Está destruindo a autoestima de seu filho sem saber?

15 de outubro de 2019
Se ao invés de dizer ao seu filho "te amo" e "muito bem!", usa com mais frequência "sempre faz tudo errado!" ou "nunca deveria ter nascido", pare! Está destruindo a autoestima da criança.

É claro que nenhum pai em seu bom senso quer machucar a autoestima do filho, seu bem mais precioso. Contudo, existem ocasiões nais quais a mensagem é passada de forma incorreta, seja por meio de palavras ou condutas, que podem lesionar a autoestima da criança ou do adolescente.

Porém, sem cair no estigma de ser considerado um pai tóxico, é necessário aceitar e reconhecer que em muitas situações está destruindo a autoestima de seus filhos. Evitá-las é possível. Revise esta publicação, caso se veja retratado em algum dos seguintes casos, é hora de consertar e mudar o rumo antes de que o dano seja mais profundo.

Como você pode estar destruindo a autoestima de seu filho

As crianças precisam palavras de amor e carinho de seus pais. Contudo, as palavras não são suficientes. Também necessitam de mostras desse amor, da confiança e do respeito que merecem como os seres humanos únicos e especiais que são. No entanto, ao invés de alimentar sua autoestima, talvez a esteja destruindo. Como? Siga lendo.

Superproteção

Pai gritando com o filho

Cuidar dos filhos é uma coisa, superprotegê-los é outra. Não deixar que ajam sozinhos, que tomem decisões e que errem é uma fórmula certa para destruir a autoestima de seu filho.

As crianças aprendem e crescem a cada passo, às vezes tropeçarão e cairão. Algumas vezes poderá protegê-los, pois é o que certamente toda mãe ou pai quer, mas em outras vezes não. É necessário ensiná-los a se levantar e a sobrepor-se.

Leia também este artigo: A superproteção é um modo de dar ao mundo filhos infelizes

Insiste constantemente em seus erros

Sem erros não há aprendizado. Viver se trata de cometer erros, percebê-los e aprender qual é o caminho correto. No entanto, se ao invés de motivá-lo a aprender, insiste constantemente em apontar seus erros, não só está destruindo a autoestima da criança, como também mina as chances de aprendizado.

Você pode estar destruindo a autoestima de seu filho ao compará-lo com outras crianças

As comparações destroem a autoestima das crianças e adolescentes. Comparar um irmão com o outro irmão ou com outra criança da escola ou vizinha é um ataque fulminante.

Em suma, uma criança não precisa escutar de seus pais: «Seu amigo é melhor do que você» ou «Olha o quão estudiosa é a sua irmã». Isso não o ajuda a melhorar nem a se esforçar mais, somente o faz acreditar que é «inferior», quando é único.

Caçoa ou minimiza seus sentimentos

Uma criança que se sente mal por alguma circunstância, não foi bem em uma prova ou brigou com um amigo, não precisa que seus pais a caçoem ou minimizem seus sentimentos. Em resumo, a chacota machuca. A desvalorização de seus sentimentos leva a criança a pensar que os pais não se importam com seus problemas.

Destrói seus sonhos

Seu filho sonha em ser pianista ou astronauta. Você diz que as lições de piano são muito difíceis ou que ser astronauta é impossível. Muito além do fato de poder ter ou não o talento, não o inspira a se atrever ou a se destacar no que considera os padrões médios. Quando pede para a criança que seja «realista», está destruindo sua autoestima.

Critica o que é diferente

Para alguns pais, perceber que seus filhos têm características ou habilidades diametralmente opostas às próprias, é fonte de dura crítica. São pais que querem que seus filhos sigam seus mesmos caminhos e ao perceber as diferenças, se inflamam com críticas e desqualificações.

Humilhações e ofensas

Cada vez que usa frases como «não serve para nada», «sempre faz tudo errado», «nunca presta atenção», «não quer servir para nada», «é burro ou inútil», está usando a humilhação e a ofensa como forma de corrigir seu filho. Nesse sentido, a destruição da autoestima é garantida.

Espera e exige o sucesso

Exige de seu filho altas qualificações e não tolera que não as alcance. Além disso, mede as capacidades da criança em função da nota que aparece no boletim escolar. Não valoriza o esforço que realiza, nem o compromisso e a responsabilidade.

Se seus filhos fracassam ou erram, não busca entender as razões. Em suma, prefere renegar suas capacidades e, nos casos mais extremos, até sua paternidade ou maternidade.

Exige obediência absoluta

Os pais controladores que não admitem nada além da obediência cega, são muito negativos para os filhos. As crianças certamente devem cumprir normas, mas também têm direito de opinar e que seu ponto de vista seja escutado.

Por isso, se não aceita o caráter independente ou a vontade de seu filho, é daqueles que não somente destrói a autoestima com empenho, como também atenta contra o vínculo que deveria uni-los.

Nunca pronuncia uma palavra de carinho

É difícil para você dizer ao seu filho «parabéns!» ou «muito bem!»? Talvez acredita que se o elogiar, a criança se tornará vaidosa ou que os elogios são desnecessários quando elas fazem o que se espera delas.

No entanto, as palavras de carinho são o estímulo que as crianças precisam para saber que estão fazendo algo certo e continuar melhorando. Não é necessário economizar. Pelo contrário: nunca é demais.

Você pode estar destruindo a autoestima de seu filho ao ignorá-lo

Pai indo embora e deixando à menina

São muitos os pais e até «conselheiros» de criação que indicam que é necessário ignorar as crianças como fórmula de corrigir um mau comportamento, uma rebeldia ou uma birra. Contudo, nada pode ser mais doloroso para uma criança do que ser ignorada por seu pai ou mãe. Isso somente a ensina que não merece a atenção das pessoas que mais ama. Pura dinamite em sua autoestima!

Antes de ir, leia: 7 erros que os pais do século XXI cometem

Reflexão final

Talvez as situações que descrevemos te pareçam exageradas. Até é possível que pense que os pais que agem assim somente podem ser qualificados como «horríveis». No entanto, o convite é para refletir.

Certamente, em um momento de cansaço ou de estresse, já tenha recorrido a algum destes comportamentos, inclusive sem sabê-lo ou querê-lo. Pode ter ocorrido mais de uma vez e é evidente que não é fácil aceitar e reconhecer. Por isso, a pergunta chave é: com que frequência ocorre?

Também vale a pena analisar se foi a forma como fomos criados. Superar este modelo é um processo árduo de tomada de consciência e de retificação que toma tempo, mas que vale a pena o esforço. Nossos filhos merecem e precisam.

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