Misofonia: tudo que você precisa saber sobre este problema

12 Novembro, 2020
Conviver com a misofonia é extremamente difícil se estratégias adequadas não forem desenvolvidas para lidar com o problema. Esta condição rara nem sequer foi reconhecida como uma doença.

A misofonia é um daqueles sintomas que são invisíveis para os demais. Aqueles que sofrem com ela vivem uma verdadeira tortura por causa de atos insignificantes, como o som da mastigação de outra pessoa, a chuva caindo ou a ativação de uma caneta.

O pior de tudo é que muitos profissionais de saúde não dão crédito aos que apresentam a misofonia. Eles tendem a ser tratados como maníacos, bipolares ou esquizofrênicos.

Conviver com a misofonia é muito difícil, tanto pela incompreensão generalizada diante desse problema, quanto pelo fato de que o sofredor encontra os estímulos que não tolera a cada passo que dá. Além disso, essa sensibilidade seletiva ao som não tem um tratamento.

O que é a misofonia?

O termo misofonia significa ódio ou aversão ao som. É um transtorno em que há uma reação desproporcional de rejeição contra ruídos cotidianos. É definida como uma forma patológica de sensibilidade acústica.

Quando uma pessoa com esse problema ouve certos sons, ele ou ela sente irritação e uma vontade de gritar ou bater em alguma coisa. Respirar, ou até estalar os dedos, pode causar sentimentos de raiva, ansiedade e pânico.

Nem todas as pessoas com misofonia são sensíveis aos mesmos sonsComumente, sons relacionados com alimentos, como mastigar, beber ou engolir, são rejeitados. No entanto, outros ruídos, como o mexer de uma cadeira ou contato de um lápis com papel, também podem ser irritantes.

Sensibilidade ao barulho
Os pacientes com misofonia sofrem diariamente com ruídos insignificantes.

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Causas e sintomas

A misofonia só foi reconhecida pela comunidade médica na década de 1990. No entanto, é uma doença que ainda não é totalmente aceita pela ciência. Por enquanto, poucos médicos são considerados competentes para diagnosticá-la.

Tudo indica que há um problema neurológico em pessoas que sofrem dessa condição. De acordo com os dados disponíveis, esses indivíduos apresentam uma atividade incomum no córtex insular anterior. Aparentemente, há uma anomalia no processamento das emoções, derivadas da percepção.

Esse problema é categorizado como um sintoma, e não como uma doença em si. Geralmente aparece no final da infância, mas há casos em todas as idades. Além de uma sensibilidade seletiva extrema aos sons e da ansiedade que isso causa, não há outras manifestações visíveis dessa condição.

Não há evidências específicas para determinar se uma pessoa sofre de misofonia ou não. Isso é detectado pela reação de um indivíduo a certos sons. Embora muitas pessoas possam se aborrecer com certos ruídos, aqueles com essa doença têm reações desproporcionais.

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Vivendo com a misofonia

Mulher com misofonia
Não é fácil diagnosticar a misofonia, pois não há um teste diagnóstico específico para este transtorno.

A misofonia altera completamente a vida de uma pessoa. Uma das primeiras consequências é o isolamento social e a perda da rede de apoio familiar. Na medida em que a pessoa afetada é incapaz de tolerar sons cotidianos, quase sempre emitidos por outra pessoa, ela é forçada a ir embora para não sofrer o sentimento irritante e intenso da ansiedade.

A situação pode ser muito avassaladora e impedir que uma pessoa trabalhe fora de casa, pois isso significa se expor a sons intermináveis. A incapacidade de eliminar ruídos como o clique de um computador, ou a respiração de alguém, limita as possibilidades de integração social dos afetados.

Quem sofre do problema às vezes opta por usar fones de ouvido e ouvir música o tempo todo, pois a maioria não rejeita sons melodiosos. Isso permite que elas se abstraiam do ambiente. Alguns também usam fones com cancelamento de ruído.

Há algo que possa ser feito?

No momento, não há um tratamento para a misofonia. Ainda assim, há algumas pesquisas em andamento sobre o assunto.

Enquanto isso, é aconselhável que o interessado trabalhe no desenvolvimento de comportamentos adaptativos; ou seja, no desenvolvimento de estratégias para não se isolar socialmente, sem que isso implique ter que sofrer o tempo todo. A psicoterapia é muito indicada nesses casos.

A prática de técnicas de relaxamento e meditação também pode ajudar. Elas fornecem ferramentas eficazes para processar a ansiedade, uma vez que ela ocorre com frequência. É importante falar sobre o assunto com pessoas próximas a você, para que elas entendam esta condição e possam oferecer apoio quando necessário.

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