Lecitina: o que é e para que serve?

12 Outubro, 2020
Geralmente associada à soja como suplemento, lecitina é um termo genérico para se referir a um grande grupo de substâncias gordurosas. Entre outras coisas, é usada como ingrediente na indústria cosmética e alimentar.

A lecitina é um tipo de gordura encontrada em alguns tecidos do corpo e em algumas plantas. Quimicamente, é composta por fosfolipídios com ácido fosfórico, colina e glicerol, e mais um ou dois ácidos graxos.

Embora seu nome nos leve diretamente a pensar em suplementos dietéticos, a lecitina é uma substância natural. Faz parte dos nossos tecidos, dos tecidos de outros animais e de algumas plantas. Na verdade, é uma substância que geramos regularmente como resultado dos processos digestivos normais.

A primeira vez que a lecitina foi isolada foi em 1850, a partir da gema de um ovo. Curiosamente, seu nome deriva do termo “ovo” em grego: lekhitos. No entanto, ela pode ser obtida de várias fontes, incluindo algumas como as seguintes:

  • Soja.
  • Canola.
  • Algodão.
  • Sementes de girassol.
  • Ovo.
  • Outras gorduras animais.

Principais usos da lecitina

A lecitina tem muitos usos em campos muito variados. É utilizada na indústria alimentícia e farmacêutica para a fabricação de alimentos e cosméticos. Também pode ser tomada como suplemento ou usada em casa para preparar doces caseiros e outros pratos.

Lecitina como suplemento dietético

Lecitina de soja como suplemento

Um dos usos particulares mais difundidos da lecitina é como suplemento dietético. Nesse caso, a opção mais comum costuma ser a derivada da soja, que pode ser encontrada na forma de grânulos ou cápsulas de óleo. Também pode ser elaborada através de sementes de girassol ou da gema de ovo.

A lecitina possui uma composição nutricional e um conjunto de características que lhe conferem inúmeros benefícios para o nosso organismo. A seguir, detalhamos alguns deles:

  • Um dos mais conhecidos e para os quais os suplementos de lecitina são mais usados ​​é para o controle do colesterol no sangue: a lecitina pode diminuir os níveis de colesterol LDL e aumentar os níveis de colesterol HDL.
  • Auxílio digestivo em pessoas com colite ulcerosa. Por ser rica em fosfatidilcolina, nutre a camada mucosa do intestino. Foram observadas melhorias no processo digestivo desses pacientes, que geralmente possuem a mucosa intestinal delicada.
  • Durante a amamentação, a lecitina pode ser usada para prevenir problemas recorrentes nos dutos mamários, apesar de não ser eficaz para tratá-los. Ela recomendada pela “Fundação Canadense para o Aleitamento Materno”. Dessa forma, o leite perderia um pouco de viscosidade e a obstrução dos dutos seria menos provável.
  • Melhora as funções cognitivas graças à colina (uma das vitaminas do complexo B), que desempenha um papel importante no desenvolvimento do cérebro. Pode ajudar a melhorar a memória.
  • Possíveis benefícios durante a menopausa. Isso foi destacado em um estudo recente publicado no Nutrition Journal. Nesse estudo, foi possível notar uma redução da fadiga e um aumento dos níveis de de energia em um grupo de mulheres durante a menopausa. No entanto, mais pesquisas seriam necessárias a esse respeito.

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O uso da lecitina como ingrediente alimentar

As lecitinas, independentemente da sua origem, possuem capacidade emulsificante. Isso significa que são capazes de juntar dois líquidos que não se misturariam bem; por exemplo, o óleo e a água. Como resultado, os produtos alimentícios processados ​​ganham uma aparência uniforme e homogênea.

É comum encontrar emulsificantes em produtos como os seguintes:

  • Produtos de panificação, como bolos, doces ou pães – para evitar que ressequem ou estraguem rapidamente. Também ajudam a estender sua vida útil e fornecem uma textura mais macia e fofa.
  • Sorvetes: derretem mais lentamente e assumem uma textura mais lisa.
  • Queijos processados: permite que a parte líquida adicionada, geralmente água, fique bem ligada à parte gordurosa.

Seu uso é aprovado pela União Europeia como aditivo alimentar de acordo com o regulamento EC 1333/2008. Nas listas de ingredientes, podemos reconhecê-lo com o número E322.

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Benéfica para a pele

A propriedade emulsificante das lecitinas também tem sua utilidade na indústria cosmética. Graças a isso, costuma ser um ingrediente presente em muitos cremes. Permite obter uma textura lisa e homogênea.

Além disso, a lecitina é rica em antioxidantes, fósforo e vitaminas E e A. Portanto, é boa para manter a pele hidratada e flexível. Tem a capacidade de devolver a hidratação à pele e deixá-la macia, reduzindo a descamação e proporcionando flexibilidade.

Cremes para manter a hidratação da pele

Riscos e contraindicações

A lecitina é considerada pela Food and Drug Administration (FDA) e pela European Food Safety Agency (EFSA) como um ingrediente ou aditivo seguro, tanto em produtos alimentícios quanto em cosméticos. Além disso, seu uso é autorizado sem que sejam estabelecidas quantidades máximas.

O principal risco das lecitinas seria para pessoas com alergia a ovos ou soja. Se forem tomar suplementos de lecitina, os alérgicos devem estar bem informados sobre a sua procedência. Da mesma forma, é necessária a leitura dos rótulos de todos os produtos manufaturados, pois, como vimos, ela costuma estar presente em grande parte deles.

Na forma de suplemento, parece não haver outros riscos ou contraindicações se as doses indicadas forem respeitadas. No entanto, é sempre aconselhável obter os nutrientes dos alimentos e consultar especialistas antes de tomar qualquer suplemento, principalmente no caso de pessoas com doenças preexistentes ou que tomam medicamentos.

A lecitina não é apenas um suplemento para o colesterol

Embora esta seja uma das suas propriedades mais conhecidas, ela pode nos ajudar em muitas outras funções e situações quando tomada como suplemento.

Além disso, destaca-se pela alta capacidade de emulsificar texturas aquosas e oleosas, resultando em produtos mais homogêneos e macios. Graças a isso, seu uso como ingrediente é comum, tanto em alimentos quanto em cosméticos.

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