Como o barulho afeta o humor

26 Julho, 2020
O barulho afeta o humor e, obviamente, a saúde auditiva. Os efeitos do barulho variam deste provocar mau humor até causar surdez.
 

Nos últimos anos, a ciência concluiu que o barulho afeta o humor. Primeiro, cabe destacar que o ruído excessivo provoca surdez e que esse problema traz consigo um conjunto de dificuldades psicológicas adicionais.

Segundo, o ruído, por si só, constitui um estímulo agressivo para o cérebro. Sons como alarmes, buzinas, sirenes e similares são recebidos pelo organismo como um sinal de alerta, que é respondido igualmente com um estado de alerta. O resultado é um aumento do estresse, uma das principais maneiras por meio das quais o barulho afeta o humor.

Por outro lado, o excesso de sons causa uma super-estimulação no cérebro. Esse barulho está quase sempre presente simultaneamente ao desenvolvimento das atividades diárias. Isso significa que você precisa atender a diferentes frentes ao mesmo tempo e pode ter o seu desempenho cognitivo comprometido. Essa é outra maneira por meio da qual o barulho afeta o humor.

Como o barulho afeta o humor

O barulho das grandes cidades

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nível máximo de ruído não deve exceder 65 decibéis. Se esse nível for excedido, haverá um impacto negativo no comportamento social das pessoas. Especificamente, a ansiedade, a irritabilidade e a sensação de desamparo aumentam.

 

Da mesma forma, de acordo com os dados disponíveis, sete em cada dez pessoas afirmam que o barulho as impede de se concentrar. O barulho afeta o tempo de atenção e pode levar a problemas de memória e aprendizado a longo prazo. Além disso, a grande maioria das pessoas se sente de mau humor quando há muito barulho em seu ambiente.

Outra maneira por meio da qual o barulho afeta o humor se manifesta durante o sono. As pessoas precisam de um ambiente silencioso para adormecer. Se houver sons no ambiente, muitas vezes a insônia aparece ou o sono é interrompido. Isso tem várias consequências psicológicas e físicas.

Arquitetura aural

O termo arquitetura aural se refere a como o barulho afeta o humor. A ciência estabeleceu que as propriedades acústicas de uma casa, de um edifício ou de qualquer construção afetam diretamente as emoções das pessoas. É disso que trata a arquitetura aural.

Especialistas na área apontam que a maneira como uma estrutura é construída determina suas propriedades acústicas e, por sua vez, afetam diretamente o humor das pessoas. A arquitetura aural tem a ver com o design de cada local e os materiais com os quais é construído.

Um dos estudiosos sobre esse assunto é Trevor Cox, um engenheiro acústico da Universidade de Salford, em Manchester, Reino Unido. Ele ressalta que estruturas como a da Santa Sofia, na Turquia, têm uma estética tão acústica que, ao entrar nas instalações, você experimenta uma sensação de paz e espiritualidade.

 

Um estudo a esse respeito revelou que ouvir brevemente um tom de 110 Hz reduz a atividade nos centros de fala e transfere a atividade para as regiões do cérebro associadas à abstração e à criatividade.

Música e humor

Ouvir música alta

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A influência dos sons é tão importante que já existe uma área inteira dedicada ao estudo e à terapia baseada na música. Nesse sentido, um estudo realizado pelas universidades de Bari (Itália) e Helsinque (Finlândia) indicou que a música altera a bioquímica das emoções.

O estudo, publicado na revista Nature, indica que mudanças nos receptores de dopamina foram observadas com o estímulo musical. Esta pesquisa é uma primeira abordagem que busca moldar tratamentos não farmacológicos para transtornos do humor.

Atualmente, os tratamentos musicais têm mostrado benefícios em pessoas com Alzheimer e Parkinson, e os resultados são animadores. Portanto, se a música tem todo esse poder, fica claro que o som também pode afetar o humor na direção oposta.

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Prevenção e recomendações

As grandes cidades têm problemas com a poluição sonora e, idealmente, todos devem se comprometer a reduzir o nível de barulho em suas vidas diárias. Ações voluntárias, como não buzinar se não for necessário, evitar música alta ou abster-se de falar em tom muito alto ajudariam bastante.

Por fim, também é importante usar elementos de proteção auditiva quando alguém está em um ambiente com muito barulho que seja impossível de controlar. Da mesma forma, vale a pena buscar momentos de silêncio regularmente.

 
  • Galindo, M. (2003). La acústica en espacios religiosos católicos: iglesias Gótico-Mudéjares (Doctoral dissertation, Universidad de Sevilla).
  • Quarto, T., Fasano, M. C., Taurisano, P., Fazio, L., Antonucci, L. A., Gelao, B., … & Pallesen, K. J. (2017). Interaction between DRD2 variation and sound environment on mood and emotion-related brain activity. Neuroscience, 341, 9-17.
  • Herranz Pascual, K., & López Barrio, I. (2000). Modelo de impacto del ruido ambiental.