Dicas para uma futura mãe adotiva

· 14 de dezembro de 2018
A adoção é uma decisão transcendental, tanto para a criança quanto para a mãe ou para o casal que se decida pela adoção. É uma decisão que transforma a vida de todos como família. É um ato de amor.

Você está avaliando possibilidades parar decidir ser mãe adotiva? Que grande desafio decidiu assumir!

A adoção é, sem dúvidas, um processo complexo para todos. A família biológica, a criança em adoção e a família adotiva.

Há toda uma gama de aspectos legais, sociais, familiares, emocionais e biológicos. E estes estremecerão as vidas tanto da futura mãe adotiva quanto da criança que será adotada.

Esta decisão pode ter repercussões importantes em todos os níveis de sua vida, na de seu parceiro e na de sua família. Se você quer ser uma futura mãe adotiva, te convidamos a continuar a leitura.

Para que você quer adotar?

As razões que te levam a optar pela adoção são muito importantes. Não é o mesmo ser uma mãe ou casal que fez de tudo para engravidar sem sucesso, ou ser uma família com filhos que decide ter um novo integrante pela via da adoção.

Se você está marcada pela dor de não poder conceber, precisa viver o processo de luto que está implicado nesta frustração de não poder criar filhos próprios.

Então depois será o momento de empreender na complexidade de uma adoção.

Se você já tem filhos, tem a seu favor o fato de que conhece a experiência da maternidade.

Entretanto, tem um trabalho extra: seus filhos biológicos são parte do processo.

Portanto, você deve conversar com eles para que possam entender e aceitar a chegada de um filho adotivo na família.

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Como se preparar para ser mãe adotiva?

Apesar das diferenças legais que primam em cada país, a adoção é um processo que consome tempo, esforço e sem dúvidas, dinheiro.

Todas estas exigências podem ser muito esgotantes e estressantes. Elas tendem, inclusive, a pôr em dúvida a decisão que tomou de ser mãe adotiva.

É vital que você se informe com antecedência sobre as exigências do processo. Não só pelos aspectos legais, mas também pelo desgaste emocional que leva a demonstrar que você é a pessoa ideal para criar uma criança que já sofreu um processo de abandono.

Para a instituição que entrega uma criança para a adoção, o mais importante é conseguir uma família que possa proteger e dar opções ao pequeno.

Suas razões para adotar fazem parte do que quer assumir. Mas para a instância legal prevalece o bem-estar da criança sobre suas razões.

Tenha isso sempre em mente!

O amor é importante, mas…

Uma criança que é entregue para adoção vem com uma carga emocional importante.

Há todo tipo de histórias difíceis por trás dos motivos que levam uma mãe biológica a entregar um filho para a adoção.

A criança levará para dentro de sua casa esse histórico familiar. Assim, você deve estar preparada para entender e aceitar suas emoções.

Se você receber uma criança com poucos dias de nascida, com certeza será mais fácil.

Mas da mesma forma, há uma situação de abandono que essa criança, cedo ou tarde, deverá enfrentar e superar.

Toda criança adotada tem direito de conhecer sua origem e como mãe adotiva você deve estar disposta a aceitar isso.

Se você adota a uma criança maior, que vem de uma situação de maus tratos familiares ou que inclusive esteve em uma instituição, o processo se tornará mais difícil.

Amor e paciência às vezes não são o suficiente.

Talvez seja necessário recorrer a uma terapia familiar.

Isso te ajudará a criar os vínculos que precisam para se consolidarem como mãe e filho.

Revelarei ao meu filho que ele é adotado?

Quando você adota a um bebê de pouco tempo de nascido, embora você evite, as consequências que uma família biológica disfuncional pode deixar, em algum momento você passará pelo dilema de revelar ou não a origem da criança.

A crença de alguns pais adotivos de que é melhor manter a adoção em segredo, em geral, é errônea.

Você não priva a criança de nenhum sofrimento extra escondendo dela uma história difícil. Nem aumenta as possibilidades de ter um apego seguro com ela.

Uma criança adotada passará por muitas etapas de aceitação e rejeição a sua condição, desde o momento em que conhecer sua origem.

E quanto mais você conversar com seu filho, melhor será a integração familiar. Se você precisar de uma terapia profissional para isso, procure por ela.

Meu entorno aceitará meu filho adotivo?

Ao decidir se tornar mãe adotiva é preciso preparar seu entorno familiar para receber a criança

Se você já tem filhos, esta pergunta é crucial. Uma vez que a criança adotada se integrar à casa, a diferença entre o filho biológico e o adotado deve ser apenas a forma como chegaram a família.

Isso não deveria afetar sua disposição de oferecer a ambos tudo o precisam para que cresçam e se desenvolvam.

Pai, irmãos, avós, tios, primos, demais familiares e amigos, devem fazer parte das boas vindas ao novo integrante da família, exatamente como aconteceria se você tivesse dado à luz a um bebê.

É normal que talvez alguns integrantes tendam a se tornar distantes por não existir consanguinidade, mas com certeza o tempo compartilhado e o contato entre eles encurtará essa distância.

Também não faz sentido apresentar a uma criança adotada como biológica na escola ou diante da comunidade.

Se há diferenças raciais, seria ainda mais ilógico.

Sua decisão de adotar pode ser aquilo que o seu entorno precisa para valorizar a adoção como uma alternativa melhor do que o aborto ou o abandono.

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Vale a pena ser mãe adotiva?

Se nutra da experiência de outras mães e pais que adoram e dos que foram adotados.

Na internet você pode encontrar uma gama de blogs e fóruns sobre esse tema.

Com certeza você também encontrará discursos de opositores. É válido estudar e analisar os dois posicionamentos.

Dar proteção e estabilidade a uma criança, que inclusive desde antes de nascer teve múltiplas carências, é uma oportunidade maravilhosa para dar e receber amor, para crescermos como família e seres humanos. Que as dificuldades não te desanimem!

Gondim, A. K., Crispim, C. S., Fernandes, F. H. T., Rosendo, J. C., Brito, T. M. C. de, Oliveira, U. B. de, & Nakano, T. D. C. (2008). Motivação dos pais para a prática da adoção. Boletim de Psicologia..