Possíveis efeitos do cloro das piscinas na saúde das crianças

Existem vários efeitos do cloro das piscinas na saúde das crianças. Porém, o mais prejudicial não é o cloro em si, mas o uso indevido.
Possíveis efeitos do cloro das piscinas na saúde das crianças

Última atualização: 21 Outubro, 2021

É muito saudável para as crianças nadar e se divertir na água. No entanto, também é importante tomar alguns cuidados, pois os efeitos do cloro das piscinas podem ser muito negativos se não forem evitados a tempo.

O cloro é uma substância utilizada em piscinas para eliminar bactérias e fungos ou prevenir o seu aparecimento. O problema é que ele não afeta apenas esses microrganismos, mas também os humanos. Isso ocorre quando a exposição é muito longa ou as quantidades da substância na água são muito elevadas.

Os efeitos do cloro das piscinas sobre a saúde das crianças variam de pequenos incômodos a problemas graves. A melhor alternativa é evitar que isso aconteça.

O cloro e seus riscos

O cloro é um elemento químico encontrado na natureza e um dos componentes básicos da matéria. Artificialmente, é feito a partir do sal comum por meio de um processo denominado eletrólise.

Essa substância é adicionada à água da piscina para matar os germes presentes nela. Quando os componentes clorados entram em contato com a água, eles liberam ácido hipocloroso, um desinfetante ativo.

Apesar dos seus grandes benefícios, a exposição prolongada e frequente ao cloro pode causar problemas de saúde. Isso se aplica em particular a bebês e crianças de até 3 anos de idade. Nessa idade precoce, a função respiratória está se desenvolvendo e tende a reagir de forma anormal aos elementos irritantes.

Problemas de saúde devido aos efeitos do cloro das piscinas

Os efeitos do cloro das piscinas sobre a saúde das crianças podem ser muitos. Os mais graves, mas não os únicos, são os que afetam o sistema respiratório. Em geral, são irritações de vários tipos.

Irritação nos olhos ou conjuntivite

Muitas vezes as crianças saem da piscina com os olhos vermelhos, e acredita-se que este seja um dos efeitos do cloro das piscinas. A verdade é que é uma consequência da falta deste elemento. Uma piscina que irrita os olhos é um espaço mal desinfetado.

Em geral, as irritações oculares e as conjuntivites são causadas pela presença de suor, saliva, urina, fezes e restos de produtos cosméticos. Todos esses elementos podem estar presentes na água, mesmo que ela pareça limpa.

Conjuntivite em criança que estava na piscina
Quando a conjuntivite aparece em uma criança que esteve em uma piscina, deve-se suspeitar de uma desinfecção deficiente da mesma.

Problemas de pele

Outro possível efeito do cloro em piscinas é a pele seca ou dermatite irritante. Isso ocorre porque o pH dessa substância é superior ao da pele. Como consequência, ocorre irritação, causando coceira e descamação.

Problemas respiratórios

Outro possível efeito do cloro das piscinas é a geração de problemas respiratórios. O cloro possui uma substância concentrada chamada tricloramina.

Esta substância é tóxica e facilmente inalada. Não atinge apenas as vias respiratórias superiores, mas também os pulmões. A consequência é que pode irritar e tornar as crianças mais propensas a outros problemas respiratórios.

Envenenamento por cloro

Uma piscina saudável não deve ter nenhum cheiro. Se houver um cheiro muito forte de cloro, significa que a água está cheia de impurezas. Este aroma intenso surge quando o cloro reage, quando entra em contato com o suor ou com as fezes.

Se uma criança engolir muita água com cloro, existe o risco de envenenamento. Os sintomas são tosse, vômito, dor de estômago, fadiga, falta de ar e inchaço dos olhos, garganta, orelhas e nariz.

Sensibilização alérgica

Um estudo realizado pelo Dr. Alfred Bernard, da Universidade Católica de Leuven, descobriu que existe uma relação entre o cloro nas piscinas e o aparecimento de doenças alérgicas, principalmente a asma.

Isso é evidente em bebês que usam a piscina com frequência antes dos 2 anos de idade e em crianças com tendência a sofrer de alergias. A pesquisa indica que, para cada 100 horas de exposição a uma piscina clorada, o risco de asma aumenta em até 60%.

Também foi estabelecido que as pessoas que nadam em piscinas antes dos 2 anos são mais suscetíveis a desenvolver alergias, mesmo na vida adulta.

Interações com outras substâncias

Um dos aspectos que deve ser levado em consideração é o que se conhece como cloro ativado. Este nome genérico é dado aos subprodutos que surgem como uma reação da combinação do cloro com outras substâncias. Isso acontece com frequência em piscinas.

Por exemplo, quando o cloro é combinado com cremes de proteção solar, loções ou perfumes, ele sofre modificações que podem danificar a camada protetora oleosa da pele. O efeito é mais ressecamento.

Da mesma forma, como já mencionamos, quando o cloro entra em contato com substâncias orgânicas (suor, urina) ele gera cloraminas. Elas tornam o cheiro de cloro mais intenso, mas também afetam o aparecimento de problemas alérgicos.

Por outro lado, quando as proteínas salivares entram em contato com a água na qual existem cloraminas, elas se decompõem de forma acelerada. A consequência disso é a formação de um tártaro acastanhado nos dentes.

Menina em piscina clorada
É importante que as crianças usem uma certa proteção para os olhos ao entrar nas piscinas públicas.

Dicas para minimizar os efeitos do cloro

A seguir estão algumas dicas que podem limitar os efeitos do cloro das piscinas sobre a saúde das crianças:

  • Evite piscinas com um forte cheiro de cloro.
  • Não entre em piscinas que não requeiram uma ducha antes e depois do uso.
  • Após o banho, ao sair da piscina, é aconselhável aplicar creme hidratante na criança.
  • É muito importante ensinar seu filho a não cuspir ou fazer xixi na piscina.
  • É aconselhável que a criança vá ao banheiro antes de entrar na piscina.
  • O uso de fraldas especiais que absorvem a urina na água deve ser exigido no caso de bebês.
  • É melhor usar óculos de proteção e protetores de ouvido ao nadar na piscina.
  • A criança deve aprender a não colocar água da piscina na boca, muito menos a engoli-la.
  • Se a criança sair com os olhos vermelhos, o melhor a fazer é enxaguá-los com soro fisiológico e aplicar compressas frias por alguns minutos.
  • Piscinas externas são mais recomendadas do que piscinas internas.

Existem alternativas ao cloro

Hoje, existem piscinas que não são desinfetadas com cloro. Algumas usam ionizadores de água, nos quais a eletrólise é usada. Nesse caso, a eletricidade mata os germes.

Existem também piscinas que usam um sistema de desinfecção de bromo ou ultravioleta. Este sistema de esterilização é muito poderoso e confiável. Tanto estes quanto os anteriores são boas alternativas para evitar os efeitos do cloro das piscinas na saúde das crianças.

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