Corticofobia: o medo excessivo dos corticoides

O medo dos corticosteroides está aumentando há algumas décadas. Esses medicamentos podem ter vários efeitos colaterais importantes, mas isso acontece quando não são usados ​​nas doses corretas ou são usados ​​por muito tempo.
Corticofobia: o medo excessivo dos corticoides

Última atualização: 11 Junho, 2021

A corticofobia, ou medo dos corticosteroides, pode ser definida como um conjunto de crenças e atitudes de medo e rejeição a esse tipo de medicamento. Isso ocorre com mais frequência quando essas substâncias são usadas na forma de creme para tratar a dermatite atópica em crianças.

Segundo as estatísticas, entre 20 e 83% dos pacientes com dermatite atópica têm medo dos corticosteróides. A porcentagem tem uma variação grande dependendo da pesquisa, mas, como podemos ver, às vezes atinge a maior parte dos usuários.

O mais surpreendente é que também existe um bom número de profissionais de saúde com medo dos corticosteróides. A questão é que esses medicamentos, embora causem efeitos colaterais em casos específicos, também são a melhor opção para o tratamento de várias doenças. Há muitos mitos na corticofobia.

O que são os corticosteroides?

Os seres humanos secretam corticosteroides naturalmente, através das glândulas suprarrenais e das moléculas de colesterol. Dessa forma, nosso corpo gera dois tipos de corticosteroides, também chamados de corticoides.

Todas essas substâncias naturais cumprem uma infinidade de funções, entre as quais se destacam o metabolismo de carboidratos e proteínas, bem como a regulação do sistema imunológico e a resposta ao estresse.

O primeiro tipo desses corticosteróides naturais contém 21 átomos de carbono. Estes, por sua vez, são divididos em dois grupos. O primeiro deles é o dos glicocorticóides, entre os quais está o cortisol ou a hidrocortisona. O segundo é o dos mineralocorticóides, entre os quais temos a aldosterona.

O segundo tipo de corticosteroides que o corpo produz são aqueles com 19 átomos de carbono. Isso inclui hormônios como andro e estrocorticoides.

Os corticosteroides sintéticos são drogas que simulam a ação dos corticosteroides naturais. Ao mesmo tempo em que copiam a ação desses hormônios, também atuam com um maior poder do que eles. Eles são usados ​​para tratar várias doenças, como dermatite, rinite, asma e psoríase.

Garota com corticofobia
Os corticosteroides inalatórios são frequentemente usados ​​por quem tem asma

Quais são os mais usados?

Como vimos, os corticosteroides são drogas que ajudam a regular a resposta do sistema imunológico e a reduzir os processos inflamatórios.

Os mais usados ​​são a prednisona, a cortisona e a hidrocortisona. Atualmente, eles são usados ​​no tratamento de muitas doenças, como patologias inflamatórias, artrite ou asma.

Eles também são usados ​​em doenças autoimunes, nas quais o sistema imunológico ataca os próprios tecidos. Uma dessas patologias é o lúpus. Da mesma forma, eles são necessários no tratamento da insuficiência da glândula adrenal.

A verdade é que, embora tenham se tornado um pilar fundamental da medicina atual, eles têm efeitos colaterais.

Efeitos colaterais dos corticosteroides

Os corticosteroides podem ser tomados por via oral, através da pele, por injeção ou mesmo com sprays intranasais. A forma de administração é escolhida de acordo com a patologia a ser tratada. Além disso, cada um deles tem vários efeitos colaterais.

De um modo geral, quando usados ​​corretamente, na dose certa e por um tempo limitado, muito raramente apresentam efeitos colaterais. No entanto, estes podem aparecer se as condições acima não forem atendidas e seu uso exceder os limites permitidos pela ciência médica.

Alguns dos efeitos colaterais dos corticosteroides são os seguintes:

  • Ganho de peso: causam retenção de líquidos e alteram o metabolismo dos lipídios, o que pode provocar uma distribuição anormal da gordura no corpo. No entanto, esse efeito só ocorre após o uso prolongado.
  • Condições da pele: a pele pode ficar mais fina e mais frágil. Estrias ou vasos sanguíneos dilatados também podem aparecer, além de perda da cor da pele, hipopigmentação, hipertricose ou aparecimento de pelos em áreas inadequadas ou lesões.
  • Aumento da concentração de glicose no sangue: os corticosteroides modificam o metabolismo da glicose e, eventualmente, causam aumentos nos níveis de açúcar no sangue.

Outros possíveis efeitos colaterais:

  • Alterações de humor.
  • Risco aumentado de contrair certas infecções.
  • Aumento do risco de osteoporose e fraturas.

Existem relatos de aumento da pressão arterial e aumento do risco de osteoporose. O risco de contrair infecções também é aumentado. Além disso, eles geram nervosismo, alterações de humor e afetam o desenvolvimento de cataratas.

Nem todas as pessoas que tomam corticosteroides apresentam esses efeitos. Tudo depende da dose, do tempo e da via de administração utilizada. A maioria dos efeitos mencionados aparecem apenas quando são administrados por via oral. Nesse sentido, é preciso entender que, na maioria das vezes, se forem prescritos, é porque seu uso irá melhorar notavelmente a patologia sofrida.

Corticofobia: o medo dos corticoides

Todos esses possíveis efeitos colaterais são o que causa a corticofobia, o medo dos corticosteróides. No entanto, como já observado, quando esses medicamentos são usados ​​nas doses certas e por um período de tempo razoável, é muito raro que causem tais incidentes.

Na maioria dos casos, os efeitos prejudiciais aparecem apenas após o uso de longo prazo, como por vários anos. Por isso, a resposta a esses riscos não pode ser um medo irracional, mas sim um uso responsável desses medicamentos, tomando todos os cuidados necessários em cada caso.

Assim como há riscos reais, também surgiu um conjunto de mitos infundados. Um deles destaca que essas drogas impedem o desenvolvimento do cérebro das crianças. Não há dados científicos que corroborem essa crença, mas mesmo assim, muitos acham que é verdade e alimentam o medo dos corticosteroides.

Dermatite atópica e corticofobia

O medo dos corticosteróides, ou corticofobia, está ganhando força no que diz respeito a certas patologias. Por exemplo, hoje muitos pais se recusam a usá-los para tratar a dermatite atópica em seus filhos.

A dermatite atópica é uma doença de pele que afeta principalmente crianças. Causa vermelhidão e coceira contínuas. Para tratá-la, costuma-se usar cremes com corticosteroides. É difícil surgir um problema se as recomendações de tratamento forem seguidas.

Ainda assim, os pais estão cada vez mais relutantes. Há uma tendência a pensar que os efeitos colaterais provocados pelos corticosteróides quando tomados por via oral são os mesmos do uso de pomadas.

Esse medo dos corticosteroides também é alimentado pela falta de confiança nos médicos. Devemos ter em mente que, se usados ​​de forma adequada e de acordo com as suas prescrições, os efeitos colaterais podem não aparecer. Pelo menos no caso da dermatite atópica, eles não são frequentes.

Criança com dermatite atópica
Muitos pais se recusam a usar corticosteroides para tratar a dermatite atópica de seus filhos, sendo que esses cremes raramente causam efeitos adversos.

Para ter em mente

O medo dos corticosteróides ou a corticofobia nasce, principalmente, da ignorância e da desconfiança. No entanto, devemos ter em mente que os médicos consideram e sopesam tanto os benefícios quanto os riscos ao prescrever um medicamento.

Portanto, não podemos permitir que o medo tome conta. Embora seja verdade que os corticosteróides – especialmente quando tomados por via oral e por um longo tempo – podem ter efeitos colaterais, não é isso que acontece em todos os casos.

É importante usar os medicamentos com sabedoria e conhecer seus efeitos adversos para evitá-los. O problema com o medo dos corticoides é que ele faz com que algumas pessoas evitem a todo custo esses medicamentos, dificultando ou impedindo o tratamento de certas doenças.

Prudência é uma coisa e medo baseado no preconceito é outra bem diferente. Sempre será prudente consultar um profissional para tirar suas dúvidas.

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  • Capdevila, E. F. (2004). Fobias y filias en el tratamiento con corticoides tópicos. Piel, 19(8), 405-6.