Tudo que você precisa saber sobre a criptosporidiose

12 Agosto, 2020
A criptosporidiose não produz efeitos graves em pessoas com um sistema imunológico saudável, mas pode ser fatal em pacientes imunodeprimidos ou em crianças menores de 2 anos.

A criptosporidiose ou criptosporidíase é uma doença parasitária. O primeiro caso foi relatado em 1972, mas somente em 1976 F.A. Nime, J.D. Burek e outros pesquisadores fizeram uma descrição formal da doença. Desde então, os estudos aumentaram nesse sentido, uma vez que esta é considerada uma doença emergente.

Esta doença afeta seres humanos e outras espécies animais, incluindo aves que costumamos consumir. Foi durante a década de 1970 que a criptosporidiose levou à morte pacientes com AIDS. Isso atraiu a atenção dos especialistas.

No entanto, a verdadeira onda de estudos em torno dessa doença ocorreu em 1993. Nesse ano, houve um surto em Wisconsin (EUA) e isso alertou a sociedade e os governos sobre o grave risco potencial da criptosporidiose.

Atualmente, uma quantidade significativa de dados e conhecimentos foi reunida em torno da doença. Nesse sentido, existem alguns conceitos de particular relevância que apresentaremos a seguir.

A criptosporidiose é causada por um parasita

A criptosporidiose é provocada por um parasita
A criptosporidíase é provocada por um parasita que precisa das células do corpo humano para completar o seu ciclo biológico.

A doença é causada por um parasita chamado Cryptosporidium. Até o momento, 22 espécies foram descritas, mas hoje considera-se que são apenas 13.

Foi estabelecido que o parasita penetra nas células intestinais do hospedeiro, mas os mecanismos exatos que usa para invadi-las ainda são desconhecidos. O que se sabe é que esse parasita não precisa invadir as células para completar o seu ciclo biológico.

Quando os oocistos do parasita habitam um organismo, gradualmente começam a invadir as células epiteliais do intestino delgado ou da árvore respiratória. Então, iniciam-se fases sucessivas de reprodução assexuada e sexuada. Logo depois, eles são evacuados através das fezes e, a partir daí, o contágio pode ocorrer.

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A criptosporidiose se propaga facilmente

O parasita pode infectar uma grande variedade de mamíferos, incluindo bezerros, leitões, etc. Nos seres humanos, a transmissão ocorre de pessoa para pessoa ou de animal para pessoa por via oral-fecal. Entretanto, com muita frequência o contágio ocorre através da água contaminada.

A criptosporidiose é transmitida basicamente através das fezes de animais ou humanos. Essas fezes são portadoras dos oocistos. Estes, por sua vez, contaminam alimentos e/ou água. As evidências indicam que os oocistos são extremamente resistentes aos métodos padrão de purificação de água.

O potencial de contágio é muito alto, principalmente quando ocorre através da água contaminada. No surto de Wiconsin, 400.000 pessoas foram infectadas. Um estudo realizado nos Estados Unidos indicou que o parasita está em 90% das águas residuais, 75% da água dos rios e em 28% da água potável.

A resposta imune é variável

O sistema imunológico defende o corpo contra os parasitas
Em organismos imunocompetentes, essa infecção pode ser facilmente superada.

Os organismos imunocompetentes, ou seja, aqueles nos quais o sistema imunológico é totalmente funcional, não são severamente afetados pela criptosporidiose. Eles respondem adequadamente e ficam com uma forte imunidade à reinfecção.

Por outro lado, se o paciente tiver deficiências de linfócitos ou gamaglobulina, ele pode sofrer infecções graves ou crônicas. A idade e o estado nutricional também são determinantes. Os casos mais graves geralmente ocorrem em crianças menores de 2 anos. A diarreia derivada da criptosporidiose é um problema muito sério em pacientes com AIDS.

O diagnóstico especializado é o mais confiável

Os exames de rotina de fezes geralmente não são confiáveis ​​para o diagnóstico de criptosporidiose. Isso ocorre porque a expulsão dos oocistos é intermitente, portanto,  seriam necessárias várias amostras fecais para confirmar a sua presença.

O mais indicado é aplicar técnicas especializadas para o exame microscópico de fezes. Isso inclui coloração ou microscopia de contraste de fase, usando técnicas como Ziehl-Neelsen ou Kinyoun. A microscopia imunofluorescente também é usada.

Da mesma forma, é pertinente a realização de um imunoensaio enzimático para detectar o antígeno do Cryptosporidium nas fezes. Ocasionalmente, a biópsia intestinal também é usada para estabelecer o diagnóstico.

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A melhor maneira de combater a doença é preveni-la

A melhor medida de prevenção para evitar a criptosporidiose é lavar as mãos com água corrente e sabão. Essa ação deve ser realizada ao preparar alimentos, antes de comer, quando você chega em casa depois de sair, depois de urinar ou evacuar e depois de entrar em contato com os animais.

O contato com fezes humanas ou animais deve ser evitado ou devem ser tomados cuidados extremos de higiene. Também é importante evitar consumir água não potável. Manter boas medidas de higiene é essencial.

Del Coco, V. F., Córdoba, M. A., & Basualdo, J. A. (2009). Criptosporidiosis: una zoonosis emergente. Revista argentina de microbiología, 41(3), 185-196.