Listeriose durante a gravidez: o que você deve saber

25 de junho de 2019
O consumo de alimentos crus sem cozinhar pode provocar infecção por listeria. Por este motivo, as grávidas devem ter o cuidado de cozinhar muito bem os alimentos e optar por laticínios pasteurizados.

A listeriose é uma infecção bacteriana causada pela bactéria Listeria monocytogenes. Apesar de não ser habitual em pessoas saudáveis, pode ser muito grave em grupos de risco como as mulheres grávidas e em pessoas com o sistema imunológico debilitado.

Neste artigo, contamos tudo o que você deve saber sobre listeriose e gravidez.

A listeriose

A infecção por listeria, ou listeriose, é uma doença transmitida por alimentos. Trata-se da infecção por uma bactéria que normalmente está presente na natureza e que pode fazer com que os animais sejam seus portadores, além de contaminar verduras e hortaliças.

Por esses motivos, a listeria pode encontrar-se em:

  • Carnes e peixes crus
  • Frutas, verduras e hortaliças cruas
  • Laticínios não pasteurizados
  • Alimentos processados
  • Peixes defumados
As carnes cruas e a listeriose

Durante a gravidez, deve-se evitar completamente o consumo de alimentos crus onde pode estar depositada a listeria.

Entretanto, o cozimento e a pasteurização podem eliminar a bactéria, motivo pelo qual é recomendável que os grupos de risco cozinhem as carnes e verduras e evitem o consumo de leite ou outros laticínios não pasteurizados.

Por outro lado, devemos ter em conta também que a listeria pode aparecer inclusive nos alimentos que já foram cozidos. Aliás, pode aparecer e infectar depois do cozimento e antes de ser embalado ou consumido. Por isso, os alimentos prontos para o consumo (salsichas, embutidos, rosbife) podem ser também potencialmente perigosos.

Além disso, esta bactéria é capaz de sobreviver ao congelamento e à refrigeração e pode contagiar-se da mãe ao feto, sendo altamente perigosa para este. Por tal motivo, é indispensável que a mãe mantenha certas medidas a fim de evitar a infecção.

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Tipos de listeriose

A listeriose é uma das doenças de transmissão alimentar mais graves, apesar de que felizmente é rara. De acordo com a OMS existem entre 0,1 a 10 casos anuais no mundo todo. Entretanto, apesar de que o número de casos seja reduzido, a taxa de mortalidade é alta. Daí então, a importância da prevenção.

Existem dois tipos de listeriose:

  • Não invasiva. Trata-se de uma forma leve de infecção que provoca uma gastroenterite febril por listeria. Geralmente afeta pessoas saudáveis e, apesar de que não seja grave, pode chegar a ser até mortal para os grupos de risco no qual se encontram as mulheres grávidas.
  • Invasiva. Este tipo de listeriose é altamente perigosa, com uma taxa de mortalidade que pode chegar a 20 ou 30%. Aliás, entre seus sintomas se encontram a febre, as dores musculares, a septicemia e inclusive a meningite.

Com relação aos períodos de incubação, em ambos os casos é de uma a duas semanas. Entretanto, pode inclusive chegar a três meses, de maneira que é quase impossível detectar a infecção a tempo.

Listeriose e gravidez

A gravidez e a listeriose

Um dos principais riscos é o aborto espontâneo ou o parto prematuro, portanto, devemos prestar especial atenção a este grupo de risco.

A listeriose é especialmente perigosa durante a gravidez e não somente para a mãe. Aliás, a infecção pode ser contagiada ao feto que é especialmente vulnerável. Sendo assim, pode provocar:

  • Aborto espontâneo
  • Parto prematuro
  • Infecção do feto ou do recém-nascido
  • Morte do feto ou do recém-nascido. As estatísticas mostram que 22% dos casos de listeriose perinatal provocam a morte do feto ou do neonato.

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Como já mencionamos anteriormente, os sintomas geralmente aparecem depois de haver consumido o produto contaminado. Assim, dias depois, entre os sintomas poderiam observar-se:

A infecção pode aparecer durante qualquer momento da gravidez. Entretanto, é mais normal que apareça durante o último trimestre, já que o sistema imunológico da mãe pode estar levemente debilitado.

Com relação ao tratamento, é melhor iniciá-lo o antes possível. Neste sentido, se os sintomas aparecem é necessário a consulta imediata com o médico que, com um simples exame de sangue, poderá determinar se o problema se refere à infecção por listeria. Com o resultado positivo, o tratamento consistirá em administrar antibióticos que, ademais, ajudarão a prevenir a infecção do feto.

Prevenção

Evitar contaminação cruzada ao cozinhar

Quando cozinharmos, deveremos ter especial cuidado para evitar a contaminação cruzada entre alimentos já cozidos e entre os crus. Em geral, a OMS propõe 5 regras fundamentais para evitar a contaminação dos alimentos:

  • Manter a limpeza. É importante lavar bem os produtos, lavar as mãos antes de cozinhar e também manter a cozinha e a geladeira limpas.
  • Separar os alimentos crus dos cozidos. Assim, evitamos a contaminação cruzada entre eles.
  • Cozinhar completamente o alimento. Está comprovado que cozinhar um alimento a mais de 70 ºC contribui à inocuidade dos alimentos. Entretanto, devemos ter em conta que alguns requerem especial atenção, como é o caso, por exemplo, da carne moída.
  • Manter os alimentos a uma temperatura segura. Para isso, devemos evitar deixar os alimentos cozidos durante mais de duas horas à temperatura ambiente. Da mesma forma, também não devemos descongelá-los fora da geladeira e, sempre, respeitar as datas de validade.
  • Usar água e matérias primas seguras.  

Recomenda-se também evitar alimentos processados e embalados, porque no caso da listeria, ela pode estar presente nos alimentos não cozidos e não pasteurizados. Por tal motivo, como medida de prevenção é necessário evitar este tipo de produtos.

Então, além das medidas anteriores, as mulheres grávidas devem:

  • Evitar o consumo de laticínios não pasteurizados. Entre eles, queijos cremosos.
  • Antes de consumir, devem esquentar pelo menos a 70 ºC os frios e as carnes frias processadas: salsichas, embutidos, rosbife etc.
  • Evitar o consumo de peixes e carnes defumadas.
  • Guardar as sobras dos alimentos na geladeira antes que fiquem durante mais de duas horas a temperatura ambiente. Além disso, consumi-las no máximo 2 ou 3 dias depois de sua preparação.
  • Ler as embalagens dos produtos e seguir as indicações de conservação.

Conclusão

Em conclusão, a listeriose é uma infecção rara, mas não por isso devemos deixar de aplicar certas medidas para evitá-la. Aliás, no caso das mulheres grávidas, é preciso ter especial cuidado pois os efeitos sobre o feto poderiam ser mortais.

Finalmente, devem manter-se medidas corretas de higiene e evitar carnes e peixes processados, laticínios não pasteurizados e alimentos crus, especialmente carnes, verduras e hortaliças. Por outro lado, se você notar qualquer dos sintomas citados anteriormente, consultar sem perda de tempo o médico para iniciar um tratamento.

  • Laura Isabel Gramage – Córdoba et al. “Listeria y embarazo. A propósito de un caso”, Matronas prof., 2016, 17(2) e1-e3. https://www.federacion-matronas.org/wp-content/uploads/2018/01/cc-listeria-y-embarazo.pdf
  • Mateus T et al. “Listeriosis during Pregnancy: A Public Health Concern”, ISRN Obstet Gynecol. 2013 Sep 26;2013:851712. doi: 10.1155/2013/851712.
  • Véronique Goulet et al. “Incidence of Listeriosis and Related Mortality Among Groups at Risk of Acquiring Listeriosis”, en Clinical Infectious Diseases, Volume 54, Issue 5, 1 March 2012, Pages 652–660,https://doi.org/10.1093/cid/cir902