O que é a estrongiloidíase e como é a contaminação?

Pacientes imunossuprimidos são mais propensos a complicações dessa doença. Isso inclui pessoas com infecção por HIV ou que são tratadas com esteroides.
O que é a estrongiloidíase e como é a contaminação?

Última atualização: 19 Maio, 2021

A estrongiloidíase é uma doença parasitária causada pelo Strongyloides stercoralis, um patógeno capaz de se reproduzir no intestino humano. Embora a maioria dos casos seja leve, pode ser fatal em pacientes com um sistema imunológico deficiente.

É um problema de saúde pública em países em desenvolvimento, embora existam focos da patologia em todo o mundo. Quer saber mais? Então, continue conosco!

Quais são os seus sintomas?

Um paciente com estrongiloidíase pode apresentar diversas manifestações clínicas, muitas delas inespecíficas. Portanto, o médico pode demorar para fazer o diagnóstico, a menos que o paciente seja proveniente de uma área endêmica.

Alguns dos sintomas mais comuns são dor abdominal difusa, sangramento através das fezes, diarreia e vômitos ocasionais. Fora do sistema digestivo, pode ocorrer mal-estar geral, erupções cutâneas e perda de peso inexplicável.

Pessoas com algum grau de imunossupressão apresentam formas mais graves da doença. Discutiremos isso em detalhes mais tarde.

O que causa a estrongiloidíase?

A infecção pelo parasita Strongyloides stercoralis é o evento que dá origem à doença. Este tipo de microrganismo é caracterizado por ter vários ciclos de vida, e a sua forma muda constantemente desde que haja um ambiente ideal para a sua reprodução.

O surpreendente sobre o S. stercoralis é que ele pode se desenvolver dentro do corpo humano. Para que a infecção persista por meses ou anos, não é necessário que o paciente seja infectado continuamente, pois o parasita se reproduz no interior do organismo.

Isso explica o fato de muitos casos de estrongiloidíase serem importados de outros países, como confirma uma pesquisa. Isso está relacionado às mudanças nas condições de vida em ambientes rurais.

No Brasil, a faixa de infecção varia de menos de 5% até 80%, sendo que essas variações ocorrem em função da idade da população estudada e também em função das diferenças geográficas e socio­econômicas. As condições de vida precárias de uma grande parcela da população influenciam o aumento do desenvolvimento de infecções por parasitas intestinais.

Problemas intestinais
Os sintomas digestivos decorrentes da parasitose podem se espalhar para outros órgãos quando há expansão dos parasitas pela parede intestinal.

Fatores de risco

Fora do corpo humano, o parasita tem a capacidade de viver na terra. É encontrado com mais frequência em comunidades onde os humanos tendem a defecar ao ar livre.

A via de entrada mais comum no corpo é através da pele, quando as pessoas andam descalças em solo contaminado. A partir daí, o parasita passa para a corrente sanguínea e para o sistema respiratório.

Este vai se mobilizando até a sua deglutição. Então, aloja-se no sistema digestivo, onde encontra as condições ideais para se reproduzir. Portanto, os fatores de risco mais importantes para a sua aquisição são os seguintes:

  • Morar em ambientes rurais.
  • Más condições socioeconômicas.
  • Ter algum tipo de imunossupressão.

Diagnóstico de estrongiloidíase

Os médicos utilizam vários métodos para fazer o diagnóstico. Entre eles, estão os seguintes:

  • Hemograma completo: pode revelar um aumento de eosinófilos no sangue. É um tipo de célula relacionada à resposta a infecções por parasitas.
  • Exame de fezes: embora muitas vezes possa ser negativo, existem técnicas específicas capazes de detectar o parasita. A mais eficaz é o método de Baermann.
  • ELISA: é uma técnica de biologia molecular capaz de identificar anticorpos contra o parasita em amostras de pacientes.

Tratamento disponível

Existem vários tratamentos específicos para a doença, embora em geral também seja necessário o controle de outras doenças capazes de causar imunossupressão em um grande grupo de pacientes.

Os medicamentos mais prescritos são os seguintes:

Possíveis complicações da estrongiloidíase

Quando o sistema imunológico de um paciente é afetado, a reprodução do parasita é consideravelmente acelerada. Isso resulta em um fenômeno denominado síndrome de hiperinfecção, no qual esses organismos penetram nas paredes do intestino.

Com essa modalidade, chegam a órgãos como cérebro, fígado e sistema urinário. Qualquer uma dessas formas geralmente está associada a diarreia e dor intensa, febre e fraqueza crônica.

As manifestações clínicas tendem a surgir após um episódio de imunossupressão, como o uso de corticoesteroides.

Exame de fezes e urina
Os exames de fezes podem detectar alguns parasitas enquanto permanecem no intestino.

Expectativa e prevenção

Poucos pacientes desenvolvem quadros clínicos graves desta doença. Inclusive, muitos podem persistir sem sintomas por anos, devido à capacidade do parasita de se alojar e se reproduzir no intestino dos humanos.

Apesar disso, devido aos potenciais efeitos negativos à saúde que os casos mais graves podem causar, em algumas áreas a detecção precoce da estrongiloidíase é recomendada antes de iniciar alguns tratamentos com esteroides.

Outras medidas básicas de prevenção incluem o uso de calçados especiais para trabalhadores da zona rural, higiene pessoal adequada e educação das crianças sobre os riscos de colocar terra ou areia na boca durante as atividades ao ar livre.

Estrongiloidíase: um exemplo de parasitose que pode ser fatal

Apesar da maioria dos casos ser registrada em países em desenvolvimento, ainda existem áreas endêmicas em países desenvolvidos. A promoção adequada dos hábitos de higiene costuma ser suficiente para prevenir a estrongiloidíase, embora seja sempre aconselhável consultar um médico de confiança ao apresentar os primeiros sintomas.

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