Endometriose

14 de dezembro de 2017
A endometriose é considerada um transtorno crônico, mesmo que possa passar despercebida quando os lugares de implantação e a quantidade de tecido endometrial são mínimos.

A endometriose é uma doença que aparece em forma de pequenos implantes disseminados e cistos no ovário, mesmo que também tenha forma de aderências e nódulos localizados.

A doença aparece quando o tecido endometrial cresce por fora do útero, em zonas como os ovários, os ligamentos uterinos, na bexiga urinária ou no intestino. Raramente cresce em outras partes do corpo, como no abdômen ou nos pulmões.

Ela é considerada uma das causas principais de infertilidade na mulher, pois estima-se que mais de 40% das pacientes afetadas tem problemas para gravidar.

Apesar do endométrio crescer fora do lugar, mantém sua atividade hormonal. Durante a menstruação, tal tecido se desprende, o que gera uma série de incômodos.

Tipos de endometriose

Levando em consideração sua forma e localização, podem ser distinguidos três tipos de endometriose:

  • Superficial: também chamada de endometriose peritoneal, é aquela na qual o tecido endometrial se acomoda na zona mais superficial dos ovários e do peritôneo. Mostra-se como lesões avermelhadas e, com o tempo, pode formar pequenas cicatrizes.
  • Ovárica: nesta aparecem pequenos cistos nos ovários, também conhecidos como “cistos de chocolate”, por seu aspecto característico. Em certos casos formam aderências nos tecidos mais próximos como as trompas e o peritôneo.
  • Profunda: é a variedade mais complexa desta doença, já que acarreta consequências graves para a saúde da mulher. Caracteriza-se pela formação de pequenos nódulos de endométrio nas camadas mais profundas do peritôneo e da cavidade pélvica, além de comprometer os rins, o ureter, a bexiga e outras zonas mais afastadas.

Causas

Desenho da endometriose no útero

Mesmo que não exista uma causa exata que explique por que a endometriose aparece, existem várias hipóteses que tentam explicar a origem de sua aparição. Algumas das mais aceitas são:

  • Metaplasia: sugere que o endométrio tem a capacidade de substituir outros tecidos da zona pélvica.
  • Transplante vascular: fala sobre a possibilidade de que alguns fragmentos do endométrio se desloquem e se implantem em zonas distantes, viajando através dos vasos sanguíneos e linfáticos.
  • Menstruação retrógrada: ocorre quando o revestimento do útero flui para trás, pelas tubas uterinas e até o abdômen, ao invés de ser eliminado como um ciclo menstrual. Este tecido se deposita sobre os órgãos da pelve e cresce.

Visite este artigo: Endometriose: 5 aspectos pouco conhecidos que melhorarão sua qualidade de vida

Fatores de risco

Mesmo que as teorias anteriores tenham sido aceitas como possíveis causas da implantação endometrial fora do útero, também existem outros fatores de risco que se associam com seu desenvolvimento. Estes incluem:

  • Predisposição genética.
  • Antecedentes familiares.
  • Início da menstruação precoce.
  • Períodos menstruais frequentes, com uma duração de 7 ou mais dias.
  • Alterações anatômicas no trato genital.
  • Intervenções cirúrgicas prévias sobre o útero.
  • Não ter filhos.

Sintomas

Mulher com dor abdominal por causa da endometriose

A incapacidade ou dificuldade para gravidar é um dos sinais mais comuns da endometriose. No entanto, pelo descontrole hormonal que traz, também acarreta sintomas como:

  • Dor:
    • Abdominal antes e durante a menstruação.
    • Câimbras por 1 ou 2 semanas antes e durante a menstruação.
    • Durante e depois do coito.
    • Na parte baixa da coluna.
    • Com as deposições.
  • Menstruações longas.
  • Sangramentos entre os períodos menstruais.

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Diagnóstico da endometriose

Depois de suspeitar da doença, o médico iniciará o diagnóstico mediante a realização de uma exploração física da paciente. Depois, este pode realizar exames de confirmação como: ultrassom transvaginal, ressonância magnética nuclear ou laparoscopia pélvica.

Tratamento da endometriose

Tratamento farmacológico da endometriose

Para o tratamento da endometriose existem várias opções terapêuticas, as quais são escolhidas levando em consideração fatores como: a idade, o desejo da paciente de ficar grávida, sintomatologia (e gravidade dos mesmos), localização e extensão da doença.

Independentemente do método escolhido, o objetivo do tratamento se centra no alívio dos sintomas, na eliminação das lesões endometrióticas e na restauração da fertilidade da mulher (se assim desejar).

O tratamento pode incluir uma série de medicamentos tais como: analgésicos de venda livre e analgésicos receitados, pílulas contraceptivas, comprimidos ou injeções de progesterona, e medicamentos agonistas de gonadotropina.

Desta forma, reserva-se a cirurgia para os casos mais severos. Cabe destacar que a cirurgia pode ser tanto conservadora quanto radical ou definitiva.

Como complemento a qualquer tipo de tratamento, é importante que a paciente procure melhorar os hábitos alimentares e pratique exercícios físicos e técnicas de relaxamento.

Mesmo que estes não sejam uma cura definitiva para a endometriose, ajudam sim a controlar seus sintomas para que não afetem a qualidade de vida.

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