Motivos mais frequentes de consultas médicas na adolescência

Fazer referência aos motivos mais frequentes de consultas na adolescência nos obriga a considerar os diferentes contextos, assim como as diferentes idades. Saiba mais a seguir.
Motivos mais frequentes de consultas médicas na adolescência

Última atualização: 28 Fevereiro, 2021

A identificação dos motivos mais frequentes por trás das consultas médicas na adolescência constitui uma etapa essencial na formulação de políticas públicas para esse grupo populacional. Conhecer as doenças que ele apresenta, bem como os fatores determinantes que as originam, deve ser um objetivo dos pesquisadores.

Razões frequentes para consultas médicas na adolescência

De acordo com uma publicação feita por um grupo de pesquisadores do Hospital Geral Dr. Manuel Gea González, México DF:

“A importância do grupo dos adolescentes no contexto nacional reside não só na sua importância numérica, mas principalmente no desafio que significa para a sociedade garantir a satisfação das suas necessidades e exigências, bem como o pleno desenvolvimento das suas capacidades e potencialidades particulares”.

Além das particularidades oferecidas pelos diferentes contextos, as consultas médicas na adolescência em seus estágios iniciais (10 a 14 anos) estão relacionadas ao desenvolvimento puberal, dor abdominal, cefaleias ou dores de cabeça. A acne nem sempre é um motivo de consulta na adolescência, e muitas vezes é naturalizada como parte da vida do adolescente.

Adolescente em consulta médica
Os motivos de uma consulta médica na adolescência são variados. No entanto, geralmente servem para identificar distúrbios de humor que costumam ser ignorados.

Os fatores emocionais desempenham um papel importante e geralmente não são motivo para consultas frequentes; no entanto, profissionais experientes podem identificar alterações de humor com facilidade, ainda que não tenham sido manifestadas na consulta. O desafio, então, é tornar visíveis essas expressões ou esse mal-estar que, por diferentes motivos, estão escondidos ou ocultos.

Verdades sobre as consultas médicas na adolescência

Costuma-se argumentar que os adolescentes são uma população saudável, que procura um profissional de saúde por motivos menores, ou para exames de saúde de rotina.

Essas consultas são bem-vindas, pois permitem que o adolescente seja vinculado pelo menos uma vez ao ano ao sistema de saúde. Da mesma forma, conhecer seu estado imunológico e a necessidade de novas vacinas representa outro elemento importante.

Ainda assim, a saúde do adolescente está associada a distúrbios alimentares, trauma, violência e, nos últimos tempos, ao suicídio. Este último é particularmente impressionante, pois os números têm aumentado.

Crenças e percepções sobre a saúde na adolescência

É difícil erradicar algumas crenças – fortemente enraizadas – que configuram a imagem que os adolescentes têm tanto para algumas pessoas quanto para a comunidade em geral.

Desde mitos ligados ao sexo e ao rock and roll até a ideia da adolescência como o “tesouro divino da juventude”, a verdade é que os adolescentes geralmente têm boa saúde e estão particularmente comprometidos com seus projetos (quando existem), bem como com ideais e propósitos.

Voltando ao assunto das razões das consultas frequentes na adolescência, é importante acompanhar o desenvolvimento da sexualidade saudável e revisar constantemente as práticas dos profissionais de saúde, que eliminam todo tipo de preconceito a esse respeito.

Gravidez não intencional na adolescência: motivo de preocupação?

A gravidez não intencional na adolescência é um motivo de preocupação. Consequentemente, o Ministério da Educação da Argentina, por meio do Programa Nacional de Educação Sexual Integral (ESI), implementou um projeto específico.

Seu objetivo é trabalhar para a diminuição da gravidez não intencional na adolescência e o cumprimento dos direitos sexuais e reprodutivos, que fazem parte das diretrizes curriculares da ESI. De acordo com dados do mesmo programa:

“A gravidez na adolescência costuma ser tema de conversa no grupo docente, diretivo e com as famílias. Cada pessoa tem sua visão sobre o assunto, trocando impressões e formas de abordá-lo, ou de garantir a continuidade das trajetórias educacionais”.

Gravidez na adolescência
A gravidez não intencional na adolescência é um tema de grande preocupação. Por isso, é importante concentrar os esforços em medidas de prevenção.

Questões adicionais

Existem várias questões que surgem quando pensamos na gravidez na adolescência. Assim, no material do ministério da educação a que nos referimos, os autores destacam e levantam uma série de perguntas:

  • Qual é a melhor maneira de oferecer apoio aos adolescentes?
  • O que devemos fazer ou como devemos trabalhar na questão para contribuir com a escola para evitar gestações indesejadas e não intencionais?
  • O que estamos ensinando na escola para contribuir com esse objetivo?
  • Ensinamos sobre os métodos contraceptivos?
  • Conversamos o suficiente com meninos e meninas? Ouvimos suas dúvidas, medos, pontos de vista?
  • Criamos um espaço para um diálogo genuíno com eles? Quais são as representações sociais com relação à gravidez na adolescência?
  • Qual é o quadro normativo que ampara esta temática?

Conclusão

Entre os adolescentes – uma população que, em geral, goza de boa saúde – muitas das alterações estão relacionadas aos comportamentos.

Conversar sobre estas questões em estágios iniciais, a fim de promover a saúde, representa um caminho fundamental para prevenir cenários temidos como a depressão, o suicídio e a violência.

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  • Irma Jiménez-Escobar, Samuel Weingerz-Mehl, Elizabeth Castillo-Macedo et al. “Caracterización de los adolescentes y motivo de consulta por el que acuden al Servicio de Urgencias Pediátricas del Hospital General Dr. Manuel Gea González”. Gac Med Mex. 2016;152:30-5.
  • Plan Nacional de Prevención del Embarazo no intencional en la adolescencia. “El embarazo no intencional en la adolescencia” Ministerio de Educación, Argentina.
  • Wilkes MS, Anderson M. A primary care approach to adolescent health care. West J Med. 2000;172(3):177–182. doi:10.1136/ewjm.172.3.177
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