa medida costuma ser acompanhada pela administração do antibiótico probenecida e da ceftriaxona, substância que prolonga o efeito antimicrobiano da penicilina. Em alguns casos, é necessário que a pessoa permaneça hospitalizada durante o tratamento. Se a pessoa tiver HIV, um tratamento diferente pode ser necessário.

Recuperação da neurossífilis e prognóstico

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A recuperação da neurossífilis é possível, desde que o tratamento seja realizado a tempo.

Terminado o tratamento, exames de sangue devem ser feitos após três, seis, 12, 24 e 36 meses para acompanhar a evolução do paciente. Além disso, punções lombares de controle são necessárias a cada seis meses.

O prognóstico da neurossífilis dependerá de quão cedo ela foi detectada, de que tipo é e de quanto dano causou ao corpo. Quando o tratamento é feito precocemente, a possibilidade de recuperação é muito alta. As medidas farmacológicas são eficazes e os problemas podem ser revertidos.

Se a neurossífilis for detectada tardiamente, o tratamento pode não ser eficaz para restaurar a saúde plena. Muitas vezes os efeitos causados pela infecção são irreversíveis.

Prevenção e estilo de vida

A primeira medida preventiva é evitar contrair a sífilis. Isso é conseguido com práticas sexuais seguras. O uso do preservativo reduz a possibilidade de contrair essa doença sexualmente transmissível, mas não protege de áreas não cobertas pelo preservativo.

É uma boa ideia que uma pessoa sexualmente ativa faça exames regularmente para detectar uma doença sexualmente transmissível. Isso é ainda mais importante se você tiver vários parceiros sexuais. É preciso lembrar que a sífilis e a neurossífilis muitas vezes não causam sintomas, e por isso podem passar despercebidas.

O sexo seguro é a melhor prevenção contra a neurossífilis

É muito importante que as pessoas se conscientizem da importância do sexo seguro. Essa prática é a melhor forma de evitar doenças sexualmente transmissíveis.

Sempre que houver suspeita de sofrer de uma doença sexualmente transmissível, o médico deve ser consultado para solicitar os exames adequados. Não se deve esquecer que o diagnóstico precoce da neurossífilis pode prevenir sequelas graves e até salvar vidas.



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